Tim (TIMS3) e Vivo (VIVT4) têm resultados sem grandes surpresas, mas em linha

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.

Nesta semana, Telefônica Brasil (VIVT3) e Tim (TIMS3) divulgaram seus resultados do segundo trimestre de 2021. Para analistas, as duas teles tiveram seus números vindo em linha com o consenso.

A Tim somou uma receita de R$ 3,9 bilhões (crescendo 10,5% na base anual). Segundo relatório da Eleven, assinado por Flávia Ozawa, a receita líquida superou a expectativa da casa em cerca de 1%. O destaque foi o crescimento no consumo por usuário, apesar da queda na base de acessos. 

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Já a receita da Telefônica, de R$ 10,6 bilhões, para Ozawa, ficou um pouco aquém do esperado (de R$ 10,95 bilhões). Entretanto, isso não seria necessariamente ruim: a companhia viu o número de clientes crescer nos segmentos core, como o de fibra ótica. Além disso, registrou queda nos setores que está deixando de lado, como o de telefonia fixa. 

“Com a redução do peso das linhas de negócio que têm atuado como detratores de performance da companhia, acreditamos que a Telefônica deverá apresentar crescimento de receita nos próximos trimestres”, afirmou Ozawa.

O BTG Pactual, em relatório assinado por Carlos Sequeira e Osni Carfi, viu o balanço da Telefônica com olhos parecidos. O banco comentou o “ótimo” resultado do segmento de fibra óptica. Eles, porém, tiveram um tom um pouco mais negativo.

“O crescimento no trimestre foi realmente modesto”, afirmaram os analistas do banco de investimentos. Além do pouco crescimento, a base comparativa era baixa, por conta da pandemia da covid-19, mais aguda no segundo trimestre de 2020. A receita líquida da Vivo avançou apenas 3,2% na comparação com esse intervalo.

Teles seguem estratégias de negócios

Na Tim, segundo a analista da Eleven, a queda do número de usuários seria também parte da estratégia da companhia. “A Tim segue apresentando no segmento móvel o resultado da sua estratégia de volume para valor. Apesar do saldo líquido negativo de 387 mil acessos no trimestre e 691 mil nos últimos doze meses, o segmento apresentou crescimento de 1,2% na base trimestral para a receita por usuário”, explica. 

Em maio, a essa tele elevou o preço dos seus planos pós-pagos “controle”. Neste setor, a receita avançou 8,9% na base anual. No segmento pré-pago também houve avanço, mas um pouco menor, de 5,3%.

O esperado, para Ozawa, é que, nos próximos trimestre, o resultado melhore. Isso porque a Tim voltou, no segundo trimestre, a fazer mais esforços na área de vendas, o que chegou a reduzir, segundo ela, um pouco sua margem Ebitda.

Fibra é destaque nas duas companhias

Na Tim, o segmento de fibra ainda não é tão grande, mas o crescimento do número de clientes foi mais expressivo ao se levar em conta a variação percentual, de 57%, chegando a 360 mil assinantes.

Já na Vivo Fibra, líder do setor, foram 1,2 milhão de novos clientes no ano, com 300 mil novos usuários no 2T21. Assim, chegou a um total de 4 milhões.

As duas companhias, para a Eleven, estão conseguindo colocar em funcionamento suas estratégias. A Tim focando mais em valor do que no volume de clientes no segmento móvel. Já a Vivo destina maior atenção nos seus segmentos core, com perda de participação da receita em segmentos como o de linha fixa, internet DSL e televisão a cabo. 

O BTG foi no mesmo caminho, afirmando que o desempenho da Telefônica com a fibra foi “ótimo”. Assim, compensou o baixo desempenho dos serviços concessionados. Já Tim, para o banco, apresenta uma interessante tendência de alta das suas receitas pós-pagas e pré-pagas. 

No entanto, as analistas do banco de investimento pontuam que as duas tiveram bons resultados quando o tema é fibra ótica, dadas as respectivas proporções. “As receitas de fibra dispararam e fiber to the home (FTTH) agora é responsável por 54% dos clientes Tim Live, que responde a 63% da receita da telefonia fixa da companhia. É um bom desempenho”, comentam os analistas. 

Tim é beneficiada

A Tim, ainda nesse setor, deve ser a maior beneficiada pela compra da Oi, que depende da aprovação do Cade. “Estimamos sinergia de R$ 3,5 por ação, o que já foi implementado no nosso preço-alvo”, afirmaram. A companhia, por ser a terceira maior operadora do país, será privilegiada na venda da maior parte dos ativos da tele em recuperação judicial.

“O forte crescimento do FTTH no trimestre desacelerou o declínio nas receitas da telefonia fixa (com queda de 1,1% na base anual) e levou o segmento a sua melhor exibição desde 2017”, disseram os analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG, sobre Telefônica.

Eleven e BTG recomendam compra de Telefônica e Tim

Além de todos os comentários, em comum, entre analistas da Eleven e do BTG, está a manutenção da recomendação de compra para os dois papéis das teles. Ambas as casas, além disso, veem as companhias de telecomunicação brasileiras negociando em um múltiplo baixo na relação entre valor de mercado e Ebitda (EV/Ebtida) na comparação com os pares estrangeiros. 

Preço-alvo da Tim

  • BTG Pactual: R$ 20
  • Eleven: R$ 19.

Preço-alvo de Telefônica

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  • BTG Pactual: R$ 64
  • Eleven: R$ 58