Suzano (SUZB3) sobe quase 40% em um ano: o que esperar?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Divulgação / Suzano

Desde 2019, a Suzano (SUZB3) é a maior empresa de celulose do mundo. Atualmente, a companhia está entre as 20 empresas com maior valor de mercado listadas na bolsa brasileira.

Nos últimos 12 meses, suas ações registram alta acumulada de 38%, e o mercado acredita que ainda exista espaço para valorização. Entre os motivos do otimismo, estão o aumento do consumo de celulose desde o início da pandemia e a melhora do resultado da companhia no segundo trimestre.

Além disso, a alta do dólar também favorece o seu desempenho. Isso porque as exportações correspondem a 80% das vendas da companhia, feitas para mais de 80 países ao redor do mundo.

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No último mês, as ações da Suzano registraram uma queda de 9%, em meio ao anúncio de que o BNDES faria uma oferta pública de ações para se desfazer da participação de 11% na companhia. A oferta está prevista para o dia 5 de outubro.

Atualmente, a Suzano possui 11 unidades industriais, distribuídas entre os estados do Espírito Santo, Pará, Bahia, Ceará, Maranhão), São Paulo e Mato Grosso do Sul.

História da Suzano

A empresa, fundada pelo imigrante ucraniano Leon Feffer, teve origem em 1924, na cidade de São Paulo.  Porém, a produção de papel começou somente em 1939.

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Nos anos 50, a companhia passou a produzir celulose com a fibra de eucalipto. Dessa maneira, passa a ser a primeira empresa no mundo a produzir celulose totalmente com essa fibra em escala industrial.

Em relação ao mercado externo, suas exportações têm início em 1975. A Europa foi o primeiro destino de suas vendas.

Entretanto, é nos anos 2000 que o grupo começa a se consolidar como um grande conglomerado. Isso porque, a partir de 2005, tem início um processo de aquisições e investimentos em novas plantas industriais.

Aquisição da Fibria Celulose

Em janeiro de 2019 foi concluído o processo de fusão entre a Suzano e a Fibria Celulose.

Com a operação, a Suzano consolidou a união com sua principal concorrente, que era líder na produção global de celulose. Desse modo, foi criada uma gigante do setor, com produção anual de 11 milhões de toneladas da commodity.

A partir da aquisição da Fibra, a Suzano passou a deter cerca de 30% de participação no mercado mundial de celulose.

Além de serem as duas maiores empresas do setor, Suzano e  Fibria atuavam em regiões similares e também tinham portfólio semelhante. Por isso, a união de ambas proporcionou a otimização das estruturas produtivas e, também, considerável diminuição de custos.

Segundo a Suzano, a sinergia prevista antes da fusão era de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões por ano. Entretanto, após concluída a consolidação, a companhia reviu a expectativa de redução de gastos para R$ 1,1 bilhão ao ano. Nesse sentido, a expectativa da empresa é de começar a ver esse resultado já a partir do final de 2020.

Produtos

Basicamente, a Suzano atua em dois segmentos: celulose e papéis para escrita e embalagens.

A celulose corresponde a 90% da produção, sendo a de mercado a mais fabricada pela companhia. Porém, uma parte da celulose produzida é do tipo fluff, que dá origem a papéis de alta absorção. Dessa forma, a Suzano também atende a empresas nacionais do setor de higiene e limpeza.

Resultados da Suzano

No segundo trimestre de 2020, a receita líquida da companhia foi de R$ 7,9 bilhões. Isso representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2019.

Esse aumento se deve à valorização do dólar e, também ao aumento do volume vendido. Nesse sentido, foram comercializadas 3.013 mil toneladas de papel e celulose, 20% acima do mesmo período de 2019.

Dessa forma, a companhia conseguiu compensar o impacto da queda do preço da celulose no mercado mundial.

Quanto ao resultado, a Suzano registrou prejuízo de R$ 2,1 bilhões no período, contra um lucro de R$ 699 milhões no ano passado. As variações cambiais e os resultados das operações com derivativos foram os principais responsáveis pelos resultados negativos.

O índice de alavancagem da empresa (dívida líquida/EBITDA ajustado) foi de 4,7x no período.

Em relação a esse indicador, a companhia reconhece que está acima da média do segmento. Isso porque, segundo a empresa, o aumento do endividamento ainda reflete a aquisição da Fibra. Entretanto, o prazo médio da dívida é de 7 anos, o que permite a equalização dos desembolsos.

Além disso, a Suzano encerrou o semestre com R$ 12 bilhões em caixa.  Segundo informações da empresa, parte do valor será utilizado para antecipar o pagamento de dívidas.

Por fim, segundo a companhia, o aumento das vendas de celulose para o setor de higiene compensou a queda da demanda por outros produtos durante a pandemia. Da mesma forma, a Suzano foi beneficiada pelo consumo de embalagens, que também cresceu nos últimos meses.

Expectativas para as ações da Suzano

Recentemente, o Credit Suisse elevou o preço-alvo da ação da Suzano para R$ 65, e manteve a recomendação de compra dos papéis.

Segundo o banco, a recomendação se deve à sazonalidade do mercado no último trimestre, que, tradicionalmente, movimenta maior consumo de celulose. Além disso, o novo modelo de investimento da companhia projeta custos mais baixos de produção de celulose, o que também terá impacto na sua valorização.

Por fim, seus analistas também acreditam que, em 2021, a Suzano continue a se beneficiar da depreciação do real.

Entretanto, a recente oferta pública de ações da companhia pelo BNDESPar pode mexer com as ações nos próximos dias.O braço de investimentos do BNDES vai se desfazer de ações que equivalem a 11% do capital da empresa em uma oferta que pode movimentar cerca de R$ 7 bilhões. As ações serão negociadas a partir do dia 5 de outubro.

Segundo analistas da Ativa Investimentos, com o anúncio da oferta de ações, pode ser que o mercado puxe o preço do papel para baixo. Dessa forma, quando chegasse a data, as ações estariam em um patamar mais baixo para venda.