Teoria de Dow

Patrícia Auth
Patrícia Auth é jornalista formada pela Univali de Itajaí/SC. Trabalhou em impressos, como o Jornal de Santa Catarina, e também, como repórter na Rede Record e RBS TV. É casada, mãe da Lívia e adoradora de boa música e gastronomia.Na equipe EuQueroInvestir, é responsável pela produção de vídeos, e também escreve e edita artigos para o site.Entre em contato com a Patrícia pelo e-mail: patricia.auth@euqueroinvestir.com
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Foto: Charles Henry Dow e Edward Jones por volta de 1887.

Origem e História:

A grande maioria dos estudos que utilizamos em analise técnica hoje, tem suas bases fundamentadas na Teoria de Dow, feita por um jornalista e seu sócio, Charles Henry Dow e Edward Jones por volta de 1887.

As suas ideias foram publicadas no Wall Street Journal, e foi criado o famoso Dow Jones Industrial Average, um dos principais índices de renda variável do mundo até hoje.

Teoria de Dow

Infelizmente, logo após chamar atenção dos investidores para os movimentos do mercado de ações e seus preços, em 1902 ele faleceu, deixando para seus filhos a missão de divulgar todos os seus estudos sobre isso.

A Teoria de Dow pode ser resumida em seis princípios básicos, que apresentaremos a seguir:

Principio 1: Os preços estão certos (você…nem sempre!!!)

Os preços das ações e principalmente dos índices, são o resultado das ofertas de compra e venda feitas por todos os investidores do mercado, pessoas físicas iniciantes, traders profissionais, gestores de fundos, tesourarias de banco, hedgers …enfim, desde os mais bem informados e técnicos, até os mais inexperientes e impulsivos.

Por isso, já estão refletidas nos preços ,todas as expectativas futuras sobre aquele ativo , as que se esperam, e todos já sabem,e aquelas que ninguém sabe ainda, mas vão acontecer (o famosos “eles já sabiam” no Brasil) principalmente as sobre divulgação de balanços e fatos relevantes das empresas.

Mas ainda existem os fatos imprevisíveis, como o ataque ao World Trade Center em 2001 , terremotos, tsumanis, furacões, ou seja, tudo o que foge à Leis dos Smurfs (antiga Leis de Murphy) “ tudo que pode dar errado, vai dar…” . Estes são corrigidos rapidamente após o fato, e depois retornam a normalidade, dependendo, é claro, da dimensão do fato em si. O mercado de ações demorou mais de uma semana para voltar ao “normal” depois do 11 de setembro em 2001.

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Principio 2: O mercado tem três tendências

De acordo com Dow, o mercado tem três tendências distintas:

Primária: É a tendência de longo prazo. Dura no mínimo um ano, levando em conta desde o gráfico diário , passando pelo semanal e mensal , representa 20% das altas e baixas dos preços dos ativos . Ela não se movimenta em linha reta, possui vários movimentos corretivos , de modo que para ser mantida, precisa respeitar alguns princípios. Se a tendência primária é de alta, os fundos tem que ser ascendentes (maiores do que o anterior).

Teoria de Dow

E se for de baixa, os topos tem que ser menores do que o anterior , como veremos no gráfico abaixo .

Teoria de Dow

Secundária: Ela representa a quebra de padrão temporário de uma tendência primária . Ela tem em média a duração de 3 semanas a 3 meses , é o chamado médio prazo, ande temos retrações no movimento principal. São em geral, excelentes oportunidades para entradas, aonde os preços tem uma correção ( para cima ou para baixo ) . Ela tem em média ocupado de 30 a 60% do tempo das tendências. No exemplo abaixo de MGLU3, vemos uma dessas tendências que foram excelentes entradas.

Teoria de Dow

Terciária: Em geral é derivada da secundária, tem duração de um dia até três semanas no máximo, aproveitada pelos investidores mais agressivos, em geral para posições intraday ou de curto prazo no máximo. Podem ser usados gráficos de 1 minutos até 15 minutos para definição de pontos de entradas e saídas, são micro movimentos dentro de ema tendência maior.

Principio 3:Toda tendência tem três fases

Existe uma lógica comportamental do trader nas tendências de alta e baixa do mercado . Mas são distintos, em uma tendência primária de alta as fases são:

Consolidação: Fase aonde entram os investidores mais experientes e aqueles que “sabem” que os preços estão baratos. Os jornais ainda dizem que as coisas vão piorar, que bolsa é um péssimo negócio, e o investidor “inteligente”, com caixa, comprando…. A maioria com medo, volume de negócios e financeiro baixo, mas não para de entrar comprador no preço…

Inicio de tendência (rompimento): É o ponto em que todos os analistas gráficos tradicionais passam as compras,os indicadores técnicos apresentam sobrevendas, os fundos ficam maiores que os anteriores, e começam os rompimentos de máximas de candles anteriores. O volume de negócios aumenta , assim como a volatilidade também . Nos fóruns,debates sobre: Será o suspiro do morto? Ou existe de fato esperança além do túnel? Quem é o campeão brasileiro de 1997?

