Subida do juros em 2021 torna a poupança mais atraente?

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Pexels

A expectativa é de subida do juros em 2021. Segundo o Boletim Focus, a Selic deve alcançar o patamar de 3,5% este ano e 5% em 2022.

Já alguns analistas menos otimistas dizem que a Selic pode sim chegar a 5% ainda em 2021. Isso deve acontecer caso a vacinação se torne muito lenta e a economia demore mais para crescer.

De qualquer forma, com a subida do juros, a rentabilidade dos investimentos de renda fixa será maior. No entanto, será que isso é suficiente para tornar a poupança mais atraente? Conversamos com especialistas para descobrir.

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Por que teremos subida do juros em 2021?

O motivo pelo qual a Selic deve subir em 2021, é que temos um cenário de inflação a controlar. Afinal, quando se aumenta o juros, é possível reduzir um pouco as mazelas da inflação.

É o que explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Segundo ele, só estamos tendo uma segurada de juros até agora porque ainda temos a atividade econômica muito baixa.

Como passamos por um período de recessão forte, o desemprego ainda está muito alto e temos essa economia que não vai para frente, o consumo também ainda não acontece como deveria. E isso evita um aumento de preço.

Mas, de qualquer forma, o especialista afirma que, com o dólar subindo e uma inflação mais alta, certamente o Banco Central terá que subir a taxa de juros.

“Isso deve acontecer já na próxima reunião do Copom. O BC deve subir 0,25% e a expectativa é de que a Selic fique em 3% até o meio do ano. Há uma uma expectativa de que o juros possa subir a 5%, mas isso depende dos próximos capítulos da pandemia e de como a economia vai crescer. Por enquanto, a expectativa é de crescimento de 0,25% pontual a cada uma das reuniões”, explica.

Como isso impacta a poupança?

Avalie comigo: a poupança remunera 70% da taxa Selic em um cenário onde a taxa de juros fica inferior a 8,5% ao ano. Em contrapartida, em casos de Selic superior a 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança fica em 6% ao ano.

Logo, qualquer descida ou subida do juros impacta diretamente a poupança. Sendo que, com a Selic subindo, o impacto é positivo, e com ela caindo, negativo.

“Porém, é sempre importante acompanhar a inflação. Isso porque muitas vezes se a inflação pode superar a rentabilidade da poupança e sua rentabilidade real ficará negativa”, pontua Márcia Silva, gerente de investimentos na Sicredi Vale do Piquiri.

Acontece que a poupança não tem nenhum mecanismo de proteção contra a inflação. Ao contrário de outros investimentos, como o Tesouro IPCA, que leva em consideração o principal índice que mede a inflação.

Poupança ainda não é a melhor opção disponível no mercado

Mesmo com a poupança pagando um pouco mais por conta da subida do juros, existem produtos no mercado que pagam prêmio de 100% da Selic, o que já é superior aos 70% da Selic pagos pela poupança.

Também temos muitos investimentos que pagam a Selic mais um prêmio, por exemplo. Isso sem deixar de levar em consideração o fator segurança, tão buscado pelas pessoas que colocam seu dinheiro na poupança.

É o caso dos títulos do Tesouro Direto. Hoje, existem diversos tipos de títulos, cada um mais indicado para um objetivo de investimento diferente.

Por isso, mais uma vez: mesmo que a poupança entregue uma rentabilidade melhor com a subida do juros, ainda assim ela não se torna atrativa, tendo em vista a comparação com outros produtos disponíveis no mercado.

“A gente não vê a poupança voltando a ser um investimento atrativo em qualquer cenário. É um rendimento extremamente baixo e, por mais que seja um rendimento de investimento que tem um risco baixíssimo, hoje nós temos uma gama de investimentos que acabam oferecendo alternativas igualmente seguras, mas que pagam rendimentos bem mais atrativos”, enfatiza Vitor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Ponto de atenção: taxas de administração de fundos

Ok, você decidiu sair da poupança e investir em renda fixa. No entanto, é preciso ter cuidado quanto a um detalhe: as taxas de administração.

Principalmente no caso de fundos de renda fixa cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano, por exemplo, a sua rentabilidade pode ser inferior à da poupança.

Uma análise da Anefac mostra que, tendo em vista uma taxa Selic de 2,25% ao ano, o rendimento da poupança é de 1,58% ao ano, ou 0,13% ao mês. E esse rendimento supera a muitos fundos de renda fixa presentes no mercado.

Para efeito de comparação, eles consideraram então os seguintes cenários:

  • Aplicações com prazo de resgate até 6 meses com a alíquota do IR de
    22,50%;
  • Aplicações com prazo de resgate entre 6 meses e 1 ano com a alíquota
    do IR de 20,00%;
  • Aplicações com prazo de resgate entre 1 ano e 2 anos com a alíquota
    do IR de 17,50%;
  • Aplicações com prazo de resgate acima de 2 anos com a alíquota de IR
    de 15,00%.

Além disso, foi considerado pela simulação, o custo da taxa de administração cobrada pelos bancos. Sendo esta entre 0,50% e 3% ao ano (padrão utilizado no sistema financeiro).

Simulação

Em conclusão, nesses casos, a poupança ganha dos fundos na maioria das situações. E mais: quanto menor o prazo de resgate da aplicação, assim como quanto maior for a taxa de administração cobrada pelo banco, maior vai ser a vantagem da poupança frente aos fundos.

Confira a tabela que mostra o rendimento dos fundos de renda fixa ao mês levando em consideração diferentes taxas de administração. Todas as rentabilidades marcadas em amarelo ficam inferiores ao retorno da poupança (0,14% ao mês, atualmente).

 tabela que mostra o rendimento dos fundos de renda fixa levando em consideração diferentes taxas de administração

Fonte: Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC)

Dessa forma, a lição que fica é: faça contas. É fato que é importante entender a teoria sobre investimentos, quais se beneficiam em cada cenário e suas finalidades. No entanto, é com a matemática sobre as taxas e rendimentos que você vai saber, de fato, se está fazendo um bom negócio.