Small Caps Summit traz Kepler Weber (KEPL3), Boa Safra (SOJA3) e SLC (SLCE3)

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: Reprodução EQI

O painel do Small Caps Summit desta terça-feira (27) trouxe três empresas dentro de uma cadeia do agronegócio: Kepler Weber (KEPL3), especializada no pós-colheita, Boa Safra (SOJA3), focada em sementes, e SLC Agrícola (SLCE3), que está na ponta final da produção. 

Piero Abbondi, CEO da Kepler Weber, inicia falando sobre o ótimo momento do agronegócio brasileiro.

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Porém, ele afirma que é preciso falar do ciclo da commodity atual, em que o preço está muito bom e a demanda está forte, sendo bom para o produtor, mas é preciso olhar também para a demanda estrutural por este tipo de grão mundialmente.

“É preciso olhar também para a demanda estrutural por este tipo de grão mundialmente. Ela cresceu, porque também cresceu a classe média em países emergentes, como a China, onde 500 milhões de pessoas passaram para a classe média nos últimos 15 anos, e nós acreditamos que mais 500 milhões devem passar”, conclui. 

Veja a transmissão na íntegra!

Marino Colpo, CEO da Boa Safra, diz que apesar do último ano no Brasil ter essas grandes altas de preços, a produção do agro vem crescendo há 30 anos.

Small Caps: Marino Colpo, um empresário da “Boa Safra”

População aumenta e produção também

Colpo explica que o mundo tem uma tendência de aumento populacional.

Hoje existem 6,6 bilhões de pessoas, mas acredita-se que até 2030 pode chegar a 8,2 bi, e que vão precisar de comida.

“Os números demonstram com clareza que grande parte dessa nova area de produção vai vir do Brasil. O mundo precisa comer, as pessoas precisam se alimentar, e o local que você tem áreas disponíveis e uma grande possibilidade de crescimento é o Brasil”, diz.

Tudo isso indica, segundo Colpo, que, apesar do agro estar num ciclo de grande alta de preço, ainda se tem uma grande área de pastagem no Brasil que pode ser convertida em área de lavoura, e isso é uma tendência.

“Acredita-se que 40% de todo o crescimento do mundo em demanda de alimentos vai ser suprido pelo Brasil sem entrar em áreas de floresta”, salienta Colpo, durante o Small Caps Summit.

Demanda define preços

Aurélio Pavinato, da SLC Agrícola, explica que a oferta e a demanda dos três principais produtos (milho, soja e algodão) de sua empresa tem sido determinantes para definir patamares de preços.

“Nos últimos anos, o crescimento na demanda de soja e milho tem sido consistente e tem estimulado os produtores a produzir mais, mas mesmo assim, em função das volatilidades por causa de eventos climáticos na produção, nos últimos anos, o consumo foi maior que  produção. por isso os patamares estão hoje em níveis elevados, e a expectativa é que se mantenha nos próximos anos, porque a demanda nos países asiáticos principalmente vem crescendo de forma consistente”, colocou ele. 

Pavinato explicou um pouco também sobre o algodão, em que o crescimento é de acordo com o crescimento da população mundial e não do PIB, e por isso ele é lento.

“Estamos ocupando um bom espaço por causa da qualidade e da sustentabilidade com esse o produto. O Brasil exerce uma função importante na exportação do algodão sustentável”, afirma.

A importância da China

A China é um grande parceiro comercial do Brasil, sendo importante na importação de grãos, suínos e bovinos. 

Abbondi ressalta novamente o fato da classe média chinesa ter crescido consideravelmente.

“Ele [o chinês] deixa de viver no campo, utiliza as cadeias de fornecimento global e deixa de ser auto-produtor”, diz.

O executivo da Kepler Weber diz ainda que outros grandes concorrentes e produtores globais são Argentina, EUA e Ucrânia e todos tem invernos muito rigorosos.

Na vantagem, o Brasil tem duas safras e, se irrigar, tem uma terceira. “Isso dá uma produtividade e eficiência muito grande pro Brasil”, diz.

Doeças em animais deram salto nos grãos

Colpo afirma também que a mudança no consumo da China ainda se deve porque muitos rebanhos eram criados em pequenas fazendas com lavagem, e, depois da peste suína, por exemplo, onde tiveram a morte de muitos animais, no retorno, eles voltaram com uma criação mais industrial. 

“Eles tiveram uma infraestrutura específica para criar animais para terem um retorno rápido da produção, como confinamentos com ração, e isso impulsionou o consumo deles pelas commodities agrícolas, principalmente soja e milho”, explica.

Small Caps: Aumento do custo de insumos

A Kepler Weber assume ter sentido impactos na pandemia na cadeia de suprimentos, principalmente no aço, em que é um grande consumidor. 

O aumento na demanda e o câmbio impactou nos preços internos.

No ano passado, Abbondi explica que com esses aumentos em sequência, a crise foi gerenciada com a aproximação com siderúrgicas locais e globais, preparando estoques para essa turbulência.

No caso de Colpo, a preocupação foi principalmente com os plásticos, que subiram muito.

“Está tendo uma subida de preço em dólar de basicamente todas as commodities e uma depreciação do câmbio, que para o agro em específico, é preocupante. Eu tenho dúvidas se os preços vão recuar muito nos pós-covid”, coloca, em sua participação no Small Caps Summit.

Para a SLC, o aumento nos fertilizantes acendeu um sinal amarelo, o que vai encarecer a produção agrícola dos próximos anos.  

“Na cadeia produtiva como um todo, temos um cenário de limitação no suprimento dos insumos e que vai demandar algum ajuste na cadeia de suprimentos e nos preços”, afirma Pavinato. 

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