Taxas do Tesouro Direto: entenda todas elas neste Guia completo

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Conheça todas as taxas do Tesouro Direto e como se livrar delas.

O Tesouro Direto é um tipo de investimento da modalidade renda fixa que tem se popularizado bastante no Brasil.

Antigamente, os investimentos em títulos públicos estavam acessíveis apenas a grandes investidores, como bancos, fundos etc.

No entanto, a parceria entre o Tesouro Nacional e a BM&FBovespa em 2002 veio para democratizar a venda de títulos públicos, que agora é feita a pessoas físicas por meio da internet.

Hoje, pessoas de todo o Brasil podem adquirir títulos públicos na plataforma do Tesouro Direto ou por meio de corretoras, de uma forma prática e acessível.

O Tesouro Direto permite aportes a partir de R$ 30,00, ou seja, você não precisa ter muito dinheiro para começar nessa modalidade de investimento.

Com a queda do rendimento da poupança nos últimos anos, milhares de pessoas têm migrado para o Tesouro Direto para obter uma maior rentabilidade.

Contudo, há detalhes importantes que devem ser considerados antes de investir, tais como as taxas do Tesouro Direto.

Para facilitar a sua vida, elaboramos este guia completo com tudo o que você precisa saber sobre taxas e tributação nessa modalidade de investimento.

Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas.

Quais são as taxas do Tesouro Direto

Quem investe no Tesouro Direto precisa considerar que, assim como nas demais aplicações disponíveis no mercado, nele podem incidir taxas e tributos.

As principais taxas quando falamos do Tesouro Direto são:

  • Taxa de custódia da BM&FBovespa; e
  • Taxa de administração (cobrada pela instituição financeira).

Da taxa de custódia poucos podem fugir, pois é cobrada para cobrir os custos da guarda e movimentação dos títulos do Tesouro Direto.

Já a taxa de administração é de livre pactuação entre a instituição financeira e seus clientes, portanto, há casos em que ela pode ser zero.

No que tange aos impostos, o Tesouro Direto sofre a incidência direta de dois tributos: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o IR (Imposto de Renda).

O IOF é cobrado apenas nos primeiros 30 dias de aplicação, já o IR é cobrado com base em uma alíquota regressiva, o que é bom para o investidor que pensa no médio/longo prazo.

Abaixo, detalharemos cada uma dessas taxas e tributos para deixar o assunto ainda mais claro para você.

Taxa de custódia BM&FBovespa

Quando você adquire títulos públicos do Tesouro Direto, a BM&FBovespa lhe cobra uma taxa de custódia, que serve para cobrir os custos de guarda e movimentação dos títulos.

Hoje, essa taxa é de 0,25% sobre o valor dos títulos e é cobrada anualmente.

O valor dessa taxa fica provisionado diariamente a partir do momento em que você compra um título.

Por esse motivo, o valor pago a título de taxa é proporcional ao período em que você mantém esse título consigo.

No primeiro ano de aplicação, essa taxa de custódia será cobrada de forma antecipada e proporcional à data de vencimento do título se essa for inferior a um ano.

Nos demais anos, a cobrança passará a ocorrer duas vezes por ano, sempre em primeiro de janeiro e em primeiro de julho.

Contudo, existem alguns eventos que podem fazer com que essa taxa seja cobrada fora dessas datas, são eles:

  • O pagamento de juros (no caso dos títulos que possuem como característica o pagamento de juros semestrais);
  • A venda antecipada dos títulos; e
  • A ocorrência do vencimento do título.

Outro detalhe importante é que o valor mínimo para que ocorra a incidência das taxas semestralmente é de R$ 10,00.

Ou seja, caso chegue o dia primeiro de janeiro ou primeiro de julho e o valor da taxa de custódia acumulada ainda não tenha atingido R$ 10,00, ela não será descontada.

Nesse caso, a taxa somente será cobrada quando ocorrer um dos três eventos citados anteriormente.

O valor da taxa de custódia é debitado da conta que você mantém na instituição financeira escolhida para investir no Tesouro Direto.

