Taiwan: apesar da reeleição de governo pró-independência, China reafirma que ilha pertence a ela

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Ritchie B Tongo / EPA-EFE / Shutterstock

Tsai Ing-wen venceu no sábado (11) as eleições e se mantém no cargo de presidente de Taiwan para mais quatro anos. Seu discurso pró-independência, porém, não abalou o governo de Pequim, que não mudará sua posição de que Taiwan pertence à China.

“Quero mais uma vez exortar as autoridades de Pequim a lembrá-las de que paz, paridade, democracia e diálogo são as chaves da interação e do desenvolvimento estável a longo prazo. Essas quatro palavras também são o único caminho para reunir e beneficiar nossos dois povos”, disse Tsai, resumindo que Taiwan e China podem estar ligados, mas são países diferentes.

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A campanha eleitoral foi dominada pelos esforços da China em levar a ilha a aceitar o governo de Pequim, sob o modelo de “um país, dois sistemas”.

“Independentemente das mudanças na situação interna de Taiwan, o fato básico de que existe apenas uma China no mundo e Taiwan faz parte da China não mudará”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da China em comunicado.

O que o voto diz

Enquanto a China diz que Taiwan é seu território, Taiwan segue mantendo sua posição de que é um país independente chamado República da China, seu nome formal (o nome oficial da China é República Popular da China). Os oito milhões de votos recebidos por Tsai mostram que é exatamente assim que a maioria do povo de Taiwan pensa. O Partido Progressista Democrático (DPP), da presidente reeleita, conseguiu também manter a maioria no parlamento.

“O povo de Taiwan mais uma vez usa o voto em suas mãos para mostrar ao mundo o valor da democracia”, disse Tsai no domingo, ao encontrar o chefe da embaixada de fato dos Estados Unidos em Taipei, Brent Christensen.

“Democracia e liberdade são, de fato, o bem mais valioso de Taiwan e a base da relação com o EUA. Tsai promete aprofundar a cooperação com os Estados Unidos em questões que vão da defesa à economia. Esse é, aliás, o maior trunfo do governo reeleito: a abertura ao mundo.

No sábado, Tsai pediu que as negociações fossem retomadas com a China, mas disse que esperava que Pequim entendesse que Taiwan e seu povo não se submeteriam a intimidações.

No entanto, a questão não parece ter sido resolvida na base do voto. A China já declarou abertamente que não mudará sua posição sobre o princípio de “uma única China” e se opõe à independência de Taiwan, disse o Ministério das Relações Exteriores da China. É o mesmo princípio com relação a Hong Kong.

Causa justa

A China espera que o mundo apoie a “causa justa” do povo chinês para se opor às atividades de separação e “realizar a reunificação nacional”, acrescentou a nota do Ministério.

O Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan disse que a China deve respeitar o resultado das eleições e parar de pressionar a ilha: “nosso governo defenderá firmemente a soberania da República da China e a democracia e liberdade de Taiwan”.

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