Teich: governo vai apresentar plano para relaxamento das medidas de isolamento

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

O ministro da Saúde, Nelson Teich (sem partido), disse nesta quarta-feira (22), durante coletiva de imprensa para apresentação do balanço do novo coronavírus no Brasil, que vai apresentar em uma semana o plano para relaxamento das medidas de isolamento social.

“A gente hoje já tem uma matriz pronta. Daqui uma semana a gente entrega uma diretriz completa, depois dos ajustes”, afirmou.

Ele ressaltou que o plano é importante, já que “é impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado. O afastamento é uma medida absolutamente natural e lógica, mas não pode não estar acompanhado de um programa de saída. É isso que a gente vai trabalhar”.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sempre afirmou ser contra o isolamento social e a quarentena, alegando que o impacto na economia poderia ser pior do que o vírus em si. “O remédio não pode ser pior do que a doença”, ele disse.

Um dos motivos da troca no ministério da Saúde foi que o ministro anterior, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), dava prioridade para o combate ao vírus dentro das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), com o isolamento social como principal arma.

Diretriz customizada

Teich reconhece que não é possível “abrir” a economia de forma horizontal, sem levar em conta as diferenças de cada estado.

“O Brasil é gigante e heterogêneo, não tem como a diretriz não ser customizada para as diferentes partes do país, para os diferentes estados e regiões, você vai computar quais os números de casos novos, com os anteriores, qual a estrutura de leitos, quantos estão ocupados, como está sua parte de recursos humanos, como tem que se planejar”, disse.

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“Quando você conhece pouco alguma coisa (referindo-se à doença), realmente não consegue prever o que acontecerá. Então, tem que ser rápido o bastante para fazer um diagnóstico e tomar uma atitude. Uma das coisas que teremos dentro dessa diretriz é: se acontecer isso aqui, recua. Infelizmente quando você não domina o assunto, tem que testar. E sua capacidade é de testar e agir. Testar, diagnosticar precocemente a consequência do seu ato, e rever o que tem a fazer”, argumentou.

Teich desconsidera testes em massa

O ministro não acredita em testagem em massa. Para ele, isso não aconteceu nem na Coreia do Sul, disse, sem levar em conta que Alemanha, Estados Unidos, Itália, Espanha, Reino Unido, Rússia e Turquia, usam justamente essa tática para elaborar seus planos de ação, seja na reabertura da economia, seja no aporte aos sistemas de saúde.

“Não tem teste em massa. Se vocês imaginarem a Coreia do Sul, que é uma referência, eles fizeram 11 mil testes por milhão de pessoas. Isso não é teste da população. Isso não é teste em massa. O que você tem que fazer quando você usa o teste é mapear a população de tal forma – isto está sendo feito, já, está acontecendo – para que a tua amostra reflita a população”, disse o ministro.

Hoje, o Brasil testa 1.373 a cada milhão de habitantes, 10% do que a Coreia do Sul testa.

Os dois países que mais testam são a Itália, com 25.028 por um milhão de habitantes (e 1,513 milhão no total), e a Alemanha (com 24.738 por um milhão de habitantes (e 2,075 milhões no total).

Os Estados Unidos testaram até aqui 13.045 a cada milhão de habitantes (num total de 4,317 milhões de testes) e consideram insuficientes. Os estados de lá querem mais testes do governo Donald Trump para poder orientar a reabertura de suas economias.

“O que eu tô te mostrando é o seguinte: mais do que qualquer coisa, a sabedoria de ter o dado e interpretar o dado, e tomar ações a partir disso, vai fazer toda a diferença”, argumentou.

Teich tateia

E concluiu tentando tranquilizar sobre questionamentos de que a abertura da economia seria feito de forma açodada, sem se preocupar com vidas.

“A gente tem que lembrar que temos testes para diagnóstico e para ver para quem está imune ou não. Esses testes têm suas limitações. O que é importante agora é que a gente desenhe a forma ideal de distribuir os testes. Mas dentro do modelo que coloquei para vocês, obviamente o monitoramento contínuo, você vai ter indicadores que te dizem o seguinte: volta”, disse.

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