Sul e Sudeste devem ser regiões mais afetadas na crise, diz BC

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Wikimedia

As economias das regiões Centro-Oeste e Norte devem ser as menos afetadas pelos impactos da pandemia de coronavírus. Sul e Sudeste devem ser as mais prejudicadas. A afirmação é do Banco Central.

A instituição divulgou nesta quinta-feira (30) seu Boletim Regional, que é uma publicação trimestral na qual apresenta as condições da economia por regiões e por alguns estados do país.

Apesar de o boletim resumir dados colhidos até o mês de fevereiro, os analistas incluíram em suas conclusões alguns dados de março e abril, para antecipar algumas observações sobre os impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia de cada região.

No boletim, o Banco Central afirma que a economia mundial passa por momento de elevado grau de incerteza, que vem causando desaceleração significativa da atividade econômica, queda nos preços das commodities e mudanças de comportamento dos diversos agentes da economia.

Todas as regiões do país estão tendo impactos econômicos relevantes da pandemia, mas especificidades regionais tendem a diferenciar a intensidade e as caraterísticas desses efeitos em cada local”, afirma o documento.

O documento salienta ainda que os efeitos negativos sobre a renda das famílias deverá ser mitigado pelo auxílio emergencial, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. E que Sudeste pode se beneficiar de sua “diversidade produtiva e das relevantes participações das atividades financeira e de informação e comunicação” em sua retomada.

Agricultura e pecuária sentirão menos

Para o Banco Central, as produções agrícola e pecuária devem ser as menos afetadas pela pandemia. “No que se refere à agricultura, a colheita e o escoamento da safra nacional seguem com valores comercializados e exportados acima de anos anteriores, com destaque para aumento da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas”, afirma o documento.

No entanto, dificuldades no escoamento e nos custos do frete tendem a afetar de forma mais intensa a produção de produtos in natura.

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Indústria será fortemente impactada

Diferentemente do setor primário, a indústria sofre com a deterioração da confiança “de forma expressiva e generalizada”.

“A indústria está sendo severamente impactada pelos efeitos da Covid-19 em todas as regiões”, diz o documento.

Dentre as atividades menos sensibilizadas na transformação, estão as indústrias de alimentos e de produtos farmacêuticos e farmoquímicos.

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Serviços em queda

No setor terciário, as medidas para contenção do avanço da Covid-19 reduziram fortemente a demanda. Isto tanto no comércio quanto na prestação de serviços. Por exemplo, com alimentação fora do domicílio, viagens e turismo, alojamento, transportes e logística, atividades artísticas e culturais. As exceções foram vendas de supermercados e farmácias.

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Crédito

O documento informa também que o mercado de crédito deve ter papel importante neste período, sobretudo para as empresas.

“Dados preliminares sobre evolução dos estoques de empréstimos em março revelam similaridades de comportamento entre as regiões”.

Como regra, as famílias reduziram os gastos com cartão de crédito à vista. Já as empresas aumentaram seu endividamento.

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