Sob pandemia, EUA contabilizam 33 milhões de desempregados

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (7) que novos 3,169 milhões de pedidos de seguro-desemprego foram feitos no país na semana finalizada em 2 de maio.

A expectativa do mercado era semelhante, por novos 3 milhões de pedidos.

Com isso, o acumulado desde o início das medidas restritivas para conter o coronavírus, que contabiliza sete semanas, é de 33,483 milhões de desempregados.

Este número ultrapassa em muito os 22,442 milhões de postos de trabalho gerados nos EUA desde novembro de 2009. Naquele mês, o país começou a se recuperar da crise do subprime (chamada de Grande Recessão).

Antes da crise decorrente do coronavírus, o recorde nos pedidos de seguro-desemprego tinha ocorrido em 1982, com 650 mil reivindicações.

A epidemia também pôs fim a um ciclo de mais de 10 anos de expansão do mercado de trabalho nos EUA.

Seguro-desemprego: recuo semanal nos novos pedidos

O resultado confirma a projeção dos analistas de que o fechamento de vagas devido à crise vem sendo reduzido semana a semana.

Entre final de março e início de abril ocorreu um recorde nos pedidos, de 6,87 milhões. Depois disso, quedas nas novas reivindicações puderam ser percebidas semana a semana.

Nas últimas sete semanas, os pedidos de seguro-desemprego foram os seguintes:

  • 7/5: 3,169 milhões
  • 30/4: 3,846 milhões
  • 23/4: 4,442 milhões
  • 16/4: 5,237 milhões
  • 9/4: 6,615 milhões
  • 2/4: 6,867 milhões
  • 26/3: 3,307 milhões

Os dados da semana passada (divulgados em 30 de abril) foram revistos para cima. A leitura inicial era de 3,839 milhões – agora é de 3,846 milhões.

Payroll será divulgado amanhã

Amanhã (8), os EUA divulgam o payroll, a folha de pagamentos que contabiliza os empregos não-agrícolas no país. A projeção é de 21 milhões de desempregados e uma taxa de desemprego subindo dos atuais 4,4% para 16%.

O Relatório Nacional de Emprego feito pela ADP e pela Moody’s Analytics, que é considerado uma prévia do payroll, foi divulgado na quarta (6). E apontou que o setor privado dos Estados Unidos perdeu 20,236 milhões de vagas de março para abril.

Este é o pior resultado histórico da pesquisa, que é feita desde 2002. “O resultado é sem precedentes. O número total de perdas de empregos em abril foi mais do que o dobro do total de empregos perdidos durante a Grande Recessão”, afirmou Ahu Yildirmaz, diretor da ADP.

O relatório da ADP contabiliza as vagas no setor privado não-agrícola. Já o payroll também inclui na contagem os funcionários públicos.