Telefonica (VIVT4) tem recuo de 21% no lucro no 2TRI20

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Reprodução/Telefonica

A operadora Telefonica Vivo registrou lucro líquido de R$ 1,113 milhão no segundo trimestre de 2020, o que representou uma queda de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 4,103 milhões, recuo de 3,8%. A retração, segundo a companhia, reflete a menor atividade comercial do período em função da pandemia do Covid-19, parcialmente compensada pela eficiência no controle de custos.

A redução do lucro da Telefonica foi motivada pelo Ebitda menor e ainda por maiores gastos com depreciação e despesa com impostos no trimestre, parcialmente compensados pelo melhor resultado financeiro.

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A margem Ebitda de 39,8% representa um aumento de 0,5 ponto percentual sobre o segundo trimestre de 2019.

Receita da Telefonica

A receita líquida da companhia somou R$ 10,317 milhões, queda de 5,1%, sendo que a telefonia móvel respondeu por R$ 6,618 milhões, redução de 5,1%, refletindo a menor receita de serviço móvel e o menor volume de venda de aparelhos.

A receita de telefonia fixa da Telefonica também caiu 5,1%, para R$ 3,700 milhões, impactada pela queda das Receitas de Voz e Outros e TV por Assinatura, parcialmente compensada pela evolução positiva da Receita de Banda Larga e Dados Corporativos e TIC.

Resultado financeiro

O resultado financeiro foi negativo em R$ 75 milhões, inferior à despesa de R$ 241 milhões do mesmo período do ano passado. A melhora, segundo a companhia, se deve à redução do endividamento líquido ao longo do ano e atualização monetária de processos judiciais no período.

Telefonica balanço

Custos

A Telefonica informou ainda que os custos operacionais, excluindo gastos com depreciação e amortização, caíram 5,9% quando comparados ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 6.214 milhões no trimestre. A redução deve-se principalmente aos menores custos com comercialização de serviços e vendas de aparelhos.

As despesas de comercialização dos serviços registraram redução de 6,0% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2019, refletindo, principalmente, a menor atividade comercial do período e a crescente digitalização e automação de atividades relacionadas ao atendimento ao cliente.

Endividamento

No encerramento do segundo trimestre de 2020, a Telefonica tinha uma dívida bruta de R$ 4,538 bilhões, excluindo o reconhecimento de passivos decorrentes de arrendamentos, exigido pelo IFRS 16, contra  R$ 4,643 milhões ao final de março.

A redução da dívida bruta deve-se à liquidação de empréstimos e financiamentos no período.

A dívida líquida somou R$ 4,153 bilhões, frente a R$ 1,337 bilhão ao final do primeiro trimestre.

Fibra ótica

Por meio de fato relevante divulgado na manhã desta quarta-feira, a Telefonia informou ainda que está avaliando a possibilidade de constituição de um veículo para construção e oferta de rede de fibra ótica neutra e independente para atacado.

O veículo poderá contar com a participação de parceiros e investidores e terá como objetivo a aceleração da expansão da rede para novas localidades, através de um modelo de menor investimento e que captura valor pela penetração de terceiros.

Recompra de ações

A Telefonica aprovou nesta terça-feira (28) também um novo programa de recompra de ações ordinárias e preferenciais que será efetuada mediante a utilização do saldo da reserva de capital constante no dia 30 de junho, no valor de R$ 1,165 bilhões.

O programa terá início após deliberação do conselho de administração e ficará em vigor até 27 de janeiro de 2022.

Serão adquiridas no máximo 583.558 ações ordinárias e de 37.736.954 ações preferenciais, a preços de mercado.

Tá e aí?

Na análise dos resultados da Telefonica, o BTG Pactual disse acreditar que os próximos passos nos processos de fusões e aquisições envolvendo os ativos móveis da concorrente Oi serão cruciais para ações da companhia. A avaliação é de que a consolidação do mercado é importante para ajudar a melhorar os retornos do setor.

O banco tem recomendação de compra para VIVT4, pois considera um papel “especialmente interessante para tempos incertos”. A empresa possui um fluxo de caixa bom e consistente e longo histórico de pagamento de dividendos consideráveis, argumenta o relatório.