Confiança da construção civil aumenta em junho mas recuperação ainda é tímida

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Índice de Confiança da Construção (ICST), da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou a maior variação positiva da série histórica, 9,1 pontos, ao atingir 77,1 pontos em junho.

Mesmo com a melhora da confiança pelo segundo mês consecutivo, apenas recupera 43% das perdas ocorridas entre março e abril.

“A sondagem de junho mostrou um cenário menos desolador para a construção. A segunda alta consecutiva do indicador de expectativas confirma uma percepção mais favorável em relação aos próximos meses,” avaliou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção da FGV IBRE.

Castelo ressalta que “ainda é um quadro muito difícil: a insuficiência de demanda é a maior limitação à melhoria dos negócios em todos os segmentos do setor. Apesar da abertura das empresas e estandes de venda na maioria das cidades do país, a deterioração do quadro fiscal, do emprego e da renda não favorece a demanda. De todo modo, face às incertezas que ainda prevalecem, é cedo para estabelecer o início da recuperação da atividade”.

O avanço da confiança na construção vem da melhora percepção dos empresários em relação à situação atual e do pessimismo em relação aos próximos meses.

Apesar da melhora o setor segue distante do resultado passado

O Índice de Nível de Atividades da construção refletiu o impacto da Covid-19 no setor. Nos meses de abril e maio, a queda do indicador (com ajuste sazonal) somou 28,1 pontos recuperando apenas 3,4 pontos em junho.

Apesar da mudança da tendência, a atividade ainda se mantem distante do patamar alcançado no ano passado, o que pode ser observado em todos os segmentos setoriais.

O Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 13,5 pontos para 83,2 pontos. Apesar de novamente apresentar a maior variação mensal da série histórica, o IE-CST ainda se encontra 21,0 pontos abaixo do valor observado em janeiro (104,2 pontos).

Enquanto isso, os indicadores de demanda prevista e tendência dos negócios apresentaram alta semelhante (13,5 pontos e 13,6 pontos, respectivamente), e permanecem em nível parecido: 83,1 pontos e 83,5 pontos.

Por sua vez, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 4,7 pontos, para 71,5 pontos, após três meses de quedas consecutivas mas ainda insuficiente para recuperar as perdas ocorridas pela pandemia.

Em junho, a alta de 6,2 pontos do indicador de situação atual dos negócios, para 71,0 pontos, foi a que mais contribuiu para o resultado do ISA-CST, ainda que o patamar continue baixo em termos históricos.

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Já o indicador de carteira de contratos apresentou recuperação de 2,9 pontos, para 72,1 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) da construção teve alta de 6,3 pontos percentuais (p.p.), para 68,0%.

A maior contribuição veio do NUCI de Mão de Obra, que avançou 6,6 p.p., para 69,4%. Enquanto o NUCI de Máquinas e Equipamentos variou 4,6 p.p., para 61,4 pontos.