Vai boiada!!!: Depois de um tempão de compras nos suportes, feitas pelos investidores mais experientes, das recomendações dos analistas técnicos sobre os rompimentos a serem comprados, a boiada vai firme às compras, os jornais não se cansam de mostrar as altas na bolsa, aquele teu amigo que só fala de futebol começa a te perguntar o que acha de comprar ações agora, porque o gerente do banco dele está recomendando um fundo de ações que no mês passado rendeu 25% do CDI no ano ,enfim ,topos históricos, recordes , a boiada não quer perder a alta da bolsa, e começa a se ouvir o termo mais temido na bolsa (pelos profissionais):
Nunca mais cai….

Nesse momento, o investidor profissional já está zerando suas compras, o analista já reajustou seus stops pra cima, prevendo uma exaustão do movimento, e aos poucos a tendência de alta vai enfraquecendo, com o volume aumentando nas quedas…é o inicio da tendência de baixa.

Nas tendências primarias de queda:

Realização de lucros: Depois dos topos históricos, ainda existe compra ,mas os profissionais estão saindo gradualmente, ajustando seus stops, sem chamar atenção. Já se começa a cogitar operações de venda (short) nas ações mais valorizadas . Mas na mídia, tudo certo, nada pode dar errado, não estamos todos do mesmo lado???

Run Forest, run !!!: As posições vendidas, em sua maioria feita por investidores institucionais e profissionais do mercado, começam a aumentar, na medida em que os suportes vêm sendo quebrados, e topos sendo formados menores que os anteriores. A sensação do nunca mais cai começa a desaparecer entre os iniciantes, o jornal não fala mais sobre bolsa , teu amigo que comprou cotas do fundo de ações que o gerente do banco sugeriu não te liga mais . É um silencio ensurdecedor. As pontas mais fortes do mercado vendidas e não têm mais compradores com volume, naturalmente, a tendência primária de alta vai revertendo. Agora que a tendência reverteu para baixa, cadê os compradores? Quando vai parar de cair? Preciso sair rápido, o meu prejuízo já está ficando grande…mas da pra segurar mais um pouco, eu aguento bem o tranco , sou forte, o mercado vai voltar, com certeza. Depois disso , quando você percebe que o volume está aumentando na queda , que os preços não voltam mais, o pânico está instalado, não existe mais parâmetro de preço, quer vender aonde tem a compra. A queda é rápida e forte , o estrago é grande .

Freio de mão puxado (desaceleração): Depois de uma queda forte e rápida nos preços, a grande maioria zerou seus prejuízos e que ficou foi o sentimento de que bolsa é um investimento pra poucos, somente os que tem informação privilegiada ganham dinheiro. Parece que só esperaram eu entrar, ganhar um pouco de dinheiro , me animar e colocar mais dinheiro, para depois acabarem com tudo. Os preços não caem mais com força, não tem mais volume ,o mercado entra novamente em uma fase de consolidação e acumulo , inicia-se uma possível reversão da tendência de queda.

Princípio 4 : O volume confirma a tendência

Para que haja uma confirmação da tendência, é preciso que o volume aumente na direção dela. Exemplo: Quando estamos em uma tendência de alta , o volume aumenta quando os preços sobem e diminui nas quedas . Ao contrário, quando a tendência é de queda, o volume é pequeno nas correções do movimento e aumenta pra baixo.
O volume aumentando, significa que os grandes estão remando nessa direção!!!

Princípio 5 : Os índices , juntos, confirmam a tendência

O DJIA , Dow Jones Industrial Average , mede a oscilação de uma carteira teórica formada pelas industrias americanas. Quando foi criado, era a média dos preços das 12 maiores empresas americanas , por escolha dos editores do Wall Street Journal . Em 1928 foi aumentado para 30 empresas e é assim até hoje. Para seu criador, o maior desafio era o de confirmar a mudança de tendência ( rompimentos ) ou a manutenção dela ,comparando setores complementares da economia. Por isso criou o DJTA (Dow Jones Transporation Average ) , porque entendeu que se as industrias fossem bem, os transportes aumentariam no pais, o que faria com que as empresas do setor também valorizassem. Se a média de um índice estivesse apontando em uma direção diferente, poderia ser um falso rompimento, ruído de mercado.

A confirmação somente viria com os dois indo na mesma direção. No Brasil, podemos ver no exemplo abaixo, uma confirmação de tendência entre o IBOV e o IFNC , índice que mede as ações do setor financeiro da bolsa. As duas confirmaram a tendência de alta, no rompimento de uma acumulação em setembro de 2017 , como vemos abaixo nos gráficos .

Teoria de Dow
Teoria de Dow

Principio 6: A tendência principal se mantém até que haja um sinal claro de reversão

Para que não caia nas armadilhas do mercado, esse principio deve ser respeitado. Somente se considera uma reversão de tendência, segundo a Teoria de Dow ,se o fechamento do preço for acima do topo anterior(reversão de queda),ou abaixo do fundo (reversão de alta).
Essa é uma das maiores criticas feita a ela, o atraso na percepção do movimento, perdendo parte significativa da alta ou baixa.

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O cenário econômico virou do avesso e o país já não é mais o mesmo.

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Italian Trulli

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