Shopping centers: reabertura turbina resultados de administradoras

Mitchel Diniz
Colaborador do Torcedores
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As administradoras de shopping centers apresentaram resultados considerados sólidos pelos analistas e confirmaram expectativas de recuperação. O mercado já aguardava números bons, depois que os últimos dados do varejo surpreenderam positivamente. A aparente retomada do setor está diretamente vinculado à flexibilização das restrições em função da pandemia.

No começo do segundo trimestre de 2021 (2T21), em abril, as regras de distanciamento social ainda estavam bastante rígidas e o funcionamento dos shoppings era bastante restrito. Mesmo assim, as empresas conseguiram “tirar o atraso” com a flexibilização nos meses seguintes e apresentaram resultados robustos.

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Algumas das administradoras conseguiram inclusive alcançar vendas semelhantes ao período anterior à pandemia, mesmo com o horário de funcionamento dos shoppings ainda reduzido. Para o segundo semestre, as expectativas são ainda mais otimistas, com os estabelecimentos voltando a funcionar em horário cheio. Os analistas, contudo, alertam para o risco de novas restrições em decorrência de novas variantes do coronavírus.

BR Malls (BRML3): prejuízo menor, mas ainda no vermelho

A BR Malls (BRML3) diminuiu o prejuízo em 81,86%, mas ainda assim terminou o 2T21 no vermelho. O resultado ficou negativo em R$ 112,9 milhões no período, ante prejuízo de R$ 619,6 milhões um ano antes. A empresa com maior valor de mercado no segmento de shoppings faturou R$ 261,8 milhões entre abril e maio deste ano, 41% a mais que no mesmo período do ano passado.

“Nosso período de funcionamento totalizou 75,4% quando comparado ao mesmo período de 2019. Ao longo de abril, passamos a ter 100% dos nossos ativos abertos, operando 52,8% do horário regular, número que evolui para 87,5% no mês de junho”, afirmou a BR Malls em relatório publicado junto com o balanço.

Segundo analistas do Banco Inter, a empresa apresentou uma evolução operacional em linha com o observado no setor, com expansão das vendas líquidas e restabelecimento dos aluguéis em níveis próximos ao pré-pandemia.

“No entanto, um destaque negativo ficou para a inadimplência líquida que, diferentemente da tendência do setor, avançou 3,7 pontos percentuais ante o 1T21, ao fechar em 18%”, diz o relatório do banco.

Iguatemi (IGTA3): lucro multiplicado por seis

O lucro do Iguatemi (IGTA3) no 2T21 foi seis vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado. O indicador cresceu de R$ 46,4 milhões para R$ 279 milhões. O resultado da empresa também foi impulsionado pela retomada das operações dos shoppings, com a flexibilização do isolamento social.

“No entanto, por melhor que pareçam as perspectivas futuras, entendemos que a pandemia ainda não acabou, e que devemos continuar respeitando os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades públicas para garantir o bem estar de todos”, disse a empresa em relatório apresentado junto ao balanço.

Com a retomada das atividades em todos os empreendimentos do grupo e a ampliação dos horários de funcionamento, a capacidade de utilização aumentou de 16% no final do primeiro trimestre para 92% no último mês de junho.

A Levante Ideia de Investimentos ressalta que o resultado do Iguatemi também está relacionado com a participação da empresa na Infracommerce, empresa que estreou este ano na Bolsa.

“Grande parte do forte lucro divulgado teve contribuição da atualização do valor do investimento do Iguatemi na Infracommerce, que estreou na bolsa no começo de maio e, desde então, já apresentou valorização superior a 50 por cento. O Iguatemi possui quase 10 por cento da Infracommerce”, explica o relatório da Levante.

Aliansce (ALSO3): vendas em patamares de antes da pandemia

O lucro da Aliansce Sonae (ALSO3) cresceu 58,7% no 2T21 e fechou o período em R$ 56,7 milhões. A receita líquida da empresa avançou 28,3% para R$ 208 milhões. O patamar de vendas da empresa no período ficou próximo de níveis pré-pandemia.

O BTG Pactual observa que mesmo com as restrições ainda rígidas em abril, a empresa conseguiu compensar nos dois meses seguintes e apresentou forte recuperação. Os analistas ressaltam que a empresa manteve custos e despesas sob controle no período, provavelmente capturando sinergias da fusão com a Sonae.

“Destacamos que em maio e junho, quando os shoppings ficaram abertos 90% do tempo, as vendas atingiram 92% dos níveis de 2019, o que é uma boa notícia”, aponta o relatório do BTG. Os analistas também destacaram a redução da taxa de vacância (para 4,6%), da inadimplência (para 7,8%) e o aumento nos custos de ocupação dos lojistas.

Multiplan (MULT3): melhor controle de custos

O lucro da Multiplan (MULT3) avançou 32,4% no 2T21 para R$ 93,7 milhões. O resultado foi impulsionado pelo aumento da receita com a melhora da circulação de clientes e das vendas nos shoppings. A companhia também conseguiu diminuir despesas com juros e com a queda da inadimplência. A receita líquida no período cresceu 7,2% e ficou em R$ 27,5 milhões.

“Apesar de vendas um pouco abaixo [do esperado], a companhia demonstrou forte evolução na cobrança de aluguéis, o que impulsionou as receitas, bem como melhorou sua eficiência nas despesas, resultando em estabilidade nos demais indicadores operacionais”, afirma relatório do Banco Inter.

“Os números operacionais foram sólidos em geral, mostrando que o desempenho dos shoppings tende a ser forte quando os shoppings forem reabertos. No 2T21, os shoppings permaneceram abertos por apenas 72% do horário “normal”, enquanto as vendas nas mesmas lojas caíram “apenas” 20% em relação ao período anterior à Covid”, aponta análise do BTG Pactual.

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