Stuhlberger vê “efeito bolha” na Bolsa brasileira

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Divulgação/ Fundo Verde

Luis Stuhlberger e Rogério Xavier dividiram painel durante encontro realizado nesta semana pelo banco Credit Suisse, em São Paulo. Os dois gestores falaram sobre a migração dos investidores pessoa física da renda fixa para a variável, crescimento lento e que o Brexit deve ser acompanhado com atenção.

O gestor do fundo Verde, Luis Stuhlberger, disse que sua gestora tem 20% de seus ativos em Bolsa, porém acredita que há um “efeito bolha” no mercado brasileiro, principalmente pela migração dos investidores pessoa física da renda fixa para a variável.

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O empresário também se declarou “órfão” da CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “Os órfãos do CDI – e eu me incluo nessa categoria, junto com a torcida do Corinthians – estão diversificando em tudo que aparece. Isso é muito bom pra economia brasileira, mas pode ser ruim para os investidores desses mercados”.

Stuhlberger destacou o aumento do consumo das famílias e disse que isso é bom para a economia. “O setor de consumo é um bom trade para estar posicionado. Continuamos comprados, mas olhando a porta de saída. Embora o ambiente esteja extremamente favorável, as cotações subiram muito, já não estão tão favoráveis como estavam meses atrás”.

O gestor também fez uma breve análise das bolsas internacionais. “Claro que teve uma expansão de múltiplos, mas dada a magnitude da diminuição dos juros não é um negócio absurdo. A bolha de ativos mais clara no mundo parece ser a taxa de juros, que está distorcida em relação a qualquer parâmetro histórico da humanidade”.

Stuhlberger também ponderou sobre dois eventos que abalaram, ainda que rapidamente, as bolsas no mundo inteiro: os conflitos diplomáticos entre os EUA e o Irã, e o coronavírus. “O ruído não durou uma semana, o mercado balançou e depois voltou ao normal”, ponderou o gestor do fundo Verde sobre o vírus chinês.

Efeito Brexit

Rogério Xavier, sócio da SPX, declarou que o Banco Central fará “grande bobagem” se insistir no corte de juros.

“Os níveis que se têm atualmente deveriam ser olhados com mais cuidado, porque os efeitos são sentidos nove meses após o movimento na economia, e na inflação, no ponto máximo, de 15 a 18 meses depois. A política monetária de agora só vai impactar 2021”, declarou o executivo da SPX.

Xavier Também afirmou que os preços dos ativos estão distorcidos por conta das políticas econômicas. “A valorização dos títulos de renda fixa foi uma inflação de ativos. Se é bolha ou não, eu não sei, mas a performance foi vitaminada pela política monetária expansionista”, analisou Xavier.

Por fim, o executivo disse que dificilmente haverá uma recessão econômica, mas, o crescimento será lento. Também declarou que as eleições dos EUA e o Brexit devem ser acompanhados de perto, pois, podem produzir efeitos negativos na economia global.

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