Telefonica (VIVT4) e TIM (TIMS3) estão mais atraentes, diz BTG

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Facebook

As ações brasileiras de telecomunicações tiveram um desempenho ruim este ano e agora estão sendo negociadas com avaliações extremamente reduzidas em comparação com seus pares globais. Essa é a avaliação de um relatório bastante detalhado do BTG Pactual (BPAC11) sobre o setor.

Telefonica (VIVT4) e TIM (TIMS3) encontram dificuldades em um setor que, segundo o banco, está em “grande transformação”.

Há também “potencial para melhorar a rentabilidade e otimizar a alocação de capital”.

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A Telefonica recuou 22,75% até o encerramento do pregão de 14 de outubro.

No mesmo período, TIM caiu 15,31%.

Apesar disso, as avaliações das empresas de telecomunicações brasileiras são muito atraentes agora.

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Transformação do setor

“Alguns podem (com razão) apontar que o crescimento da receita é quase inexistente, tornando o setor menos atraente”, diz o relatório.

“Embora isso possa ser verdade, o EBITDA e o fluxo de caixa aumentaram consistentemente nos últimos anos, à medida que empresas mais eficientes alocam capital de maneira mais inteligente”, segue.

O BTG lembra que a margem EBITDA da TIM aumentou 1.074 pontos-base em 2014-19, enquanto a da Claro e Vivo Telefonica cresceram 762 pontos-base e 565 pontos-base.

O banco espera que a tendência persista e as margens ainda subam um pouco mais.

É uma visão otimista.

Além disso, fusões e aquisições ainda têm o potencial de transformar o setor.

Um exemplo é a reestruturação da Oi (OIBR3 OIBR4). É algo que pode “realmente sacudir o ambiente competitivo do setor”.

“Há grandes chances de suas operações móveis serem compradas por seus três pares, gerando sinergias consideráveis ​​por meio de opex mais baixo e melhor uso de capex”, aponta.

Sem contar que a rede de fibra da Oi ajudará as operadoras a otimizar a alocação de capital.

A nova estrutura do setor deve criar a oportunidade para expandir.

Há chances reais de maiores retornos sobre o capital investido.

Ou seja, o BTG recomenda as ações de telecomunicações.

Claro, TIM e Telefonica: receita de serviços

Antes da pandemia chegar, tanto a Claro quanto TIM relataram crescimento acelerado da receita de serviços.

Foi uma tendência iniciada em 2019.

O bom desempenho da Claro pode ser creditado principalmente a uma melhora surpreendente na divisão móvel da empresa, que estava crescendo a uma velocidade incrível 15,4% aa no 1T20.

Os negócios móveis da TIM e Vivo estavam crescendo muito menos – 1,2% aa e 0,1%, respectivamente.

“Embora a divisão móvel da Claro esteja indo bem, seu negócio de telefonia fixa (especialmente TV por assinatura) tem estado sob pressão, impedindo que as receitas consolidadas tenham um desempenho melhor”, ressalta o relatório.

“O declínio geral da receita de serviço da Vivo tem se acelerado desde o 3T19, sob a pressão de um fraco desempenho na linha fixa e tendências de declínio no celular”, segue.

Pandemia

O BTG lembra que, no segundo trimestre, o crescimento da receita da Claro desacelerou.

No caso da Vivo, acelerou a queda; e começou a cair, no caso da TIM.

No auge da pandemia houve uma série de impactos sobre o setor.

Primeiramente, a redução relativamente grande nas recargas de pré-pagos.

Depois, uma aceleração no declínio dos serviços de TV por assinatura e banda larga.

A Claro foi a única operadora que conseguiu registrar crescimento da receita de serviços no 2T20.

Mesmo assim, em ritmo bem mais lento do que nos trimestres anteriores.

O crescimento da receita pós-paga foi de 12% na comparação anual e o crescimento da receita de banda larga, de 10%, na mesma comparação.

Mercados

Historicamente, lembra o BTG, a TIM tende a crescer seu faturamento um pouco mais do que a Vivo e a Claro.

Ela é uma operadora móvel pura, ou seja, suas receitas de serviço não são prejudicadas pelo declínio dos outros serviços.

No entanto, por ser uma operadora de telefonia móvel pura, a TIM também é a mais dependente das receitas do segmento pré-pago.

Como a pandemia atingiu especialmente os usuários de pré-pagos, de menor renda, a TIM acabou registrando uma queda de receita de serviço de 3,4% no 2T, após crescer 1,7% no anterior.

“Olhando para o futuro, esperamos que as receitas de serviço da TIM se recuperem do declínio observado no 2T20, conforme a economia se recupera e as recargas de pré-pago voltam a níveis mais próximos da pré-pandemia”, diz o banco.

A tendência é de aceleração da demanda decrescente por TV paga e serviços de linha fixa.

A participação das conexões de banda larga de alta velocidade deve continuar aumentando.

Além disso, em breve, as operadoras estabelecidas poderão obter uma parcela maior de suas receitas de telefonia fixa com serviços baseados em fibra.

Crescimento das margens

Embora o crescimento da receita tenha sido um tanto decepcionante, as empresas de telecomunicações brasileiras vêm ganhando eficiência e aumentando as margens de maneira importante nos últimos anos.

Nos últimos 5 anos, até 2019, as margens EBITDA da TIM, Claro e Vivo Telefonica cresceram.

No segundo trimestre, os efeitos da pandemia nas operações acabaram fazendo com que as margens disparassem.

A grande melhoria durante a pandemia está diretamente ligada à redução das despesas de marketing e publicidade; menores despesas com comissões de recarga; e menores custos de aparelhos, após a queda acentuada nas vendas de aparelhos (as vendas de aparelhos são, na melhor das hipóteses, um negócio com margem zero), ressalta o BTG.

À medida que as operações voltem à normalidade, seria natural esperar que alguns dos efeitos que ajudaram as margens a saltar no 2T desaparecessem.

Sim, as empresas vão voltar a comercializar, vender aparelhos, pagar comissões e tudo o mais.

Mas algumas coisas passaram a ter “um novo normal”.

Os serviços digitais, por exemplo, que são bem mais baratos que suas versões físicas, agora fazem parte do dia a dia dos usuários.

Além disso, as recargas digitais ganharam importância e os serviços de atendimento online são agora a norma.

Banda larga

As conexões de banda larga de ultra-alta velocidade estavam crescendo fortemente, mesmo antes da quarentena.

Essa é uma impressão que as pessoas tiveram após o início da pandemia, por conta das indicações governamentais de ficar em casa.

A pandemia e a necessidade de as pessoas ficarem em casa e conectadas só tornaram o serviço ainda mais essencial.

Ou seja, o produto agora tem que suportar famílias inteiras conectadas simultaneamente para trabalhar, estudar e se divertir.

Após o início da quarentena, as operadoras relataram aumento da demanda pelo serviço, seja para novas conexões ou para atualizações de velocidade.

A conclusão do BTG é para que o investidor tenha mais atenção aos papéis da Vivo Telefonica e da TIM.

Estão “muito baratos e com fundamentos cada vez mais atraentes”.