T4F (SHOW3): Como um ano de pandemia travou a empresa de eventos

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução / Time For Fun

A Time for Fun (SHOW3), mais conhecida como T4F, foi uma das companhias mais afetadas pela pandemia em 2020. Com o isolamento social e as inúmeras restrições sanitárias que se alastraram mundialmente, a T4F sofreu por não conseguir operar.

Ano passado teria sido muito promissor para a empresa, com maior fluxo de artistas internacionais disponíveis para voltar à América do Sul. Além disso, a T4F esperava boas notícias para a economia brasileira, baseando-se nas informações do início do ano.

“O ano de 2020 teve início com boas perspectivas para a economia brasileira. A previsão de uma maior tração na agenda de reformas econômicas no segundo ano de governo levava a uma expectativa de crescimento do PIB da ordem de 2,3%, segundo o primeiro relatório Focus de 2020”, disse a companhia, em relatório.

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Com o total de apenas 11 eventos no ano, os números acumulados de 2020 da empresa revelaram um prejuízo de R$ 109,4 milhões. Em relação a 2019, foi uma alta de 52%.

No quarto trimestre, o prejuízo foi de R$ 56,7 milhões. Os números refletem um prejuízo 9,45 vezes superior ao quarto trimestre de 2019, com R$ 6 milhões em prejuízo. A receita líquida saiu de R$ 86,1 milhões no quarto trimestre de 2019 para apenas R$ 2,1 milhões no último trimestre de 2020, queda de 98%.

Gastos com a operação

Apesar de ficar nove meses sem operação, a Time for Fun conseguiu diminuir o SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas em inglês) em 58% em 2020. Isso veio principalmente pela demissão de 45% do quadro de funcionários, logo após o início do decreto de calamidade pública.

Além disso, a empresa utilizou a Medida Provisória 973/2020, suspendendo contratos de 17% outros funcionários. Houve também a renegociação de contratos de serviços, gerando cancelamentos e suspensões.

A T4F vendeu sua participação da empresa Vicar, organizadora da Stock Car, em setembro. Desde 2006, a T4F detinha 85% da Vicar. De acordo com a empresa, a venda decorre do planejamento estratégico atual, focado em festivais de música e eventos de família.

Essa venda colaborou para que as despesas operacionais não caíssem tanto. Com R$ 14,8 milhões negativos, o resultado da alienação da Vicar trouxe o valor positivo de R$ 15,3 milhões.

Ainda mais, houve condenações e provisões de contingências para riscos tributários, cíveis e trabalhistas no valor de R$ 7,0 milhões. E, por fim, das provisões para impairment no Metropolitan, no valor de R$ 17,3 milhões e da Argentina no valor de R$ 6,0 milhões.

Metropolitan e Unimed Hall

Conforme o relatório da T4F, o impairment do Metropolitan vem em razão da menor projeção de geração de caixa, mesmo após a devolução da venue no Rio de Janeiro. Contudo, o Metropolitan continuará operando os shows no Rio de Janeiro, porém em venues não proprietárias.

A empresa ressalta que a situação do Metropolitan não tem efeito no fluxo de caixa.

O Unimed Hall, por outro lado, é fechado após 22 anos de shows e festivais. A T4F encerrou o contrato de aluguel pela desvalorização do real e o aumento do IGP-M.

Em carta à Folha de S. Paulo, Fernando Alterio, CEO da T4F, fala sobre a situação agoniante do setor de entretenimento. “Atravessamos um luto coletivo. No setor cultural o impacto é sem precedentes. Fomos os primeiros a fechar as portas e seremos os últimos a reabri-las. Posso garantir que jamais imaginei algo assim em meus 40 anos na indústria de entretenimento”, disse.

SHOW3

O desempenho das ações da T4F na bolsa de valores não traz surpresas. Em 12 de maio de 2020, o papel chegou a custar R$ 1,25. De acordo com a empresa, o preço de fechamento do papel em 29 de dezembro de 2020 foi de R$3,97. É uma desvalorização de 36,5% na comparação com o fechamento de 2019.

T4F, SHOW3

As ações tiveram transações mais significativas por volta de novembro, quando as vacinações começaram em países do hemisfério norte. O aumento da liquidez foi também acompanhado do preço de SHOW3. A recuperação veio após ter sido muito descontada da bolsa, principalmente pelo setor de atuação.

No fechamento do Ibovespa nesta quinta-feira (01), o preço de sua ação valia R$ 3,62%. Em um ano, o seu papel praticamente dobrou de valor: em 6 de abril valia R$ 1,76.

Previsões para 2021

A Time for Fun não aponta planos concretos para o restante de 2021. Por conta do recrudescimento da pandemia, os eventos reagendados ou com datas suspensas continuam com o mesmo status.

Por outro lado, a empresa espera que uma alta demanda de artistas volte em 2022. “Estamos em constante monitoramento para reconstituir o pipeline, conforme a possibilidade de retorno das operações. Nesse sentido, a oferta de artistas internacionais, especialmente para 2022, tem se mostrado significativamente maior que o normal, com quase o dobro de artistas disponíveis com capacidade para fazer shows de estádio do que o observado nos anos anteriores à pandemia”, diz o relatório da T4F.

Com o fechamento do Unimed Hall, a reportagem da Exame especula que o maior evento musical da T4F, o Lollapalooza, seja adiado novamente. O evento, que seria em março de 2020, ficou para setembro de 2021.