Setor siderúrgico retorna ao nível pré-pandemia após baque no 2TRI

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/CSN

O setor siderúrgico brasileiro tem retomado os níveis pré-pandemia após sofrer um forte baque no segundo trimestre por conta da crise do coronavírus.

De acordo com relatório da Planner, os volumes vendidos de aço estão retornando aos números anteriores à crise e os preços tiveram seguidos aumentos desde junho. Assim, a expectativa é de que esse movimento possa continuar em outubro.

Desta forma, espera-se que o setor siderúrgico tenha ganhos importantes de margens nos resultados no terceiro trimestre.

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“Principalmente para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) e Gerdau (GGBR4), temos a necessidade de adicionar dados novos às nossas projeções, o que deve elevar o preço justo destas ações”, dizem os analistas da Planner.

A recomendação da casa de análises é de compra para CSNA3 (preço justo de R$ 17 – potencial de alta em 2%) e Usiminas (USIM5, R$ 11 – 3%).

 

Produção do setor siderúrgico

A produção em recuperação de aço tem voltado a crescer no país. O volume de aço bruto produzido no Brasil em agosto foi de 2,7 milhões de toneladas, 6,5% acima do mesmo mês de 2019, segundo os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr). A produção em agosto/20 foi 4,2% maior que no mês anterior.

Dados do setor siderúrgico

Porém, no acumulado de oito meses, o volume produzido em 2020 ainda ficou 11,6% abaixo de 2019. A explicação é a redução na demanda por aço trazida pela pandemia de Covid-19.

O volume das exportações em agosto (841 mil toneladas, ficou 8,2% abaixo do ano passado, em função das fortes reduções das vendas ao exterior de aços longos (-53,1%) e de planos (39,3%).

No acumulado do ano, as exportações do setor siderúrgico foram 8,6% menores que em 2019. Os motivos são as expressivas quedas nos volumes de planos e longos.

Segundo a Planner, uma boa notícia para o setor siderúrgico em 2020 foi a redução das importações. O volume importado em agosto foi 48,6% menor que no ano passado e o dispêndio caiu 35,1%. No acumulado do ano, as quedas foram de 22,9% em volume e 18,5% nos gastos.

Exportações e importações do setor siderúrgico

 

CSN tem recuperação lenta, mas deve ter ganho de rentabilidade

Segundo a Planner, as vendas de aços planos da CSN estão com sua recuperação mais atrasada que de longos. Mas os fechamentos de fornos nas duas maiores siderúrgicas deixaram o mercado com baixos estoques.

“Os grandes consumidores de aços planos (indústria automobilística e linha branca) ainda não voltaram suas produções para os patamares anteriores à crise. Por outro lado, embalagens e distribuição, estão com vendas aquecidas”, dizem os analistas.

O maior volume produzido pela CSN é de planos. Neste segmento a empresa vem se beneficiando da retomada da demanda e, principalmente, das elevações de preços.

Na mineração, seguem os planos de exportar este ano entre 33 e 36 milhões de toneladas. As cotações elevadas do minério de ferro, acima de US$ 120 por tonelada, juntamente com a taxa de câmbio elevada, devem permitir mais ganhos de rentabilidade neste segmento.

 

Gerdau tem espaço para crescer

As operações da empresa no Brasil estão sendo beneficiadas pelo forte crescimento do varejo da construção civil. Isso se dá, em grande parte, por conta dos auxílios concedidos pelo governo, diz a Planner.

As vendas para construtoras devem sustentar os volumes nos próximos meses, com melhores expectativas para 2021. Além disso, os resultados no Brasil serão beneficiados pelos aumentos de preços, que somaram 20% em agosto e setembro.

Segundo a Planner, mesmo após estes movimentos de preços, ainda pode haver novos aumentos em função da desvalorização do real. Na América do Norte, a construção civil também está puxando as vendas, que tem um spread metálico elevado (US$ 420/t). Isso deve permitir ganhos de margem no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior.

 

Perspectiva boa para a Usiminas

A Usiminas está se beneficiando dos aumentos de preços, sendo que outro é possível em outubro, trazendo novos ganhos.

A empresa reativou em agosto os equipamentos parados em abril, que foram paralisados pela redução na demanda com a pandemia.

Assim, no terceiro trimestre, segundo a Planner, haverá aumento na disponibilidade de produtos para a venda, diminuição das despesas com a parada dos equipamentos e maior diluição dos custos fixos, o que levará à uma melhor rentabilidade.

Na mineração, os preços altos do minério e a cotação elevada do dólar, devem permitir um aumento expressivo na rentabilidade deste segmento no segundo semestre. O volume das vendas de minério de ferro também deve crescer. Assim, deve fechar o ano com um incremento de 1,6% em relação a 2019.