Vale lembrar que os investidores que possuem mais de R$ 5 milhões investidos no Tesouro Direto ficam isentos da taxa de custódia.

Além disso, também cabe destacar que, caso o investidor resgate ou venda seu título no primeiro ano, o valor da taxa pago antecipadamente não é devolvido.

Taxa de Administração da corretora

Entre as taxas do Tesouro Direto, a taxa de administração é uma daquelas que você pode escapar.

De acordo com o próprio site do Tesouro Direto, a taxa de administração é de livre pactuação entre a instituição financeira e o investidor.

Assim, como a cobrança de taxa de administração não é obrigatória, algumas corretoras isentam seus clientes desse valor.

A forma de cobrança é semelhante à da taxa de custódia, ou seja, é anual.

No primeiro ano, o investidor faz o pagamento antecipado dessa taxa. Já nos anos seguintes, o pagamento é ocorre no início de cada semestre do ano.

O próprio site do Tesouro Direto traz um ranking com o valor da taxa de administração cobrada em cada instituição financeira. Vale a pena conferi-lo.

Quais impostos incidem sobre o Tesouro Direto?

Saiba quais são as taxas cobradas no Tesouro Direto

Assim como na maioria dos investimentos, o Tesouro Direto sofre a incidência de alguns impostos.

O principal deles é o imposto de Renda, mas também há a incidência do IOF para as operações de curtíssimo prazo (até 30 dias).

A seguir, você conhecerá em detalhes quais são as alíquotas desses tributos e como funciona essa tributação.

Imposto de Renda

O imposto de Renda incide sobre os rendimentos que você obtém ao investir no Tesouro Direto, assim como acontece em diversos outros investimentos.

A vantagem é que, nesse caso, a tabela utilizada pela Receita Federal é regressiva. Ou seja, quanto maior for o tempo da aplicação, menor será o valor a ser pago.

As alíquotas que incidem sobre o Tesouro Direto estão dispostas na tabela abaixo:

Prazo do investimentoAlíquota
Até 180 dias22,5%
Entre 180 e 360 dias20%
Entre 361 e 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Ao adotar a tabela regressiva, o objetivo do Tesouro Nacional é incentivar os investimentos de longo prazo.

Assim, quem mantém os seus títulos por mais tempo, acaba pagando menos tributos e, consequentemente, aumenta a sua rentabilidade.

O momento de incidência do IR será na venda do título, no seu vencimento ou quando ocorrer o pagamento dos juros semestrais.

Quando alguém resgata um título ou o vende antes de decorridos pelo menos 30 dias da compra, também haverá a incidência do IOF sobre essa operação.

No entanto, o valor considerado para a tributação no IR será calculada sobre o valor já com o desconto do IOF.

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

Além das taxas do Tesouro Direto que citamos acima, o investidor que não mantém o seu título por pelo menos 30 dias ficará sujeito à incidência do IOF.

Lembra que falamos sobre o objetivo do Tesouro Nacional, que é de incentivar investimentos de longo prazo?

Essa tributação segue a mesma lógica, que é desestimular a venda ou resgate dos títulos no curtíssimo prazo.

Para isso, quem vende ou resgata o seu título antes de completados 30 dias ficará sujeito a pagar IOF sobre os rendimentos obtidos, também com base em uma alíquota regressiva.

Conforme os dias passam, o valor a ser pago a título de IOF diminui, saindo de 96% no primeiro dia para 0% no trigésimo dia.

Por isso, quem deseja investir no Tesouro Direto deve se programar para não fazer o resgate ou a venda do título nesse período, pois, assim, ficará isento do IOF.

Outros custos que você deve considerar

Além das taxas e tributos citados até agora, sabia que existem outros custos que você deve considerar ao investir no Tesouro Direto?

Uma delas é a cobrança de taxas de transferências bancárias, como TED ou DOC, para que você possa transferir dinheiro do seu banco para a corretora de investimentos.

A depender do banco ou de seu pacote de serviços, essa taxa pode acabar “matando” a rentabilidade que você poderia ter ao investir no Tesouro Direto.

