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Sobe a estimativa de inflação para os anos de 2018 e 2019

Em pesquisa divulgada pelo Banco Central, inflação sofre pequeno aumento em 2019 e a previsão de alta do PIB mantém-se estável nos próximos anos.

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Recentemente, economistas das principais instituições financeiras do Brasil elevaram a estimativa da inflação para os anos de 2018 e 2019. Essas expectativas foram publicadas no boletim de mercado conhecido como relatório Focus, divulgado ontem (01/10/2018) pelo Banco Central. Esse relatório é o resultado de um levantamento feito na última semana e que envolve mais de 100 instituições financeiras.

De acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede o índice de inflação oficial do país, o mercado financeiro elevou a sua estimativa que era de 4,28% para 4,30% ainda esse ano. Essa foi a terceira alta seguida desse indicador.

Assim, o mercado segue com uma expectativa abaixo da meta de inflação, que é de 4,5% para 2018 e dentro do intervalo de tolerância que é previsto pelo sistema (a meta terá sido cumprida se o IPCA fechar entre 3% e 6% no ano de 2018).

Inflação é um termo utilizado na economia para se falar da alta dos preços em um determinado período. Ela segue os efeitos da lei de oferta e demanda, ou seja, quando os consumidores estão dispostos a gastar e possuem recursos para isso, a tendência natural é que os preços dos produtos e serviços aumentem. Isso também pode acontecer quando há a falta  ou a redução de um determinado produto ou serviço no mercado. Um exemplo disso é quando algum efeito climático interfere na produção de alguns tipos de alimentos e faz com que o seu preço dispare nos supermercados.

Entre os principais efeitos da inflação estão:

  • A perda do poder de compra das famílias;
  • A redução dos investimentos feitos pelos empresários. Isso acontece por conta da preocupação acerca dos custos de produção ou com a demanda do mercado consumidor,
  • A criação de um ambiente de incertezas na economia, fato que pode paralisar projetos.

Apesar disso, não se pode dizer que a inflação seja de todo negativa, pois ela pode ser entendida como um sinal de que a economia de um país está em movimento e aquecida.

A meta de inflação é fixada no Brasil pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia, conhecida como Selic. Para o próximo ano, os economistas das principais instituições financeiras do país elevaram a estimativa de inflação de 4,18% para 4,20%, porém a meta central de 2015 é de 4,25% com intervalo de tolerância do sistema de metas que varia de 2,75% a 5,75%.

PREVISÃO20182018
Produto Interno Bruto (PIB)1,35%2,50%
Inflação4,30%4,20%
Taxa básica de juros (Selic)6,50%8%
DólarR$ 3,89R$ 3,83
Balança comercial (saldo)US$ 54,6 bilhõesUS$ 45,6 bilhões
Investimento estrangeiro diretoUS$ 67 bilhõesUS$ 75,65 bilhões

Produto Interno Bruto (PIB)

Para o ano de 2018, a previsão do mercado financeiro é de que o PIB se mantenha estável em 1,35%. Vale lembrar que PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e sua função é medir a evolução da economia.

Já para o próximo ano, 2019, a expectativa do mercado é que a expansão da economia alcance os 2,5%. Os economistas também mantêm uma previsão de expansão em 2,5% para os anos de 2020 e 2021.

No fim do mês de setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que o PIB brasileiro cresceu em 0,2% no segundo semestre de 2018, isso se comparado com os três meses anteriores. Esse resultado foi sustentado principalmente pelo setor de serviços e também pressionado pela forte queda que vem enfrentando a indústria os investimentos. Isso demonstra a perda de ritmo e a recuperação lenta da economia brasileira.

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Outras estimativas:

Taxa de juros: a taxa básica de juros da economia (Selic) se mantém estável em sue patamar e piso históricos (6,50%) até o final de 2018. Já para o fim de 2019 estima-se que a Selic possa alcançar 8%. Assim, os especialistas mantêm a sua previsão de alta nos juros para o ano que vem.

Dólar: estima-se que até o fim de 2018 a taxa de câmbio do dólar caia de R$ 3,90 para R$ 3,89. Já para 2019 o fechamento avançaria de R$ 3,80 para R$ 3,83.

Balança comercial: o saldo da balança comercial (que é o resultado do total de exportações menos as importações) a projeção em 2018 caiu de US% 55 bilhões para US$ 54,6 bilhões de resultado positivo. Já para 2019 a estimativa dos especialistas de mercado é de um superávit que recua de US$ 47 bilhões para US$ 45,6 bilhões.

Investimento estrangeiro: de acordo com a previsão do relatório para entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil no ano de 2018, permanece a estimativa de US$ 67 bilhões. Já para 2019 a estimativa, que era de US$ 75,3 bilhões, subiu para US$ 75,65 bilhões.

Comentário do Assessor de Investimentos (por Denys Wiese)

O relatório Focus é uma pesquisa feita com 100 instituições financeiras, na qual passa as expectativas delas em relação ao mercado financeiro. Então, na média, essas instituições financeiras estão achando que a inflação vai ficar um pouquinho mais alta nesse ano e também em 2019. Por que dessa alta? Acho que a gente pode atribuir a alguns fatores, mas o principal deles seria o câmbio. O que acontece quando o dólar sobe? O dólar sobe e o preço dos importados também e muito dos componentes do que a gente consome são de importados. Então, quando ocorre aumento do dólar, naturalmente a inflação é pressionada para cima. Sendo assim, esse dólar subiu, especialmente pelas questões eleitorais, o medo eleitoral, que faz afugentar os investidores estrangeiros, eles tiram capital do país e tirando o capital do país, o dólar é jogado para cima. Outra coisa, existe um temor do mercado frente a qual é o grau de governabilidade que um governo extremista vai ter, digo no sentido de que a gente está vivendo uma situação de extrema direita, com Jair Bolsonaro, e extrema esquerda, com Fernando Haddad, e o mercado tem um certo medo sobre a formação de um novo governo. Ou seja, se ele vai ter governabilidade para passar as reformas que são tão importantes para o país. Logo, esse medo é refletido no câmbio, que acaba afetando a inflação. Muito bem, inflação, ou expectativa de inflação mais alta, o que acontece com os juros? Quando a inflação sobe, o Banco Central eleva um pouco a taxa de juros para poder conter o avanço de preços. Só que, ao mesmo tempo, ao elevar a taxa de juros, ele vai estar matando um pouco a atividade econômica. O Banco Central fica calibrando para que a inflação não saia do controle e ao mesmo tempo a gente tenha crescimento econômico. Como a alta foi bem leve nas expectativas de inflação, o mercado espera, sim, um aumento na taxa de juros, não nesse ano (que está em 6,5%), mas para o final de 2019, quando a taxa Selic deverá fechar em 8% pelas expectativas de hoje. Essa alta moderada da taxa Selic viria para conter um processo inflacionário, que poderia ocorrer frente ao que já foi falado. Já as expectativas de PIB se mantém estáveis. Por que mesmo num ambiente hostil, de crise, de desconfiança quanto a governabilidade do novo presidente existe a expectativa de PIB positivo? Porque a gente veio de recessão, a gente veio de dois, três anos muito difíceis, em que o PIB caiu quase 10%, então, a base de comparação é muito baixa. Esse aumento do PIB seria mais inercial do que propriamente de mudanças importantes que a gente está vendo. Lógico que a gente já teve mudanças positivas na economia e isso cria um terreno propício para investimentos.
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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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