Swap: tudo o que você precisa saber sobre esse derivativo

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Você assumiu um compromisso financeiro em dólar, e tem medo de que a moeda estrangeira dispare e encareça a sua dívida? Ou então fez uma aplicação pós-fixada, e está cansado de ver o seu rendimento diminuir por causa das sucessivas quedas dos juros? Para reduzir o risco de perdas financeiras, você precisa saber como funciona o swap.

Normalmente, o swap é mais utilizado em transações comerciais entre pessoas jurídicas que desejam mitigar riscos, tanto dos investimentos quando do endividamento. Por isso, ele não é muito conhecido pelo público em geral.

No entanto, o investidor comum também pode fazer uso desse instrumento , que consiste na troca de indexadores das operações. Para contratar um swap, o único desembolso necessário é o depósito de uma margem de garantia.

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Neste artigo, veremos o que é swap, para que servem essas operações e de forma elas podem ser realizadas no mercado financeiro. Confira a seguir!

Para começar, o que é swap?

O swap é um derivativo que possibilita a troca de indexadores de um contrato. Operacionalmente, ele é formado por duas partes: a ativa (ou credora) e a passiva (ou devedora). Essas duas partes trocarão de posições em uma data futura, com base nos dois indexadores.

A princípio, tudo isso pode parecer complexo. No entanto, no decorrer do artigo, detalharemos mais alguns conceitos e traremos exemplos para facilitar o entendimento. Continue acompanhando a leitura!

Para que servem essas operações?

Essa troca de indexadores serve para proteger o patrimônio e as dívidas das oscilações do mercado financeiro. Desse modo, ao contratar um swap, tanto o investidor quanto o devedor conseguem ter mais previsibilidade em relação ao seu fluxo de caixa.

Além da proteção, esse derivativo também pode ser utilizado para especulação, isto é, para se obter ganhos no curto prazo.

Para que possamos entender melhor qual a utilidade desse instrumento, é importante conhecermos o contexto no qual ele foi criado.

Origem do Swap

O swap surgiu na década de 1970, logo após o fim do acordo de Breton Woods, que havia definido as regras para a economia dos países logo após a Segunda Guerra Mundial. A seguir, um breve parêntese para compreendermos o contexto histórico dessa negociação.

O que foi o acordo de Breton Woods

Logo após a Segunda Guerra Mundial, no intuito de reestruturar a economia, foi realizado entre as nações aliadas o acordo de Bretton Woods. Nesse acordo, os Estados Unidos passaram a comandar o sistema econômico mundial. Entre outras normas, foi estabelecido que o dólar seria a moeda padrão para todas as transações do comércio internacional.

Porém, no início dos anos 70, os gastos dos EUA com a guerra do Vietnam e com a corrida armamentista contra a ex-União Soviética desestabilizaram seriamente as suas finanças. Dessa forma,  a moeda do país sofreu forte desvalorização, o que afetou também a economia das outras nações, uma vez que o dólar era a referência internacional de comércio.

Diante desse cenário, os EUA precisavam urgentemente fortalecer a sua economia. Para conseguir isso, a encontrada foi a concentração de esforços nas negociações internacionais. Nesse sentido, uma das ações tomadas foi a abertura total de seus mercados em troca de que os demais países fizessem o mesmo.

O acordo de Breton Woods também determinava que a quantidade de dinheiro em circulação deveria estar lastreada em ouro. No entanto, quando os mercados internacionais foram abertos, o padrão-ouro foi rompido. Isso ocasionou instabilidade nas moedas internacionais, o que dificultou as transações comerciais entre os países. Com a criação do swap de moedas, conseguiu-se reequilibrar o comércio internacional. Dessa forma, o fluxo financeiro dos mercados foi retomado com segurança.

Tipos de swap

Vejamos agora os tipos de swap mais comuns praticados no mercado financeiro.

Swap cambial

O swap cambial é uma das modalidades mais utilizadas no mercado financeiro. Ele é realizado por meio de contratos de derivativos, e consiste na troca da variação cambial por um indexador pré-definido. Nesse caso, o indexador pode ser uma taxa prefixada ou o CDI.

Para entender como funciona o swap cambial, é interessante utilizarmos um exemplo:

Exemplo de swap cambial

Uma empresa brasileira, que atua exclusivamente no mercado interno, comprará um equipamento importado dos Estados Unidos. A máquina será produzida sob encomenda, por isso chegará no Brasil somente três meses após o fechamento do pedido. Nesse caso, a negociação prevê que o pagamento seja realizado somente quando o importador brasileiro receber o equipamento do exterior.

Uma vez que essa empresa comercializa seus produtos somente dentro do país, ela não possui recebíveis em dólar. Isso representa um risco para o seu caixa, pois ela está exposta à variação cambial da dívida sem ter o lastro de receitas em moeda estrangeira. Em outras palavras, ela sabe quanto receberá em reais daqui a três meses. No entanto, devido à volatilidade do câmbio que poderá ocorrer no período, não tem como saber ao certo quanto estará custando a sua dívida com o fabricante americano no momento em que a máquina chegar.

