Setor público tem déficit primário de R$ 11,8 bi, resultado melhor que a projeção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em fevereiro de 2021, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 11,8 bilhões, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (31) pelo Banco Central.

O resultado veio melhor do que o aguardado pelo mercado, que era de déficit de R$ 20 bilhões. Já o BTG Pactual (BPAC11) tinha projeção de déficit de 9,5 bilhões – ou seja, o resultado veio pior do que o esperado pelo banco.

No mesmo mês do ano passado, o déficit primário do setor público consolidado foi de R$ 20,9 bilhões. O resultado deste ano, superior ao de 2020, pode ser explicado principalmente pelo resultado superavitário dos governos regionais e das empresas estatais, na ordem de R$ 10,5 bilhões e R$ 212 milhões, respectivamente.

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 41 bilhões, também melhor do que as expectativas do mercado de déficit de R$ 43,3 bilhões. Na projeção do BTG, a expectativa era por déficit de R$ 42,6 bilhões.

Nos doze meses encerrados em fevereiro, o resultado nominal do setor público consolidado foi deficitário em R$ 1 trilhão, equivalente a 13,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado elevado nesse período ocorreu devido às diversas medidas de manutenção da renda da sociedade, que caiu fortemente devido às restrições de mobilidade social impostas pela crise sanitária do Covid-19.

Dívida Bruta do Governo Geral chega a R$ 6,7 tri

A Dívida Bruta do Governo Geral, que engloba Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais, chegou a R$ 6,7 trilhões em fevereiro, equivalente a 90% do PIB, com aumento de 0,6 ponto porcentual do PIB em relação ao mês anterior.

Em relatório, o BTG reitera que o indicador é de extrema importância no momento em que se vislumbra a retomada da economia ao mesmo tempo em que o governo corre o risco de estourar o teto de gastos, ameaçado pelo elevado valor de emendas parlamentares adicionadas ao Orçamento de 2021. “A disciplina fiscal é essencial à manutenção da credibilidade do governo e, por consequência, à queda do risco de crédito dos instrumentos de financiamento da dívida”, afirma o banco.

Para os próximos meses, aponta o BTG, o resultado consolidado do déficit do governo central deve apresentar uma piora, já que houve um recrudescimento da pandemia no país, com novas medidas de distanciamento social e uma nova rodada de Auxílio Emergencial.

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Reprodução/BC