Antes de entrar no S&P 500, Tesla (TSLA34) lidera em valor de mercado

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Tesla / Divulgação

A Tesla (TSLA34) se tornou a empresa líder em valor de mercado na última sexta-feira (27), antes de ser inserida no índice S&P 500, o que vai acontecer dia 21 de dezembro.

No índice Nasdaq, em que o papel TLSA é negociado em Wall Street, a valorização foi de 578,38%, ao fim dos primeiros 11 meses de 2020.

Valia US$ 86,05 em 2 de janeiro e encerrou o pregão de 30 de novembro valendo US$ 567,60. Na última sessão, antes de entrar no S&P 500, a baixa foi de 3,10%.

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Assim, a empresa de Elon Musk chegou a um valor de mercado de mais de US$ 550 milhões, e Musk virou a segunda pessoa mais rica do mundo, atrás apenas do nome por trás da Amazon (AMZO34), Jeff Bezos.

A fabricante de veículos elétricos será a maior companhia a ser adicionada ao S&P 500.

Alto volume

O otimismo dos investidores com relação à companhia é grande.

Com a inclusão no índice mais popular, a empresa pode atrair uma base de investidores mais ampla, em vez daqueles apenas focados em tecnologia.

Isso fará o volume de negociação crescer, mais do que vem sendo demonstrado desde o dia 16 de novembro, quando o S&P 500 anunciou a entrada da Tesla.

Há uma semana  os investidores compraram e venderam a média de US$ 26 bilhões em ações da Tesla por sessão durante seis dias consecutivos, o que corresponde a quase 8% de todas as ações negociadas nas bolsas dos EUA.

Para se ter uma ideia, o volume de ações da Amazon, no mesmo período, foi, na média, de US$ 3,51 bilhões.

Com base nos preços de fechamento daquele dia, a Tesla já seria uma das 10 empresas mais valiosas do índice.

As ações da Tesla dispararam nas negociações dos dias 17 e 18 (mais de 18%), já que os gestores com fundos que acompanham o S&P 500 precisarão comprar as ações para seus portfólios.

Tesla já foi negada

A empresa é muito valiosa para inclusão no S&P 500 mas existem outros fatores que a mantiveram fora.

A Tesla foi desprezada em setembro depois de atender aos critérios para ser incluído no índice, mas não foi inicialmente escolhido pelo comitê da S&P Dow Jones Indices.

As empresas devem relatar quatro trimestres consecutivos de lucro, conforme determinado pelos princípios contábeis geralmente aceitos nos EUA (GAAP).

A Tesla relatou recentemente seu quinto trimestre consecutivo de lucro sobre a receita do terceiro trimestre de US$ 8,77 bilhões.

Além disso, também informou que entregou 139.300 veículos durante o terceiro trimestre, um novo recorde para a Tesla.

A entrada

A Tesla será adicionada ao S&P 500 em uma única etapa, apesar de seu alto valor de mercado.

Esperava-se uma possível abordagem em fases, para aliviar o impacto de adicionar uma empresa tão grande, mas o comitê da S&P Dow Jones Indices optou pela etapa única.

As ações serão adicionadas em seu valor de mercado totalmente ajustado, antes da abertura das negociações em 21 de dezembro.

Esse ajuste significa que apenas as ações disponíveis ao público são consideradas ao avaliar o peso de uma empresa. A empresa que a Tesla vai substituir será anunciada apenas em 11 de dezembro.

Operação de guerra

Uma entrada tão impressionante exige soluções impressionantes.

A decisão da etapa única segue o feedback da comunidade de investimentos, que a S&P Dow Jones Indices buscou devido à dificuldade de adicionar uma empresa do tamanho da Tesla.

“Em sua decisão, a S&P DJI considerou a ampla gama de respostas que recebeu, bem como, entre outros fatores, a liquidez esperada da Tesla e a capacidade do mercado de acomodar volumes de negociação significativos nesta data”, disse o índice à CNBC.

A adição da Tesla ao S&P 500 coincidirá com o vencimento das opções de ações e futuros de ações, entre outros instrumentos financeiros, o que deve ajudar a facilitar a adição, devido ao alto volume de negociação naquele dia.

De acordo com Howard Silverblatt, analista de índice sênior da S&P Dow Jones Indices, o valor de mercado ajustado pela flutuação de US$ 437 bilhões da Tesla levará a US$ 72,7 bilhões em negociações necessárias para gestores de fundos de índice que rastreiam o índice, além da atividade normal de negociação em 21 de dezembro.

“O fato de que quando a S&P fez o anúncio originalmente, buscou-se um feedback da comunidade de investidores sobre como lidar com a adição, diz tudo o que você precisa saber para mostrar como esta situação é única”, observou o fundador da Bespoke Investment Group Paul Hickey. Ou seja, é mesmo como uma operação de guerra.

Impacto da entrada da Tesla

O impacto também dá uma ideia da magnitude.

Existem atualmente mais de US$ 11,2 trilhões em ativos ligados ao S&P 500, com cerca de US$ 4,6 trilhões do total em fundos indexados, de acordo com o S&P Dow Jones Indices.

Conforme disse o fornecedor do índice, a adição de Tesla “gerará uma das maiores negociações de financiamento da história do S&P 500”, pois os gestores de portfólio precisam vender posições para abrir caminho para Tesla.

“E é aí que as coisas ficam interessantes”, acrescentou Hickey.

Além disso, o Goldman Sachs estimou recentemente que a adição de Tesla poderia resultar em US$ 8 bilhões em demanda de fundos mútuos ativos de grande capitalização dos EUA. Quando os fundos indexados são incluídos no mix, esse número é substancialmente maior.

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