Crise foi como um meteoro chegando à terra, diz Setúbal, do Itaú (ITUB4)

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.

Foto: Roberto-Setúbal-Itaú

O co-presidente do Conselho de Administração do Banco Itaú, Roberto Setubal, disse nesta quinta-feira (7), que a crise gerada pelo coronavírus foi uma completa surpresa, causa muita preocupação porque nunca o país viveu algo assim e não se sabe em que velocidade e como sairá dela. “Foi como um meteoro chegando à terra”, afirmou, observando que o país tinha uma projeção para o PIB de crescimento de 3% e passou agora para uma retração de 3% ou mais.

O executivo reforçou que, diferentemente de 2008, a crise não começou no sistema financeiro, está espalhada por diversos setores econômicos. E adicionalmente pegou o Brasil em uma situação mais frágil, com uma dívida pública e alavancagem maiores.

Ele pondera que, por outro lado, o sistema financeiro está mais protegido, com uma liquidez maior para suportar um choque desse tamanho e se manter saudável, não só do Brasil mas de outros países.

Câmbio

Setúbal prevê que o Brasil irá conviver a partir de agora com um novo patamar de câmbio. A valorização, segundo ele, “veio para ficar”, o que forçará uma reorganização da economia, eventualmente com maior produção local de alguns gêneros e expansão de setores exportadores.

Da mesma forma, ele acredita podem ser adotadas mudanças do ponto de vista regulatório, visando aumento de liquidez, além das já adotadas pelo Banco Central, como as alterações nos compulsórios para favorecer o aumento de recursos para empréstimos dos bancos e a redução dos juros. “O que não poderíamos ter nesse momento era falta de recursos. Temos folga de liquidez e capacidade de emprestar bastante presente”, afirmou.

Crescimento

Para o ex-presidente do Banco Itaú, uma discussão que precisa ser ampliada é a de como retomar o crescimento. Ele argumenta que o Brasil empobreceu nos últimos anos relativamente a outras nações. Até os anos 1980, o país era um dos que mais tinha crescido nas décadas anteriores e depois disso o crescimento foi menor que a média do mundo. “Ficamos discutindo muito como proteger a renda enquanto deveríamos estar mais voltados ao crescimento da economia”, afirmou. “Temos que dar mais atenção ao crescimento e, com isso, à solução dos problemas sociais.”

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Sobre a questão fiscal, o banqueiro defendeu que é preciso reequilibrar o setor público, para gerar uma capacidade de investir mais. Setúbal classificou a situação das contas como muito grave e destacou que o Estado toma hoje 40% da economia, não só deixa de investir como se endivida e depende dos outros 60%, no caso o setor privado, para os investimentos.