Sinalização do Fed é mais importante que recursos, diz professor do Insper

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Revista Amanhã

Mais importante do que o valor (US$ 450 bilhões) do programa de socorro aos bancos centrais – anunciado hoje pelo Federal Reserve (Fed) – é a sinalização, por parte do banco central dos Estados Unidos, de que pretende adotar outras medidas que garantam a liquidez global.

A avaliação é do professor de Finanças do Insper, Ricardo Humberto Rocha, ao admitir que, num cenário de retomada da economia mundial, a recuperação brasileira poderá ser mais rápida, inclusive, do que da Europa. A ajuda americana ao país deverá ser de US$ 60 bilhões.

“Mesmo que apresente problemas fiscais maiores do que os países europeus, o Brasil poderá reagir mais rápido, sobretudo se a China voltar a investir e voltar a demandar commodities brasileiras, hoje extremamente baratas”, argumenta.

Apesar de ter apresentado um crescimento econômico a taxas mais modestas nos últimos anos, o país asiático registrou, em 2017, um PIB equivalente a US$ 12,24 trilhões.

Previsões em aberto

Dentro dessa perspectiva positiva, Rocha admite a possibilidade de o país fechar o ano com um crescimento de 1% a 1,5% do PIB, ou “na pior das hipóteses, ser nulo ou até de -0,5%”, completa.

Na sua avaliação, o país asiático “suporta uma pressão interna para voltar logo a crescer, pois possui uma população gigantesca (cerca de 1,4 bilhão de habitantes), que precisa trabalhar e viver”, lembra.

No plano externo, porém, o professor comenta que “será preciso, ainda, conhecer melhor o real impacto da crise sobre o balanço das empresas, instituições financeiras e bancos centrais, a fim de gerenciar o risco sistêmico de cada país”.

Sequelas financeiras

O professor do Insper compara o momento, em que os países, individualmente, tomam medidas econômicas para debelar a crise “a um novo Plano Marshall”,  em que os Estados Unidos financiaram a reconstrução da Europa, destruída após a Segunda Guerra Mundial.

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“Todas as ações de política pública, de isolamento das pessoas, de controle dos hospitais e medidas financeiras constituem um cenário de um mundo que está em guerra. Resta saber o grau das sequelas financeiras provocadas pelo coronavírus”, questiona.

“De qualquer forma, os impactos da pandemia nos mercados nas próximas semanas, com certeza, serão dramáticos”, adianta.

Paradoxo ‘bom’

Paradoxalmente, o professor do Insper diz que a crise fez com que ativos importantes ficassem mais acessíveis e atrativos para o mercado.

“Temos agora petróleo barato, aço barato, commodity barata, isso sem contar com a desvalorização das moedas locais (em relação ao dólar), o que pode abrir espaço para a retomada da atividade econômica no mundo”.

No Brasil, Rocha destaca o fato de que o valor baixo das commodities no momento deverá favorecer a pauta de exportações brasileira, reequilibrando as balanças comercial e de pagamentos do país.

Recuperação lenta

De qualquer forma, Rocha prevê que serão necessários, pelo menos, dois anos até que as bolsas mundiais se recuperem das perdas das últimas semanas.

“Caso os mercados reajam rapidamente frente à crise, com redução das restrições econômicas, poderemos ter o início do processo de recuperação”

Câmbio ‘magro’

Na hipótese de uma recuperação econômica mundial consistente no curto e médio prazos, Rocha entende que as ‘gorduras’ acumuladas no câmbio, nas últimas semanas, poderão ser “eliminadas” naturalmente.

Programa emergencial

Outra iniciativa, anunciada na quarta-feira (18) pelo Fed, mas no nível interno, foi a edição de um terceiro programa emergencial de crédito – com duração de dois dias – visando garantir o funcionamento dos fundos mútuos americanos, conforme informativo da Elite Investimentos.

Esse programa consiste em empréstimos de até um ano para instituições financeiras que se comprometerem a apresentar, como garantia, ativos de alta qualidade como Treasuries (bônus do Tesouro), adquiridos dos fundos mútuos do mercado monetário.

Ainda de acordo com o informativo, a intenção do Fed é encorajar os bancos a comprar ativos dos fundos mútuos, diminuindo a pressão pela retirada de recursos, por pessoas ou empresas.