Tarifas dos EUA sobre produtos médicos chineses ameaçam luta contra o coronavírus

Jéssica De Paula Alves
Jornalista e produtora de conteúdo

Crédito: REUTERS/Jason Lee/File Photo

As tarifas dos EUA sobre equipamentos médicos importados, principalmente sobre os chineses, podem tornar a luta contra o surto de coronavírus ainda mais difícil no país, informa a CNBC.

A principal demanda se dá em torno de suprimentos médicos essenciais, equipamentos de proteção pessoal (EPI), tomografia computadorizada e acessórios médicos descartáveis.

“Comparada a outros países com uma abordagem mais flexível em relação à importação de EPIs, a imposição de tarifas prejudicou ainda mais a preparação e a resposta dos EUA ao surto”, disse Yanzhong Huang, membro sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores, à CNBC.

Esgotamento

Diversos estados americanos relataram que o número de leitos de unidades de terapia intensiva está se esgotando. O prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, alertou que os respiradores podem acabar logo e que os recursos hospitalares da cidade estão “se esgotando”.

De acordo com levantamento da CNBC, inúmeros profissionais da saúde já lidam com a escassez de equipamentos de proteção e que a situação tem piorado dia após dia.

Produção chinesa

Com o avanço da pandemia, a China começou a acelerar a produção de equipamentos médicos críticos. Segundo informações colhidas pela CNBC, acumulou um grande excedente de equipamentos de proteção individual, dos quais os centros de saúde americanos agora têm uma “necessidade premente”, disse Susan Shirk, ex-vice-secretária de Estado adjunto do governo Clinton.

“Qualquer obstáculo à importação rápida desse equipamento pode elevar o número de vítimas da Covid-19”, acrescentou Shirk, atualmente professora de pesquisa na Universidade da Califórnia (San Diego) e também presidente do Centro Chinês da China no século XXI.

É neste contexto que as tarifas do governo dos EUA sobre produtos médicos chineses podem contribuir para o agravamento da situação do país diante do coronavírus.

Os Estados Unidos seguem como o país com o maior número de casos e mortes relatados. Até este momento, são mais de 22 mil mortes e mais de 555 mil casos confirmados, de acordo com os dados mais recentes da Universidade Johns Hopkins.

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Guerra Comercial

Relatório do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE) alertou que a guerra comercial do presidente Donald Trump com a China poderia “prejudicar” a luta dos EUA contra a pandemia.

Em 13 de março, quando o relatório foi publicado, foi constatado que US $ 3,3 bilhões em importações de produtos essenciais para a saúde ainda enfrentavam tarifas de 7,5%. Todavia, US $ 1,1 bilhões em importações que poderiam potencialmente tratar o Covid-19 permaneciam sujeitos a tarifas de 25%.

O estudo atenta para o fato de que as políticas comerciais de Trump obrigaram Pequim a vender muitos de seus produtos médicos para outros países. Alguns desses produtos incluem equipamentos de proteção para médicos e enfermeiros, e equipamentos de alta tecnologia para monitorar pacientes.

Segundo dados do PIIE, cerca de US $ 100 bilhões em insumos intermediários da China ainda enfrentam tarifas de 25%, aumentando os custos de peças e componentes para os fabricantes de produtos médicos dos EUA.

O Wall Street Journal também informou que a General Motors estava buscando alívio tarifário em algumas categorias de peças de ventiladores originárias da China para “aliviar o fardo” da produção de ventiladores, essenciais no tratamento de casos graves.