Taurus (TASA3 TASA4) já é a marca mais importada nos EUA

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: Divulgação

O Brasil se tornou o maior exportador de armas de fogo para os Estados Unidos, superando a Áustria, Turquia, Itália e Alemanha, segundo relatório do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF), divulgado no último dia 17 de novembro, com dados referentes a 2019. 

Nesse cenário, quem se destaca é a Taurus (TASA4), principal empresa brasileira e uma das maiores fabricantes de armas do mundo, com cerca de 80% de suas exportações efetuadas para este mercado e a marca mais importada pelos consumidores norte-americanos.

O ATF compila os dados enviados sobre produção, venda, exportação e importação de armas de fogo nos Estados Unidos e os divulga no ano seguinte. 

Análise

É possível notar que o Brasil vem ganhando nos últimos anos cada vez mais espaço no maior e mais competitivo mercado de armas. 

No relatório de 2019, com informações relativas a 2018, o Brasil era apontado como o segundo maior exportador de armas para os EUA.

Para o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, o crescimento da presença no mercado norte-americano é resultado da reformulação feita na empresa e da confiança dos consumidores americanos. 

Taurus na Geórgia

Em dezembro de 2019 a Taurus inaugurou uma nova fábrica e centro de operações em Bainbridge, no estado da Geórgia (EUA), transferindo a sua subsidiária americana localizada anteriormente em Miami, na Flórida. 

A mudança possibilitou a Taurus dobrar a capacidade produtiva nos EUA, de 400 mil para até 800 mil armas por ano, ampliando sua presença onde está o maior mercado consumidor do mundo, com demanda maior do que a oferta local, além de dar maior flexibilidade para conquistar novos mercados e atender um aumento da demanda no mercado brasileiro.

A empresa adotou também novos processos administrativos e operacionais na fábrica norte-americana, à exemplo das mudanças promovidas desde 2015 pela nova gestão da Taurus na operação brasileira. 

Outra importante ação que marca essa nova etapa da companhia, é a renovação do portfólio com lançamentos de produtos de qualidade, confiáveis e inovadores, que atendam as demandas dos consumidores.

Linhas de produção

Além disso, esse ano, a Taurus transferiu para os EUA duas linhas de produção de pistolas (dos modelos G2C – a mais vendida no mundo e preferida dos americanos -; e TS9) a fim de aproveitar a alta demanda. 

Se não fosse a transferência das linhas de produção, os números de importação seriam ainda maiores. 

No entanto, segundo Nuhs, em virtude da burocracia e da alta carga tributária no Brasil, hoje é mais vantajoso produzir nos Estados Unidos.

Mercado crescente

Se persistirem as tendências verificadas em 2019, reforçadas pelos diversos lançamentos da empresa como as pistolas G3 e G3c, além dos revólveres de grosso calibre, é possível esperar que a Taurus chegue ao primeiro lugar também na linha de handguns (pistolas e revólveres) no próximo ano ou no seguinte. 

As exportações da Taurus neste segmento seguem em ritmo crescente e o mercado é promissor.

Além de tradicionalmente ser o maior mercado mundial para armas, os Estados Unidos vivem em 2020 o maior boom de vendas de armas de sua história, motivado pela insegurança causada por três fatores: pandemia de Covid-19, eleições presidenciais e manifestações.

Estes cenários são benéficos à Taurus, seja porque alguns de seus produtos aliam alta qualidade a um custo imbatível (sendo considerados como “arma de entrada”) ou porque são preferência de boa parcela dos consumidores locais. 

Portanto, tudo leva a crer que a empresa brasileira continuará apresentando um crescimento exponencial em suas vendas nos EUA.

Joint venture

A Taurus anunciou no início de outubro que foi assinado acordo para a criação de uma joint venture com a metalúrgica Joalmi.

O objetivo da  parceria é fabricar acessórios para armas.

“A joint venture permitirá a fabricação e comercialização de carregadores e outros componentes estampados de armas leves para o mercado nacional e internacional”, divulgou a empresa em comunicado.

Prejuízo revertido

No início deste mês a empresa brasileira de armas também apresentou os registros de lucro líquido. Foram R$ 102,2 milhões no terceiro trimestre de 2020, revertendo prejuízo líquido de R$ 26,4 milhões no mesmo período do ano passado.

Conforme a Taurus, o resultado foi puxado pelo aumento da demanda que vem ocorrendo nos mercados norte-americano e brasileiro, e a redução das despesas financeiras líquidas

A produção foi recorde no terceiro trimestre deste ano, totalizando 488 mil armas.

Leia mais

Taurus (TASA4) cria joint venture com a metalúrgica Joalmi
Taurus (TASA4) reverte prejuízo em lucro de R$ 102,2 mi no 3TRI