Pense, por exemplo, que você deseja fazer um aporte mensal de R$ 100,00 no Tesouro Selic, mas, para isso, precisa fazer uma TED mensal a um custo de R$ 10,00.

Só nesse momento, cerca de 10% do que você pretendia investir já é perdido. Agora, imagine isso se repetindo durante anos?

Assim, o melhor é buscar alternativas para se livrar da cobrança de taxas de transferência.

Você pode, por exemplo, negociar junto a seu banco a isenção dessas taxas ou simplesmente migrar para um banco digital que não cobre a realização de TED.

Hoje em dia, muitos bancos digitais são isentos de taxas de transferências e isso é uma grande vantagem para quem investe, seja no Tesouro Direto ou em outros investimentos.

Como fugir das taxas do Tesouro Direto?

Agora que você já conhece as taxas do Tesouro Direto, chega a hora de saber o que você pode fazer para se livrar delas.

Como você viu até aqui, de todas as taxas e tributos aplicáveis a esse tipo de investimento, o único do qual você não pode escapar é o Imposto de Renda.

No entanto, há alternativas para diminuir a alíquota de IR que incidirá sobre o seu rendimento.

Mas vamos começar falando sobre a taxa de administração, que é mais simples de eliminar.

A taxa de administração é definida pela instituição financeira que fará a intermediação entre o investidor e o Tesouro Direto e é de livre pactuação.

Na prática, isso significa que as instituições financeiras podem cobrar qualquer valor a título de taxa de administração, desde que seus clientes concordem com isso.

No entanto, com o objetivo de atrair mais investidores, a maioria das corretoras que estão no mercado isentam seus clientes da taxa de administração.

Por isso, o ideal é que você busque sempre por uma corretora que adote uma política de taxa zero quando o assunto é investir no Tesouro Direto.

A taxa de custódia da BM&FBovespa também pode ser zero, mas, para isso, você deve ter investido pelo menos R$ 5 milhões no Tesouro Direto, um valor que é bastante significativo.

Mas não se preocupe se você ainda não tem esse valor para aplicar no Tesouro Direto.

O fato de você se interessar por investimentos mostra que está no caminho certo. Por isso, alcançar os primeiros milhões em conta será a consequência de todo o seu esforço na busca pela independência financeira.

Por fim, para que você fique livre do IOF, basta que não faça o resgate ou a venda do título antes de 30 dias após a compra.

Até o 29º dia, haverá a incidência do IOF sobre o seu rendimento, contudo, do 30º dia em diante, a alíquota cai para 0%.

Seguindo essas dicas e reduzindo o seu custo ao investir no Tesouro Direto, a consequência será um aumento significativo em sua rentabilidade.

Comece a investir no Tesouro Direto

Ao longo deste artigo você viu que as taxas do Tesouro Direto são importantes para a manutenção dessa modalidade de investimentos.

Contudo, também descobriu como se livrar ou diminuir o valor pago em cada uma delas.

Se você tem interesse em investir no Tesouro Direto, saiba que é mais simples do que você imagina.

Além disso, como a garantia do pagamento dos rendimentos do Tesouro Direto é dada pelo próprio Tesouro Nacional, essa modalidade de investimento é considerada uma das mais seguras do Brasil.

Você pode começar a investir no Tesouro Direto a partir de R$ 30,00, ou seja, não é preciso ter muito dinheiro para aproveitar todos os benefícios que esse investimento pode oferecer.

Se você está começando, a nossa recomendação é que você procure uma corretora de investimentos, pois elas costumam oferecer mais vantagens aos seus clientes que os grandes bancos.

Além disso, você pode contar com o serviço gratuito de assessoria de investimentos, oferecido pela EQI Investimentos.

Entre em contato conosco por meio do formulário que está ao final desta página e solicite o contato de um assessor.

Esperamos que esse conteúdo tenha te ajudado a compreender melhor as taxas do Tesouro Direto e que você faça sempre os melhores investimentos.