SuperBowl 2020 pode gerar receitas de US$ 3 bilhões entre ingressos e propaganda na TV

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / NFL

O SuperBowl 2020, o de número 54 da história, acontece nesse domingo (2), entre San Francisco 49ers e Kansas City Chiefs, no Hard Rock Stadium, em Miami. Serão mais de 110 milhões de pessoas assistindo, apenas pela televisão. Outros endinheirados sortudos pagaram de US$ 5 mil a US$ 13 mil por um dos 65 mil ingressos.

Mas os números superlativos desse que pode ser considerado um dos maiores eventos esportivos do mundo, junto com as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Futebol, está mesmo no dinheiro que circula entre patrocinadores e fãs do esporte.

Só em receita de bilheterias, estima-se que chegue a US$ 2 bilhões. Poderia ser mais. Acontece que um quarto dos lugares disponíveis são distribuídos à imprensa e aos patrocinadores.

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Já as inserções comerciais vendidas pela Fox, emissora responsável pelo evento deste ano, podem gerar quase US$ 500 milhões.

Comerciais no SuperBowl

Em 2020, as slots comerciais durante a transmissão terminaram em tempo recorde. Cada um era vendido, no preço cheio, a US$ 6 milhões. Quanto mais espaços a empresa comprar, mais esse preço vai diminuindo por espaço.

Não é o caso de David MacNeils, milionário norte-americano e CEO da WeatherTech, empresa que fabrica peças para carros. Ele pagou os US$ 6 milhões por um comercial durante o Super Bowl, só para agradecer os veterinários que salvaram o seu golden retriever. Em julho de 2019, aos sete anos, seu cão foi diagnosticado com câncer no coração e a chance inicial de sobreviver ao tratamento era de apenas 1%, segundo conta. Os profissionais até sugeriram o sacrifício, mas o milionário negou a solução final e levou o cão para ser tratado no Madison School of Veterinary Medicine, que conseguiu curá-lo.

Todas as suas cotas para os intervalos do Super Bowl LIV estavam esgotadas ainda em novembro de 2019, um recorde. A Fox deve transmitir cerca de 80 comerciais de 30 segundos. É um tanto menos do que a edição 2019, transmitida pela CBS, quando os espectadores tiveram que enfrentar 91 inserções ao longo da partida, incluindo conteúdo promocional da própria rede. A responsável pelo evento em 2018, a NBC, inseriu 86 comerciais.

A decisão de diminuir a quantidade de espaço comercial durante a partida foi feita pela própria National Football League (NFL), que organiza o campeonato. A ideia é justamente reduzir as interrupções ao longo da partida, de olho na audiência mais jovem, que tende a ser mais avessa a interrupções comerciais.

Novos espaços

Não por isso, a Fox inovou em 2020, abrindo novos espaços, sem necessariamente interromper o jogo. A decisão foi tomada devido à grande demanda de anunciantes de longa data. A emissora passou a oferecer espaço extra de dois comerciais de 60 segundos para patrocinadores da NFL e do canal Fox Sports. O preço? US$ 5.6 milhões cada.

Os slots são flexíveis, aparecendo conforme surgir uma interrupção “orgânica” durante a partida, uma pausa natural do jogo – um atendimento médico, por exemplo. Só essa saída já gerou mais US$ 28 milhões de receita à emissora, que se somam ao montante de algo em torno de meio bilhão de dólares já levantados com as 80 inserções usuais.

Halftime

O espaço mais caro é o do intervalo do segundo para o terceiro quarto, ou do primeiro para o segundo tempo – o jogo é dividido em quatro quartos. É nesse momento que aparecem os grandes nomes da música para se apresentar. Em 2020, serão Jennifer Lopez e Shakira as responsáveis por entreter o público durante o intervalo.

Esse valor tem um custo, pago pela própria NFL e patrocinadores, para viabilizar o evento dentro do evento. A montagem e desmontagem do palco custa em torno de US$ 10 milhões, segundo o The Wall Street Journal, em um artigo de 2014. Vale a pena, não só para a marca NFL e seus patrocinadores, mas para os artistas também.

Em 2018, Justin Timberlake se apresentou e viu no mesmo dia suas vendas de música, em todas as plataformas, subir 534%. Em 2019, foi a vez do Maroon 5 ver suas vendas alcançarem picos de 488% durante sua apresentação; e Lady Gaga foi ainda mais longe, com suas vendas no dia do SuperBowl 2017 subindo 1000%.

120 segundos

Há ainda os famosos comerciais de 120 segundos – o quádruplo do espaço ordinário da televisão.

Apesar de comerciais menores também serem preferidos como forma de não dispersar a audiência, há anunciantes que usam espaços maiores que 60 segundos. A Hyundai,em 2020, exibirá um filme de 120 segundos. O recorde de comercial mais caro é da Chrysler, em 2011, quando pagou que US$ 12,4 milhões pelos seus 120 segundos.

Anheuser-Busch InBev, Audi, Kellogg’s, PepsiCo, P&G, Porsche, entre outros, estão na lista dos anunciantes de 2020, todos em 30 segundos.

O SuperBowl

O SuperBowl, para quem não acompanha o futebol americano, é o jogo onde se enfrentam os campeões das duas conferências pelo título nacional. San Francisco 49ers e Kansas City Chiefs se encontram esse ano.

Os 49ers tentam o sexto título, para chegar ao olimpo, junto com o New England Patriots, que venceu todos os sus seis título neste século, e o Pittsburgh Steelers, que venceu pela última vez em 2009. O time de São Francisco não vence desde 1995. Mas o seu rival, o Kansas City Chiefs, só venceu uma única vez e foi em 1970, no SuperBowl de número quatro.

Todo esse dinheiro envolvido apenas na final não contabiliza, porém, o que se movimenta no pré-jogo, nos bares, nas lojas das equipes, no merchandising, nos hotéis, transporte e turismo, nos contratos dos profissionais envolvidos no jogo e nos da imprensa.

Os cerca de US$ 3 bilhões com televisão e bilheteria são a ponta visível do iceberg. Há muito mais dinheiro e negócios acontecendo em torno do SuperBowl.