Startups que combatem violência contra mulher buscam recursos

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Unsplash

A violência contra a mulher no Brasil é uma discussão que vem de longa data. Segundo dados do Relógio da Violência do Instituto Maria da Penha, a cada 6,1 segundos uma mulher é vítima de assédio em transporte público.

 Pensando nisso, a empreendedora Simony César resolveu criar em 2016, o Nina Mobile, um aplicativo para Smartphone que mapeia e denuncia delitos em ônibus, trens e metrôs.

Porém, apesar de sua relevância social, o Nina Mobile tinha dificuldade para se tornar um negócio sustentável. Passados 3 anos da criação, Simony conseguiu inserir o app ao aplicativo de ônibus da Prefeitura de Fortaleza. Mas essa vitória só foi possível apos a empreendedora ganhar um edital de US$ 20 mil, liderado pela Toyota Mobility Foundation e pela WR Brasil.

O aplicativo foi bem recebido e apenas nos primeiros meses em que entrou em vigor, coletou mais de 1,3 mil queixas, sendo que 9% delas viraram denúncia. 

Dentro de casa

Mas a violencia contra a mulher vai alem dos limites da rua, muitas vezes a mulher se encontra vulnerável dentro da própria casa. Segundo dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 260 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica em 2018.

Nesse sentido, a startup “Mete a colher”, criada pela empreendedora Renata Albertim, busca conectar vítimas de violência doméstica em busca de ajuda a voluntárias.

Criada em 2017, a startup agrupa mais de 14 mil mulheres em seu app gratuito, sendo que 4 mil delas já sofreram algum tipo de abuso. 

Para manter o app do Mete a Colher, a empresa fez campanhas de financiamento coletivo e buscou patrocínios. Além disso, Renata passou a oferecer palestras e consultorias para empresas. Com o aumento na demanda por esse tipo de serviço, um novo projeto acabou sendo criado: a startup “Sobre a Tina”. 

Este novo projeto direciona os olhares para o mercado corporativo. Criando um canal para que funcionárias de companhias possam pedir ajuda. Entre os clientes atuais, estão Carrefour e Natura. “Com essa plataforma, esperamos conseguir gerar receita para financiar a startup”, diz a executiva. 

Desafios

A verdade é que manter um negócio de impacto social no Brasil não é uma tarefa fácil. Segundo o Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental do Brasil, feito pela plataforma Pipe.Social, 80% dos empreendedores de impacto estão em busca de recursos financeiros. 

Sendo que mais uma vez as mulheres saem em desvantagem na busca por recursos.Segundo levantamento global realizado pelo Boston Consulting Group, startups fundadas por mulheres recebem menos da metade dos investimentos, frente àquelas fundadas somente por homens.

Apesar do pouco reconhecimento, a superintendente do Instituto Maria da Penha, Conceição de Andrade, destaca a importância e relevância dessas startup para a sociedade. “É preciso divulgar quais são os tipos de violência, onde procurar ajuda, formar redes. Isso é importante para que elas se percebam numa situação de violência e busquem ajuda”.