Supermercados podem enfrentar desafios em reflexo da desaceleração econômica

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pexels

Mesmo diante de um aumento das vendas nas redes de supermercado, a Associação Brasileira de Supermercado (Abras) disse ao jornal Valor que o pior pode estar por vir, devido a uma queda na atividade econômica.

A associação ainda recomendou que os supermercadistas não aceitem elevação de preços da indústria sem fundamentação “mercadológica”.

Segundo o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, a associação pode contatar o governo, caso os aumentos sem explicação continuem.

“O governo está liberando crédito para a população se manter neste momento, e sabemos que o abastecimento de alimentos básicos será prioridade. Com o isolamento, a população teve que mudar seus hábitos, priorizando a alimentação dentro do lar, e isso tem influenciado nas vendas dos supermercados nas últimas semanas”, disse Sanzovo Neto ao jornal Valor.

“Mas, assim como vários setores, não descartamos a possibilidade de sofrermos os impactos da queda do poder de compra”, afirmou o presidente da Abras.

A previsão de crescimento do setor para 2020 é de 3,9%. No entanto, a associação está avaliando a necessidade de rever a estimativa de desempenho para este ano. Isso por causa das incertezas criadas pelo coronavírus.

De acordo com reportagem do Valor, os varejistas têm dúvidas sobre uma possível diminuição da demanda. Pois há picos nas vendas, em São Paulo, o aumento foi de 48% na terceira semana do mês passado. Mas acredita que possa acontecer uma desaceleração posteriormente. Isso porque houve uma forte antecipação das compras nos últimos dias.

Apesar que o consumidor venha usando os itens adquiridos, ele pode ter criado um estoque grande, por medo de falta de produtos, e por consequência demorar mais para retornar às compras. Segundo informações da Associação Paulista de Supermercados (Apas), foram registrados dias fortes de vendas, seguidos de quedas.

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