Taxa de juros: entenda os retornos variáveis da renda fixa

Luis Moran
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Steve Buissinne por Pixabay

Apesar do “fixa” no nome, o valor dos títulos – e o retorno – da renda fixa varia de acordo com as taxa de juros

É comum ouvir investidores dizerem que não querem investir em ações, pois não aguentariam o sobe e desce. Isso é muito compreensível, pois o preço das ações se altera a cada instante. E qualquer um pode acompanhar essas variações de preço em tempo real, em qualquer sistema de homebroker. Ocorre que os títulos de renda fixa com juros pré-fixados ou atrelados à inflação também variam de valor, acompanhando as variações da taxa de juros.

Mas a renda fixa não tem valor fixo

É claro que na renda fixa as oscilações não ocorrem tão rapidamente quanto as que vemos no mercado de ações. Mas isso não quer dizer que elas não possam ser tão intensas quanto. Por exemplo, no começo de 2019 até o final de agosto, o Ibovespa subiu 15,07%. Ao mesmo tempo, quem, no início de 2019, comprou uma NTN-B, título emitido pelo governo brasileiro que paga inflação (IPCA) mais uma taxa de juros real, com vencimento em 2050, poderia vender este título no final de agosto com 23,55% de ganho!

Um exemplo prático

Isso é pouco intuitivo e, diversas pessoas têm dificuldade de entender como isso pode ocorrer. Mas na verdade, é só efeito da queda da taxa de juros no mercado brasileiro. Para explicar isso, vamos usar um exemplo simples.

Digamos que você vai comprar por R$ 100,00 um título de dívida que promete pagar juros de 12% a.a.. Esses juros são acumulados e pagos junto com a devolução do principal ao final de 10 anos. Para calcular esse valor basta multiplicar o valor original pela taxa de juros composta pelo período de  10 anos:

Ao final dos 10 anos,  o título de dívida será resgatado por R$ 310,60. Este valor é fixo, assim como os juros de 12% que estão no contrato do título.

Marcação “na curva”

Se você pedir, ao final de cada ano o devedor pode te mandar um extrato da posição da dívida. Um gráfico do valor do seu investimento (o valor do título de dívida) ao longo do tempo será assim:

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Luis Fernando Morando/ EuQueroInvestir

O valor do seu investimento segue essa “curva” de valor ao longo do tempo. No jargão do mercado financeiro, seu investimento está sendo “marcado na curva” quando o valor é calculado exatamente de acordo com as condições contratuais.

Tornando o exemplo “mais realista”

Vamos agora introduzir uma pequena novidade para tornar o exemplo mais interessante. Digamos que ao final do 5º ano, quando o valor do seu investimento “marcado na curva” é de R$ 176,23, a taxa de juros no mercado caia de 12% ao ano para 6% ao ano. Essa queda não afeta o seu contrato, naturalmente. O devedor é uma pessoa honesta e com totais condições de honrar o compromisso de pagar R$ 310,60 ao final dos 10 anos originais.

Note que as pessoas com dinheiro para investir neste momento não tem tanta sorte quanto você. Como a taxa de juros de mercado agora é de 6%, se comprarem um título de R$ 176,23 no final do ano 5, receberão apenas R$ 235,84 ao final do ano 10, 24,1% a menos do que você. O cálculo é muito parecido com o que já fizemos antes:

Se fizermos um gráfico desse investimento, ele seria assim (em verde):

Renda fixa

Luis Fernando Morando/ EuQueroInvestir

Alternativas equivalentes

Um outra maneira de pensar nesta mesma situação é imaginar quanto alguém pagaria agora, ao final do ano 5, pelo seu título que vai devolver R$ 310,60 no final do ano 10, considerando que os juros são de 6% ao ano. Ou seja, ao invés de calcular quanto R$ 176,23 vão valer em 5 anos com juros de 6% ao ano, calculamos quanto R$ 310,60 ao final de 5 anos valem hoje. A conta é parecida e feita deste jeito:

O resultado é R$ 232,09 e um gráfico dos valores deste título ao longo do tempos seria assim (em laranja):

Renda fixa

Luis Fernando Morando/ EuQueroInvestir

Veja que neste gráfico a curva é igual ao gráfico anterior. Isso quer dizer que, se os juros são de 6% ao ano, para um investidor no final do ano 5 é indiferente comprar um título com prazo de vencimento de 5 anos por R$ 232,09 ou pagar para você estes mesmos R$ 232,09 pelo seu título que está na metade do prazo de vencimento de 10 anos. E veja que a queda dos juros aumento o valor do seu título. De R$ 176,23 para R$ 235,09, ou um ganho de 31,7%.

Combinando as duas alternativas

Se colocarmos as duas curvas em um mesmo gráfico, isso fica mais fácil de ver. No gráfico abaixo, a curva azul é formada pelos valores de um título que paga R$ 310,60 no final do ano 10 em um mercado de juros de 12% ao ano. A curva laranja tem os valores de um título que paga os mesmos R$ 310,60 no final do ano 10, mas em um mercado de juros de 6% ao ano.

Renda fixa

Luis Fernando Morando/ EuQueroInvestir

Marcação “a mercado”

Calcular o valor de um título dadas as condições existentes no mercado é conhecido como “marcação a mercado”. No nosso exemplo, o valor do título subiu, pois as taxas de juros caíram. Mas é fácil ver que o exato oposto poderia ter acontecido. Ou seja, se os juros tivessem subido acima dos 12% ao ano contratados, o título “a mercado” perderia valor.

O impacto dos prazos mais longos

Outro aspecto relevante à considerar é que, o efeito das alterações das taxas de juros é maior quando o prazo que ainda resta até o vencimento do título for maior. No exemplo acima, o ganho da queda dos juros em um título que venceria em 5 anos seria de 31,7%. Contudo, se o prazo restante fosse de 15 anos, o ganho de uma queda de juros de 12% para 6% seria de 128,4% (de R$ 176,23 para R$ 402,51).

Os efeitos nos seus investimentos

É fácil perceber que o valor de um título pode ser muito diferente “na curva” e “a mercado” . Isso significa que, dependendo do comportamento do mercado, pode ser interessante vender um título antes do vencimento e realizar o lucro. Isto é verdade, principalmente, se houverem outras alternativas de investimento atraentes disponíveis no mercado. Seu assessor de investimentos é a pessoas que está sempre a par das condições do mercado e indicar o momento em que a venda é interessante e quais as melhores alternativas para trocas.

 

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