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O que é spread bancário?

O spread bancário brasileiro ainda está entre os maiores do mundo e vários são os fatores que levam a esse resultado. Saiba quais são.

O que é spread bancário?
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O spread bancário nada mais é do que a diferença entre o que um banco cobra para captar dinheiro e o que ele cobra para emprestar dinheiro.

Nada mais justo, em um sistema capitalista, que os bancos possam ter uma margem de lucro nesse tipo de operação, afinal, ninguém trabalha de graça.

O problema é quando isso passa dos limites e os bancos acabam cobrando taxas abusivas de seus clientes com o intuito de ganhar mais.

Apesar de boa parte da população brasileira não saber exatamente o que é spread bancário, certamente já deve ter ouvido falar nas notícias que o Brasil é um dos países com o maior spread do mundo.

Por isso, o objetivo desse artigo é, além de apontar o que é spread bancário, discutir sobre os seus impactos sobre a economia brasileira e o mercado financeiro.

Como é feito o cálculo do spread bancário?

O spread bancário é o resultado da subtração da taxa de captação da taxa de aplicação. Ficou difícil de entender? Então vou facilitar.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By Prostockstudio

Taxa de captação é o juro que os bancos pagam a você quando empresta dinheiro a eles.

A principal fonte de captação dos bancos atualmente é a poupança e os CDBs. Assim, quando você deixa o seu dinheiro em poder do banco com o objetivo de auferir algum rendimento, na realidade, está fazendo uma espécie de “empréstimo” ao banco.

Já a taxa de aplicação equivale aos juros cobrados pelo banco quando alguém contrata uma operação de crédito, tal como um empréstimo pessoal ou um financiamento.

No geral, a taxa de captação deve ser menor do que a de aplicação, pois, caso contrário, o banco não teria como obter lucro ao emprestar dinheiro aos seus clientes e, consequentemente, quebraria.

Contudo, em função do risco de crédito que envolve as operações de empréstimos, principalmente por conta do alto nível de inadimplência, os bancos se veem obrigados a aumentar os juros das operações, pois, caso algum cliente deixe de pagar, o pagamento dos demais clientes pode cobrir parte do prejuízo.


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Não sei se você acompanha com frequência as notícias sobre a economia brasileira, mas, se sim, deve ter visto que o nível de inadimplência no Brasil está altíssimo nos últimos anos.

Tudo isso contribui – e muito – para o aumento do spread bancário no país, uma vez que o risco de crédito elevado faz com que as instituições financeiras precisem aumentar os juros para não ficar no prejuízo.

Voltando ao cálculo do spread bancário, agora que você sabe o que são as taxas de aplicação e captação, podemos usar como exemplo os dados disponibilizados pelo Banco Central do Brasil em 2016, última informação disponível em seu site.

Nesse ano, a taxa de aplicação dos bancos foi de incríveis 60,32%, enquanto a taxa de captação foi de apenas 12,27%.

Com esses dados, chegamos ao impressionante spread bancário de 48,05% (60,32 – 12,27).

Ou seja, se você deixou R$ 1.000,00 na poupança ao longo de 2016, recebeu cerca de R$ 69,90 (rentabilidade de 6,99% a.a.) por ter emprestado esse dinheiro ao banco por um ano. No entanto, no mesmo período, o seu banco ganhou R$ 480,50 com o seu dinheiro.

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Crédito da imagem: Daniel Isaia/Agência Brasil.

É por isso que sempre batemos na tecla de que a poupança é um péssimo investimento para você, mas ótimo para o seu banco.

Alguns CDBs oferecidos pelos grandes bancos também caminham em um sentido parecido.

Quando você procura o seu gerente e busca por opções diferentes da poupança, certamente ele tentará fazer com que você invista em um CDB do próprio banco, que certamente renderá abaixo de 100% da CDI.

Isso é ruim para você, mas ótimo para o banco, pois, com o dinheiro que eles conseguem captar é possível ganhar muito mais dinheiro graças ao poder multiplicador dos bancos.

O spread bancário no mundo

Em todo o mundo, as economias buscam formas de controlar o spread bancário. A média mundial, por exemplo, é de 6%, mas há diversos países em que o spread chega a ser inferior a 2%, como é o caso dos Estados Unidos e de vários países da Europa e do Oriente médio.

Países considerados em desenvolvimento tendem a apresentar taxas de spread bancário mais altas, tais como diversos países da América do Sul, da África e da Ásia.

O Brasil tem uma das maiores taxas de spread bancário do mundo e perde somente para a ilha de Madagascar.

Por que o spread bancário é tão alto no Brasil?

Existem vários motivos que podem elevar a taxa de spread bancário de um país. Dentre eles, posso destacar a inadimplência, o lucro dos bancos, o depósito compulsório e os impostos que o banco precisa pagar.