Para se proteger de uma alta do dólar no momento da liquidação da dívida, a empresa pode contratar um swap cambial. Nesse caso, ela trocaria o indexador da operação. Ou seja, em vez de continuar devendo em dólar, passaria a ter a operação indexada a uma taxa prefixada ou ao CDI. Isso daria mais previsibilidade ao seu fluxo de caixa, e evitaria perdas financeiras diante de uma disparada da moeda norte-americana.

No exemplo acima, utilizamos o swap prevendo uma possível alta da moeda, o que prejudicaria quem tem dívidas em dólar. Porém esse derivativo também pode ser utilizado na situação contrária, ou seja, em um cenário de queda da moeda. Nesse caso, quem se beneficiaria do instrumento seriam as empresas exportadoras, pois o swap protegeria seus recebíveis da desvalorização da moeda estrangeira.

Swap de índices

O funcionamento do swap de índices é o mesmo do swap cambial. Porém, o que muda é que a troca é realizada entre indexadores, como IPCA, IGP-M, INPC, ou por um índice do mercado acionário, como o IBOVESPA.

Agora, faremos um novo parêntese. Dessa vez, para mostrar alguns dos índices utilizados nas operações de swap:

IPCA

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o indexador oficial da inflação no Brasil. Mensalmente, o IBGE realiza o levantamento de preços de alimentação, transportes, saúde, educação, e diversas outras despesas pessoais para calcular o índice.

Para o cálculo, o IPCA considera as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Recife, Belém e Vitória, além dos municípios de Campo Grande, Goiânia, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

IGP-M

O IGPM (Índice Geral de Preços – Mercado) mede a inflação de forma mais abrangente do que o IPCA. Ele é o indexador utilizado nos reajustes de contratos que fazem parte da vida financeira da população. Alguns exemplos desses contratos são aluguéis, educação, tarifas públicas e seguros.

INPC

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é outro importante indicador de inflação. Isso porque a sua principal função é ajudar a corrigir o poder de compra dos salários em geral.

O índice verifica a variação do custo de vida médio das famílias que recebem cinco salários mínimos por mês. Nesse sentido, a sua abrangência é menor do que a do IPCA, que engloba rendimentos até 40 salários mínimos.

IBOVESPA

Principal índice da bolsa de valores brasileira, o IBOVESPA representa uma carteira teórica de ações. A composição do índice leva em consideração a liquidez dos títulos negociados, e ele é revisto a cada quarto meses.

Swap de taxas de juros

Nesse caso, a troca acontece entre taxas prefixadas e pós-fixadas. Ou seja, uma parte assumirá a posição da taxa prefixada e, a outra, a da pós-fixada. Lembrando que essa taxa pode estar associada tanto a um investimento quanto a um financiamento.

Para entendermos melhor, vamos a outro exemplo:

Suponha que você tenha adquirido um CDB pós-fixado, que acompanhe a evolução do CDI. Com o passar do tempo, você tem percebido que o seu rendimento tem se tornado cada vez menor, pois estamos em um período de juros baixos na economia.

Dessa forma, para evitar que o seu ganho continue reduzindo, você pode contratar um swap de CDI para uma taxa para prefixada. Em outras palavras, você estará abrindo mão do CDI para atrelar o seu rendimento a uma remuneração fixa. Dessa forma, mesmo se houver reversão na tendência dos juros e eles comecem a subir, você permanecerá com a taxa contratada no swap.

É importante saber que, ao optar pela taxa prefixada, o investidor abre mão definitivamente do CDI. Isso significa que, mesmo que a tendência do mercado mude e as taxas comecem a subir, o rendimento do CDB será a nova taxa acordada.

Swap de commodities

O swap de commodities é muito utilizado por empresas exportadoras e importadoras. Nesses contratos, duas instituições trocam os fluxos relativos às variações de cotações de commodities. Ou seja, é trocado um preço flutuante (seja de mercado ou spot) por um preço fixo em um período determinado.

Nesse sentido, os contratos de swap servem para mercadorias como soja, milho, boi gordo, petróleo, ouro entre outros.

Swap tradicional e swap reverso

Veremos agora as duas formas de swap realizadas pelo Banco Central no mercado financeiro: o swap tradicional e o swap reverso. Acompanhe e entenda como funcionam cada uma dessas modalidades.

Swap tradicional

Em momentos de tendência de alta do dólar, o Banco Central realiza o swap tradicional. Nesse caso, o BC oferece a variação cambial mais um prêmio ao investidor. Por outro lado, o investidor pagará ao BC  a variação de juros ocorrida no período contratado.

Esse tipo de operação é feita quando o investidor acredita que a alta do dólar será maior do que a dos juros. Por sua vez, o Banco Central consegue reduzir a demanda por dólar quando faz o swap tradicional. Ao tentar conter a alta da moeda, o BC também atua no controle da  inflação.

