Spread Bancário: com Selic em elevação, juros sobem e encarecem o crédito; saiba tudo aqui

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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Foto: FII: BTLG11 comunica aquisição de ativos; FINF11 faz amortização de cotas

A popularização do sistema financeiro brasileiro, com centenas de apps de bancos à disposição do grande público, facilita a tomada de crédito. Entretanto, muitos não se dão conta de que o spread bancário também é influenciado pela alta da Selic, e isso encarece a tomada de dinheiro.

Isso porque o spread bancário é justamente a diferença entre a captação de dinheiro por parte de uma instituição financeira, e o que ela cobra quando, na outra ponta, empresta para o cidadão.

Em linhas gerais, pode-se dizer que é a diferença entre o que o banco paga a quem deixa dinheiro aplicado na instituição financeira, e quanto o banco cobra de quem solicita empréstimos. Vale ressaltar que o banco nunca joga para perder.

Essa é uma das razões pelas quais muita gente está optando por investimentos em renda fixa e, também, em renda variável. Isso porque este é um jeito de fazer o dinheiro render e não ficar na dependência dos bancos, sejam eles tradicionais ou digitais.

Para quem pensa em investir, a EQI Investimentos dispõe de inúmeras opções nos dois segmentos – fixa e variável – bem como conta com um time de especialistas à disposição do investidor, inclusive se ele for alguém que está iniciando no mundo dos investimentos.

Spread Bancário: taxa média em setembro

Levantamento do Banco Central informa que a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras atingiu em setembro de 2020 o maior patamar desde o início da pandemia.

Conforme a autoridade monetária, naquele mês os juros alcançaram 21,6% ao ano, sendo este o valor mais alto desde março de 2020, quando a taxa estava em 22,7%, sempre em termos anuais.

Chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha disse, à época, que se vê um crescimento nas taxas de juros, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, decorrente do ciclo de elevação da taxa básica de juros da política monetária.

O executivo acrescentou que no caso dos empréstimos para pessoas físicas, a taxa média ficou em 25,8% naquele não tão longínquo setembro. Para as pessoas jurídicas, ela alcançou 14,9%, o mesmo patamar de agosto do ano retrasado.

Cabe destacar que a Selic, hoje, está em 7,75% ao ano. A taxa foi definida no dia 27 de outubro de 2021. Antes, ela estava em 6,25%. Ou seja, de setembro para cá ela subiu e todos os índices atrelados a ela subiram juntos. Logo, o spread bancário está mais caro por conta disso.

Bancos na mira do consumidor

O Brasil já é um país de juros altos “por natureza”, entretanto, para piorar a situação, muitas instituições financeiras figuram nos órgãos de defesa do consumidor por conta de cobranças abusivas. Esse péssimo hábito deixa o cidadão ainda mais receoso.

Veja que de janeiro a setembro de 2020 foram registradas 42.508 queixas de problemas com crédito consignado e de cartão de crédito consignado para beneficiários e aposentados do INSS. No mesmo período deste ano, as reclamações passaram para 81.356, um aumento de 91%. Os dados são do portal consumidor.gov.

Junto ao Banco Central, quando a busca é feita por assunto, reclamações sobre ofertas ou prestação de informações relativas a crédito consignado de forma inadequada ficaram em primeiro lugar, no segundo trimestre de 2021, com 4.223 registros.

Lembrando que o spread bancário significa a diferença que uma instituição paga a quem deixa dinheiro aplicado e o quanto ela cobra para quem toma esse mesmo dinheiro emprestado, fica mais fácil visualizar outro dado: somente neste ano a taxa de aplicação dos bancos foi de incríveis 60,32%, enquanto a taxa de captação foi de apenas 12,27%.

Assim, fazendo um cálculo até bem simples (60,32 – 12,27) é possível chegar ao impressionante spread bancário de 48,05%. Também é importante dizer que a principal fonte de captação dos bancos atualmente é a poupança e os CDBs. Na prática, quem aplica dinheiro está, na verdade, emprestando dinheiro, só que ao banco.

Para ficar ainda mais claro, podemos dizer que quem deixou R$ 1.000,00 na poupança ao longo de 2016, recebeu cerca de R$ 69,90 (rentabilidade de 6,99% a.a.) por ter emprestado esse dinheiro ao banco por um ano. No entanto, no mesmo período, o seu banco ganhou R$ 480,50 com o seu dinheiro.

Inadimplência afeta o spread bancário

Outro fenômeno que ajuda a encarecer o spread bancário diz respeito à inadimplência. Para se ter ideia, atualmente existem 62,5 milhões de brasileiros endividados.

Assim, para se proteger, os bancos e outras instituições financeiras colocam um “aditivo” no custo de crédito além das taxas já citadas, como a de captação e a de remuneração, lembrando que o banco remunera quem deixa dinheiro aplicado lá e cobra juros sobre juros de quem pede parte desse mesmo dinheiro emprestado.

De acordo com o Mapa da Inadimplência no Brasil, divulgado pela Serasa, o valor médio da dívida por pessoa é o maior dos últimos 12 meses, e está em R$ 3.937,38, alta de 1,3% em relação ao mês anterior. O valor médio de cada conta em atraso é de R$ 1.162,43.

Também informa que o maior volume de dívidas está na categoria bancos/cartão, representando 29,7% dos mais de R$ 211 milhões de débitos. Em seguida, estão as contas com luz, água e gás, com 22,3%. As compras no varejo representam 13% das dívidas dos brasileiros.

E acrescenta que em números absolutos, São Paulo lidera o número de negativados, com mais de 15 milhões, mais que o dobro do estado segundo colocado. Rio de Janeiro tem 6,15 milhões e Minas Gerais, 5,9 milhões. Bahia (3,92 milhões) e Paraná (3,27 milhões) aparecem entre os cinco mais inadimplentes.

Entretanto, a título de ilustração, é importante frisar que esta mesma estratégia se vê em outros segmentos, como varejo, por exemplo. Quando o cliente compra uma roupa em uma loja de rede, é comum que o preço ali praticado já tenha o custo de inadimplência embutido. No popular, o bom pagador arca com o prejuízo do mau pagador. Por isso sempre se deve negociar.