A inadimplência é um fator decisivo no aumento do spread bancário, pois, quanto mais pessoas deixam de arcar com os seus compromissos, mais o banco precisa aumentar a sua taxa de juros para cobrir essas perdas.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By diego_cervo

No Brasil, os números da inadimplência são, pelo menos, impressionantes. No ano de 2018, por exemplo, cerca de 62,6 milhões de brasileiros estavam inadimplentes e com o nome incluído nos serviços de proteção ao crédito. Isso representa cerca de 41% da população adulta do país.

O depósito compulsório é uma determinação do Banco Central que serve como uma garantia para os casos de insolvência das instituições bancárias.

Parte desse recurso é direcionado para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e serve para cobrir eventuais prejuízos que os bancos podem causar a seus investidores.

Ao depósito compulsório também podemos acrescentar toda a carga de impostos que os bancos precisam pagar para se manter em funcionamento. Ou seja, esse é um custo que a instituição bancária precisará considerar se quiser continuar funcionando.

Por fim, vale destacar a questão do lucro dos bancos, pois tem sido um dos fatores que mais influenciaram no aumento do spread bancário no Brasil ao longo dos últimos anos.

Isso era mais latente entre os anos de 2004 e 2010, mas houve uma redução nos últimos anos, principalmente após o governo federal diminuir as taxas de juros cobradas pelos bancos públicos, fato que forçou os bancos privados a, também, diminuir os seus juros.

Os custos administrativos também fazem parte do cálculo do spread bancário, contudo, eles possuem baixa representação, uma vez que, quanto maior o banco, menores serão esses custos.

Como diminuir o spread bancário?

Para o Brasil, a redução do spread bancário significaria aumentar o acesso ao crédito para as pessoas e para as empresas. Além disso, também aumentaria a competitividade do sistema financeiro nacional.

Infelizmente, o setor bancário do Brasil ainda é uma espécie de oligopólio, ou seja, poucos bancos dominam o nosso mercado, o que é extremamente prejudicial para a economia.

Nesse sentido, uma forma de reduzir o spread bancário é justamente incentivando um aumento da competição no setor bancário, seja por meio da abertura de novos bancos ou do estímulo ao desenvolvimento de finitechs e corretoras de valores.

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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Além disso, também é importante lutar para reduzir os números da inadimplência no Brasil, pois esse é um dos principais fatores que influenciam no spread bancário.

Ações como a criação do cadastro positivo têm sido tomadas pelo governo, mas são as pessoas que precisam ter mais consciência e evitar contrair dívidas das quais sabem que não poderão pagar.

A educação financeira é uma forma eficiente de reduzir a inadimplência, mas a população brasileira ainda precisa se desenvolver muito nesse sentido.

O governo, por sua vez, também pode contribuir para a redução do spread bancário por meio da redução de impostos e do depósito compulsório.

Assim, os bancos teriam em seu poder mais dinheiro e, consequentemente, poderiam reduzir as taxas de juros cobradas nas operações de crédito.

Considerações finais

O spread bancário brasileiro ainda está entre os maiores do mundo e, ao longo deste artigo, você pôde entender os motivos que levam a esse resultado.

Muitos são os desafios que o país precisa superar para mudar essa realidade e, como você viu, isso não depende apenas dos bancos ou do governo, mas de toda a população, que precisa se conscientizar e reduzir a inadimplência.

Os bancos, por sua vez, também podem adotar ações que visem diminuir os empréstimos feitos aos chamados “maus pagadores” por meio de uma análise de crédito mais rigorosa e da troca de informações entre as instituições. Nesse sentido, o cadastro positivo pode ajudar bastante.

O governo também pode fazer a sua parte reduzindo o depósito compulsório e os impostos. Além disso, facilitar a criação de novos bancos ou mesmo a entrada de bancos estrangeiros no Brasil também podem ser consideradas medidas que visam a redução do spread bancário.

É por esse e muitos outros motivos que, cada vez mais, as pessoas as pessoas têm procurado as corretoras de valores para investir o seu dinheiro.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By stevanovicigor

Como você viu, deixar as suas economias em uma poupança é bom, mas não para você.

Existem diversas outras aplicações financeiras disponíveis no mercado e que pagam rendimentos bem maiores que a poupança. Por isso, faça um teste de perfil de investidor e descubra quais são as aplicações que combinam mais com o seu estilo.

Em caso de dúvidas, você também pode contar com o apoio de um dos assessores de investimentos da EuQueroInvestir, pois estão prontos para ajudar você a realizar um diagnóstico de seus atuais investimentos ou montar uma carteira de investimentos de sucesso.

Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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