Money Week: conhecer o próprio negócio é fundamental às startups

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

O primeiro passo para quem deseja ter uma startup de sucesso é ter total clareza quanto à resposta a uma única pergunta: qual a dor que o seu negócio se propõe a sanar?

São muitos os empreendedores que falham, justamente por saírem em busca de financiamento sem “fazer a lição de casa primeiro”, compreendendo a razão de existir de seus negócios.

Tal questão norteou a live “Investindo em startups na visão do empreendedor”, parte da programação da Money Week desta quarta-feira (24).

Para o debate, foram recebidos João Kepler Braga, parceiro e investidor anjo, da Bossa Nova Investimentos, Edson Mackeenzy, diretor de investimentos da TheVentureCity, e Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups.

Startup: necessidade de conhecer a dor do cliente

O primeiro segredo que quem deseja empreender precisa saber é que o sucesso leva tempo e exige paciência. “Dez anos é o tempo estimado para uma startup ficar madura”, contou Kepler, da Bossa Nova Investimentos. Isto considerando todas as etapas necessárias, desde a formulação da ideia até o momento do tão aguardado IPO de estreia na bolsa de valores.

Mas sempre se sairá muito melhor o empreendedor que conhecer bem o próprio negócio e o motivo pelo qual ele é relevante para clientes e para investidores.

“O conhecimento é a chave. Startup não é mais modinha. São negócios sérios, muito bem fundamentados, muito bem estruturados”, pontuou.

“É preciso compreender como pensa o investidor e qual o valor que seu negócio tem para ele e para a sociedade”, disse.

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Reprodução/Money Week João Kepler Braga

Mackeenzy, da TheVentureCity, foi na mesma linha. “A startup, lá na ideia, já tem que ter uma missão. Ela não deve ser pensada como fonte de riqueza para o empreendedor. Tem que ser fonte de riqueza para os sócios, para os investidores, para a sociedade, ser uma empresa que colabora com a sociedade”, disse.

E complementou: “Uma empresa existe para sanar a dor e resolver uma necessidade de um público específico”.

O sucesso, afirma, será consequência, já que, dando certo para um público específico, este mesmo negócio poderá atender a públicos semelhantes em outras localidades e, assim, se multiplicar.

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Reprodução/Money Week Edson Mackeenzy

Startup: setores mais promissores

As startups que ganham mais visibilidade no Brasil, explicou Pinho, são aquelas que atendem a demandas específicas do país. É o caso das que estão ligadas ao setor financeiro, à educação, à saúde e à logística.

“O Brasil tem um grande número de habitantes, uma geografia específica e deficiências graves em setores como saúde e educação. Então, invariavelmente, estas acabam sendo as grandes fontes de ideias para startups”, disse.

No entanto, ele afirmou, as startups são possíveis e necessárias em qualquer segmento. “Todas as indústrias passaram por uma revolução. Basta pensarmos que todo mundo hoje ou usa o serviço de uma startup, ou trabalha em uma, ou investe em uma”.

Como captar recursos?

Além do preparo profissional e do conhecimento profundo do próprio negócio que se propõe a montar, o empreendedor precisa entender que há investidores específicos para cada momento do negócio.

Há, por exemplo, as incubadoras, as aceleradoras, os investidores-anjo, os grupos de investidores-anjo e a possibilidade do crowdfunding. E há diversas entidades de apoio aos empreendedores, como a própria Associação Brasileira de Startups. A recomendação é estudar as possibilidades e traçar uma estratégia.

Startups são fundamentais para o desenvolvimento do país

Também foi unânime entre os convidados o reconhecimento de que as startups são promessas para a recuperação da economia brasileira. E se mostraram muito resilientes durante a pandemia.

“São empresas inovadoras que sabem fazer muito com muito pouco recurso. Já têm uma mentalidade direcionada para a nova economia. Trabalham com pouca estrutura física. Então, a relevância delas no desenvolvimento econômico no cenário atual é enorme”, afirmou Pinho.

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Reprodução/Money Week Amure Pinho

Na quinta-feira (25), João Kepler Braga volta à Money Week, mas para falar sobre inovação para empresas tradicionais. Debatendo com ele, estará presente Ricardo Natale, CEO e co-fundador do Experience Club. Para fazer sua inscrição gratuita, clique aqui.