Tensão entre Turquia e Síria aumenta e pode haver participação da Rússia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Ghaith Alsayed / AP Photo

O clima de tensão entre Turquia e Síria aumentou na noite dessa quinta-feira (27). Soldados turcos foram mortos em ataque de foguetes e o Observatório Sírio para Direitos Humanos fala em 34 mortes.

O clima na cidade de Idlib, no norte da Síria, que desde o início da Guerra Civil Síria em 2011, foi tomada por milícias rebeldes e em 2017 tornou-se a sede do Governo da Salvação Síria, é de terror. Desde fevereiro, ao menos 43 soldados turcos morreram em Idlib.

A cidade fica bem próxima a Alepo, centro dos conflitos com o Estado Islâmico há poucos anos, e da fronteira com a Turquia.

Segundo a Reuters, não está clara a autoria do ataque: fontes do governo turco dizem que a ação pode ter partido de forças de Bashar al-Assad na Síria ou mesmo de militares da Rússia, aliada do regime sírio. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, teve que convocar uma reunião de emergência sobre a segurança na região. O encontro durou duas horas, mas não foram divulgadas mais informações.

Violência na Síria

É o maior número de mortos em um só dia desde que o governo de Ancara começou a intervir no conflito da Síria, em 2016. O país é parte interessada no conflito, porque a Turquia é a porta de entrada de refugiados sírios para a Europa. A Turquia faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pleiteia entrar na União Europeia.

Mais tarde, de acordo com a agência estatal Anadolu, a Turquia atacou posições do regime sírio em Idlib — uma represália à morte dos soldados turcos.

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, pediu o fim da violência na região e condenou os ataques atribuídos às forças aliadas do regime sírio.

Já o Departamento de Estado norte-americano declarou que os Estados Unidos veem com preocupação os ataques às posições turcas na Síria e reafirmaram o apoio à Turquia, aliada da Casa Branca dentro da OTAN.

Agência de notícias turca informam que, em duas semanas, o exército de Ancara destruiu 130 equipamentos militares das tropas governamentais em Idlib. Em apenas 17 dias, foram destruídos 55 tanques sírios, 18 veículos blindados e outros 21 veículos militares, bem como 29 obuseiros e 3 helicópteros. Foram neutralizados aproximadamente 1.700 militares sírios.

Os conflitos na região têm se intensificado neste mês, na medida em que os governistas de Bashar al-Assad vêm retomando o controle da localidade. De acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, as forças de Bashar al-Assad retomaram o controle na região sul de Idlib na quinta-feira (26). Os militares governistas tomaram 60 cidades e vilarejos desde o início da semana.

Idlib é alvo de uma campanha militar feroz por parte de forças leais ao governo sírio, apoiadas por bombas aéreas da Rússia.

Rússia e situação humanitária

O que não está certo ainda é a participação da Rússia no conflito. Embora seja aliado de Bashar al-Assad, o governo de Moscou não assumiu o ataque, que acabou atribuído a Damasco.

Stoltenberg condenou os bombardeios “indiscriminados” realizados pelas forças de Assad e pediu, mesmo sem participação oficial da Rússia, que Damasco e Moscou interrompam a ofensiva em Idlib e apoiem a ONU na busca para uma solução pacifica para o conflito.

“Stoltenberg instou todos os envolvidos a reduzir a atenuar a situação perigosa e evitar o agravamento da horrível situação humanitária na região”, afirmou seu porta-voz.

“Vários militares gravemente feridos foram hospitalizados em Hatay”, afirmou Rahmi Dogan, governador da província turca que faz fronteira com a Síria. Ele também responsabilizou o regime do presidente Bashar al-Assad pelo ataque.

“A comunidade internacional deve tomar medidas para proteger civis e estabelecer uma zona de exclusão aérea” na região de Idlib, afirmou a presidência turca.

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