Taxas sobre aço e alumínio: os motivos e as consequências da medida de Donald Trump para o Brasil

Fernando Augusto Lopes
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Crédito: (Kevin Lamarque/Reuters)

O Brasil tomou um susto logo no início da segunda-feira (2). O presidente americano Donald Trump avisou em sua conta no Twitter que Argentina e Brasil teriam suas exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos taxadas.

Segundo ele, os dois países “têm promovido uma forte desvalorização de suas moedas, o que não é bom para os nossos agricultores. Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todo aço e alumínio enviado para os EUA a partir desses países”. A vigência da medida seria imediata.

Em março de 2018, o governo norte-americano anunciou novas tarifas de importação no valor de 25% sobre o aço e de 10% sobre alumínio com base em “segurança nacional”. Parceiros como Canadá, México e União Europeia foram os mais atingidos. Já em maio daquele ano, após negociações, Trump se comprometeu em não incluir a Argentina e o Brasil na lista dos países com sobretaxas. Agora, voltou atrás.

Tensão no setor

As empresas do setor demonstram tensão, de acordo com Camila Tapias, advogada da Utumi Advogados, escritório tributário da área, em matéria para a revista Exame: “A partir do momento que essa tarifa é repassada para o comprador, o produtor nacional perde competitividade. E o americano vai atrás de outros fornecedores mais baratos”.

Ainda de acordo com a reportagem, esse movimento, lembra Tapias, pode ser o suficiente para que o Brasil deixe de ser um dos principais exportadores de aço e alumínio para os EUA: “Sem dúvida isso pode acontecer”, diz.

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Uma das consequências imediatas de tal medida foi que as ações da Gerdau e das siderúrgicas abriram em queda, depois subiram e seguiram esse volatilidade.

Alumínio e aço

Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), as exportações de produtos de alumínio brasileiro aos Estados Unidos já pagam sobretaxa. E isso vem ocorrendo desde o início de junho de 2018. De janeiro a outubro, 43% do que o setor de alumínio produziu para exportações foi destinado aos Estados Unidos.

Em nota, a associação diz que “esse acerto foi ratificado no ano passado com governo Trump, quando o presidente do EUA abriu a possibilidade de substituir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação. Na época, optamos pela sobretaxa e seguimos assim desde então”.

Sendo assim, no caso do alumínio, o impacto não deve ser sentido de forma significativa nas exportações brasileiras, já que o setor não tem um peso grande na balança comercial. A exportação de produtos semimanufaturados de aços e ferro para os EUA representa 1,2% da exportação total do Brasil. Das exportações do país para os EUA, essa porcentagem é de 9,3%, considerando o acumulado de janeiro a outubro deste ano.

Ameaça

O problema maior é o que a medida pode ser um mau sinal para o Brasil. Segundo Tapias, “se mais setores entrarem nessa represália que, segundo ele (Trump), é sobre câmbio, o cenário fica mais preocupante. Querendo ou não, uma eventual queda das exportações podem implicar numa redução de crescimento econômico e redução de geração de empregos”.

Real enfraquecido

A justificativa usada por Trump, explícita em seu tuíte-estopim dessa crise, de que o real e o peso estão artificialmente baixos, já foi utilizada também contra a China. Entretanto, economistas dizem que não faz sentido econômico.

O real está e deverá continuar estruturalmente fraco nos próximos anos, segundo nota assinada por Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra S/A: “Além da questão estrutural (relacionada ao equilíbrio macroeconômico: juro real baixo, PIB potencial extremamente baixo etc.), temos uma série de motivos conjunturais que explicam a fraqueza do real nos últimos meses: fluxo cambial bastante negativo (mesmo após considerar a substituição de dívida externa por dívida local), maior déficit em conta corrente (de 3% do PIB), piora nos termos de troca, ruídos provocados pelo próprio governo, além, é claro, dos fatores externos (dentre os quais podemos citar a continuidade das incertezas globais relacionadas ao trade war entre EUA e China e em relação à eleição presidencial norte-americana)”.

O que se acredita é que Trump ressuscitou sua linha de retórica utilizada na campanha eleitoral, de que outros países tentam atrapalhar a economia norte-americana, e o presidente está ali para defender os interesses comerciais dos seus cidadãos. Trump enfrenta, enquanto isso, um processo de impeachment.

Ainda à revista Exame, Vinicius Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV, diz que “parece claro que essa fala de Trump se enquadra numa jogada para agradar seu eleitorado, os fazendeiros, num contexto em que o presidente perde força em sua batalha contra o impeachment”.

Vieira afirma ainda que, historicamente, a questão do câmbio sempre explicou o aumento das exportações desse setor para os Estados Unidos: “no governo Bush (2001 a 2009), há 16 anos, houve momentos similares. Nosso câmbio estava relativamente elevado e nossos produtos entraram com força no mercado norte-americano. Nesse momento, o governo Bush impôs tarifas mais elevadas na entrada de aço brasileiro”.

Resposta brasileira

Sobre a possibilidade de o governo Bolsonaro utilizar um alegado “canal aberto” com Trump e reverter essa sobretaxa, Vieira está pouco otimista: “Se olharmos o histórico, o Brasil não é capaz de reverter essa decisão na conversa. Primeiro, que Brasil e EUA continuam sem uma relação próxima. Segundo: os EUA têm mostrado que não apoiam o Brasil em momentos como a entrada do país na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e em relação à volta da importação da carne. Não vejo como pode ser diferente agora”.

Em nota conjunta, os ministérios das Ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e da Economia disseram que o governo brasileiro tomou conhecimento sobre a declaração de Trump e está em contato com interlocutores em Washington sobre o tema. O governo argentino também está tratando diretamente com a Casa Branca sobre a taxação.

“O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países”, diz a nota conjunta.

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