Supermercados têm redução de produtos com disparada de compras

Tatiane Lima
Jornalista, redatora sênior. Tecnóloga em Recursos Humanos e MBA em Comunicação e Marketing. Apaixonada por empreendedorismo criativo. Atuei nos três setores, com hard news, jornalismo on, off e redação publicitária.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Desde que as informações sobre o aumento de casos de coronavírus no Brasil surgiram, a disparada aos supermercados começou. A preocupação dos consumidores é estocar produtos alimentícios e de higiene, a fim de evitar sufoco durante a pandemia. Tanto que uma pesquisa encomendada pelo Estadão, realizada pela Neogrid, registrou 11,3% no índice de falta de itens nas prateleiras. O apontamento foi sobre o último sábado (14), em cerca 20 mil lojas do território nacional.

A Neogrid é uma empresa de tecnologia, que monitora os pedidos do varejo para a indústria. Além da pesquisa, que indicou a redução de algumas mercadorias básicas nos supermercados, o Estadão também percorreu lojas e reafirmou os dados. Não só constatou prateleiras mais vazias em redes como o Big, Carrefour e Extra, como também encontrou limitações de compra em certos itens. Como, por exemplo, fraldas, leite em pó, arroz, feijão e macarrão.

Segundo o vice-presidente da empresa e responsável pelo estudo, Robson Munhoz, “quando o indicador passa de 10% já é considerado muito alto”. Conforme os preliminares divulgados pela publicação, o indicador continuou subindo no domingo (15) e alcançou 11,7%.

Para Munhoz, essa subida é um reflexo do pânico pela estocagem que atingiu as pessoas. Longe de crises e pandemias, a carência de mercadorias nos supermercados, chamada de ruptura, alterna entre 7% e 8%.

No entanto, o executivo esclareceu que não há escassez de produtos no mercado. Ao contrário, a falta nos supermercados ocorre devido a uma desarmonia entre as velocidades de venda e de reposição. “Grandes varejistas fizeram a lição de casa e aumentaram as compras da indústria. O problema é que leva tempo para entregar o produto no centro de distribuição e depois fazer a entrega na loja”, explicou.

Os mais dos supermercados

Entre os 28 itens mais vendidos e os mais em falta, o antisséptico para mãos liderou a pesquisa, conforme o Estadão. Em comparação a janeiro, o aumento das vendas foi de 630,5% em março, enquanto o estoque foi reduzido em 47%. O índice de redução nas prateleiras de supermercados foi de 31% no final de semana.

Já o álcool, no mesmo período, vendeu mais 322,7%, com queda de quase 30% nos estoques e escassez também em torno de 30%. Ainda em subida, o papel higiênico agora foi vendido em dobro, comparando a fevereiro, e o índice é de 10%. Também estão na lista dos mais procurados, mas em pouca quantidade, o leite em pó com índices de 9,4%, leite longa vida (19,4%), açúcar (7,9%) e massas (9,9%).

De acordo com o Estadão, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, concorda com a questão da velocidade. Pois entende que, no momento, é um problema de logística de reposição e não de escassez na indústria. Ainda assim, informou o aumento de 34% nas vendas dos supermercados do Estado de São Paulo na terça-feira (17). A comparação é com o período equivalente em fevereiro.

No entanto, Ronaldo disse ao Estadão que a corrida antecipada pelas compras pode indicar um consumo menor nos próximos dias.