Swap reverso

Por outro lado, quando o dólar sinaliza tendência de queda, o Banco Central realiza o swap reverso. Nessa situação, o objetivo é tentar evitar uma desvalorização mais forte da moeda estrangeira, o que é ruim para as empresas exportadoras.

Nesse caso, o mecanismo é o mesmo do swap tradicional. O que muda são os indexadores que cada uma das partes deve assumir na negociação.

Em outras palavras, o Banco Central paga uma taxa de juros predeterminada a quem adquire o swap reverso. Por sua vez, esses investidores assumem com a instituição o compromisso de pagar a variação cambial do período do contrato.

Tributação das operações

Sobre o rendimento das operações de swap, incidirá Imposto de Renda (IR), que segue a tabela regressiva das aplicações de renda fixa. Nesse caso, as alíquotas variam conforme o prazo da aplicação, da seguinte forma:

Prazo da aplicaçãoAlíquota IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 720 dias20%
De 721 a 360 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

É importante saber que as empresas não-financeiras podem deduzir as perdas que tiverem com operações de swap, conforme autorização da Receita Federal. No entanto, para poderem aproveitar esse benefício, essas empresas precisam comprovar que as operações foram realizadas para cobertura de risco. Caso o objetivo tenha sido especulação financeira, não será possível deduzir o prejuízo.

Outro tributo que incide sobre as operações de swap é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Esse tributo será cobrado quando ocorrer a emissão, transmissão, pagamento ou resgate do instrumento negociado.

Resumo e considerações finais sobre o assunto

Para facilitar o entendimento de todos os assuntos que abordamos neste artigo, preparamos um resumo e considerações finais sobre o swap:

Conceito de swap

O swap é uma espécie de derivativo que permite a troca de indexadores entre duas partes.

O mecanismo é mais utilizado por investidores institucionais. No entanto, ele pode servir também a pessoas físicas que desejam reduzir riscos, tanto de dívidas quanto de investimentos.

Utilização do swap

Basicamente, esse derivativo é utilizado em quatro situações:

– para diversificar ou proteger a carteira de investimentos, diminuindo o risco de mercado;

– para reduzir o risco da exposição cambial no caso de dívidas em moeda estrangeira;

– para especular no curto prazo, ganhando com a abertura ou fechamento da curva de juros;

– para trocar taxas de contratos, conforme a expectativa do movimento dos juros.

Tipos de swap

São quatro os principais tipos de swap praticados no mercado financeiro:

Swap cambial

Trata-se da troca da variação cambial por um indexador pré-definido, que pode ser uma taxa prefixada ou o CDI.

Swap de índices

Funciona da mesma forma que o swap cambial. No entanto, a troca é feita entre indexadores, como IPCA, IGP-M, INPC, ou por um índice de ações, como o IBOVESPA.

Swap de taxas

Nesse caso, há troca entre taxas prefixadas e pós-fixadas. Essa taxa pode se referir a um investimento ou a um financiamento.

Swap de commodities

Por fim, esse tipo de swap é muito utilizado por empresas exportadoras e importadoras. Nesses contratos, há troca de um preço flutuante (seja de mercado ou spot) por um preço fixo em um período determinado.

Alguns exemplos de swap de commodities são soja, milho, boi gordo, petróleo, ouro entre outros.

Swap tradicional e swap reverso

Dependendo da situação do mercado, o Banco Central realiza uma dessas formas de swap.

Quando o dólar sinaliza tendência de alta, o BC faz o swap tradicional. Nessa situação, o BC oferece a variação do dólar mais um prêmio ao investidor. Por sua vez, o investidor deverá pagar ao órgão a variação de juros do período.

Ao realizar o swap tradicional, o objetivo do Banco Central é tentar segurar a moeda estrangeira e, com isso, controlar a inflação.

Por outro lado, quando a moeda está em baixa, o banco central faz o swap reverso. Isso significa que ele paga uma taxa de juros para o investidor e esse, por sua vez, assume a variação do dólar no período do contrato.

Nessa situação, o objetivo é tentar conter uma acentuada desvalorização da moeda estrangeira, para não prejudicar as empresas exportadoras.

Tributação das operações

Os rendimentos do swap serão tributados pelo Imposto de Renda, que seguirá a tabela regressiva das aplicações de renda fixa. Além disso, sobre esses contratos também haverá incidência de IOF sobre a emissão, transmissão, pagamento ou resgate do instrumento negociado.

Para quem são indicadas as operações de swap?

Por fim, algumas operações de swap estão ligadas a ativos de alta volatilidade, como ações, câmbio e commodities, por exemplo. Por isso, esse instrumento deve ser utilizado por investidores mais experientes e de perfil mais arrojado. Logo, antes de realizar essas operações, é necessário fazer um Teste de Perfil de investidor junto à sua instituição financeira.

Além disso, esses contratos necessitam do depósito de uma margem de garantia e, também, da assinatura de um termo de swap.