Suzano (SUZB3) lucra menos 61% e anuncia sinergias com Fibria

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
1

Crédito: esbrasil.com.br

A Suzano (SUZB3) registrou lucro líquido de R$ 1,175 bilhão no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 61% em relação ao desempenho do mesmo período de 2018. No ano passado, a Suzano registrou prejuízo de R$ 2,815 bilhões, revertendo lucro de R$ 3,378 bilhões reportado em 2018.

Segundo a empresa, a variação do resultado líquido em relação ao quarto trimestre de 2018 é explicada em grande parte pelo menor resultado operacional, majoritariamente explicado pelos impactos de preço da celulose, que foram parcialmente compensados pelo maior volume vendido.

Na comparação com terceiro trimestre do ano passado, quando a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 3,460 bilhões, a variação se explica pelo resultado financeiro positivo. Neste caso, a variação é explicada pela variação cambial sobre a dívida e instrumentos de hedge, contra um resultado financeiro negativo no trimestre anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 2,465 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 31% na comparação anual, mas avançou 3% na comparação com o terceiro trimestre de 2019.

Assim, a margem Ebitda ficou em 35% no quarto trimestre do ano passado, ante 49% do mesmo intervalo de 2018 e 36% ante o terceiro trimestre de 2019.

Já a margem Ebitda ajustada ex-Klabin foi de 37%, ante 52% do quarto trimestre de 2018 e 39% do terceiro trimestre de 2019.

O resultado financeiro líquido ficou positivo em R$ 1,625 bilhão, uma queda de 3% na comparação anual. No terceiro trimestre do ano passado, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 6,493 bilhões.

Operacional

A receita líquida atingiu R$ 7,049 bilhões, uma queda de 3% na comparação anual, mas avançou 7% na comparação trimestral.

As vendas em unidades avançaram 35%, das quais as de celulose subiram 40% e de papel, outros 5%, ambas na comparação anual.

Em termos de produção, houve uma queda de 11%, sendo 12% de redução para celulose e queda de 5% para papel.

Endividamento

A dívida líquida da Suzano encerrou 2019 em R$ 54,106 bilhões, o que representa uma relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 5 vezes. No encerramento de 2018, a dívida líquida somava R$ 24,635 bilhões, com uma alavancagem de 1,5 vez.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Em 31 de dezembro de 2019, a dívida bruta era de R$ 63.685 milhões, sendo 90% dos vencimentos no longo prazo e 10% no curto prazo.

Sinergia Fibria

A Suzano deu detalhes ainda das sinergias que pretende atingir, “gradualmente”, no período de 2020 a 2021, com as operações com a Fibria, cuja conclusão da negociação ocorreu em 14 de janeiro.

Segundo o documento, as sinergias operacionais estão estimadas entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão (antes da tributação), em bases recorrentes, após 2021, com a redução de custos, despesas e investimentos de capital provenientes das áreas de suprimentos, florestal, industrial, logística, administrativa e de pessoal.

“Os valores estimados das sinergias operacionais supramencionados não compreendem os custos para a implementação das iniciativas atreladas a essas sinergias, os quais permanecem sendo estimados pela Companhia no valor total aproximado de R$ 200 milhões até 2021”, informou.

Segundo a empresa, o valor capturado das sinergias operacionais em 2019 totalizou R$ 763 milhões. Excluindo os custos de implementação da ordem de R$ 60 milhões (que foram inferiores aos custos de R$ 100 milhões anteriormente previstos) e os impactos negativos resultantes das reduções de produção efetuadas no período, o valor capturado das sinergias operacionais totalizou R$ 311 milhões no ano.

Tributárias

Adicionalmente, a companhia mantém a estimativa de atingir sinergias tributárias que geram dedutibilidade na ordem de R$ 2,0 bilhões por ano em 2020 e 2021.

“A previsão é de que tal dedutibilidade possa estender-se até o final do exercício social de 2029.

Com relação às sinergias operacionais, o período projetado atualizado compreende os exercícios sociais de 2020 e 2021, sendo que a Companhia espera atingir entre R$ 1,0 bilhão e R$ 1,1 bilhão até 31 de dezembro de 2020 e entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão até 31 de dezembro de 2021, em base recorrente após 2021.

Especificamente com relação às sinergias tributárias, o período projetado compreende os exercícios sociais de 2020 e 2021, podendo estender-se até o fim do exercício social de 2029.

Tá, e aí?

Para o Itaú BBA, os resultados da Suzano trouxeram como dado positivo a redução do estoque de aproximadamente 650 mil toneladas no quarto trimestre de 2019, acima da redução de 440 mil toneladas do terceiro trimestre.

Com isso, em seis meses, a empresa diminuiu mais de dois terços do excesso de estoque.

Além disso, a projeção de ganhos com sinergias derivadas da fusão com a Fibria foi elevada para algo entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, destacaram.

Cara ou barata?

Os analistas do Itaú BBA Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia e Edgard Pinto de Souza mantiveram a recomendação de outperform para os papéis da Suzano.

O preço-alvo para as ações da Suzano é de R$ 45, representando um potencial de alta de 12,4% em relação ao preço do dia 12 de fevereiro, de R$ 40,03.

No pregão do dia 13 de fevereiro, as ações da Suzano apareciam entre as maiores altas, valorizando-se mais de 3,6%.