Papel e celulose: o que você precisa saber antes de investir no setor

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com demanda crescente na China e alta do dólar, o segmento de papel e celulose vem despontando na bolsa e alcançando bons resultados, mesmo durante a crise do coronavírus.

Na última sexta-feira 9(13), Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3) fecharam com forte alta entre 4% e 6%, com casas recomendando a compra dos papéis.

Se você tem interesse no setor de papel e celulose, reunimos aqui uma série de informações sobre as empresas, as principais características do segmento, o que faz a ação subir ou descer e as perspectivas.

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Segmento de papel e celulose no Brasil

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de produtores de celulose. Só perde para os Estados Unidos. Dois fatores ajudam o país no setor: condições climáticas favoráveis e baixo custo da produção.

O Brasil possui 7,84 milhões de hectares plantados de eucalipto, pinus e outras espécies. A celulose de fibra curta vem das florestas de eucalipto. Já a celulose de fibra longa vem das de pinus. No Brasil, 85% da produção de celulose é de fibra curta.

Empresas do setor de papel e celulose

No país, existem dois grandes players no mercado: Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3). Ambas são listadas no Ibovespa.

Mas há outras duas companhias menores que têm ações negociadas na bolsa: Melhoramentos (MSPA3) e Irani (RANI3).

Anteriormente, havia também a Fibria, mas ela foi comprada pela Suzano. Da produção brasileira de celulose, mais de 70% se destina à exportação, sendo que a China é o principal destino.

Papel e celulose: performance durante a pandemia

Tanto Suzano quanto Klabin foram positivamente favorecidas pela pandemia. E isso aconteceu por dois principais fatores: alta do dólar, já que são empresas prioritariamente exportadoras, e demanda maior por papelão ondulado para embalagem e também por papel higiênico.

O consumo desses itens citados se explica pelas medidas de distanciamento social adotadas para a contenção do Covid-19. As pessoas ficaram mais em casa, realizando mais pedidos por e-commerce, que, por sua vez, demandam embalagens para o transporte. O consumo do papel higiênico também aumentou pela maior permanência em casa.

“Se você olhar a performance de Suzano e Klabin, com mais de 20% de valorização dos papéis no ano, você entende que é um setor que teve muito destaque no período”, diz Henrique Esteter, analistas da Guide Investimentos.

Ele explica que, no início do ano, antes da pandemia, havia uma perspectiva de aumento no preço da celulose. Mas esse movimento foi interrompido.

No entanto, as empresas foram positivamente favorecidas pela depreciação do câmbio, o que gerou mais caixa. Paralelamente, interna e externamente, aumentou a demanda por embalagens.

O aumento que era para ter acontecido no começo do ano, deve ocorrer até o fim deste mês, com reajuste estimado em 20% nos preços praticados.

“Nossa visão segue positiva para as duas companhias, Suzano e Klabin. Acreditamos que ambas devem ser empresas com performances sólidas ao longo dos próximos anos”, diz Esteter.

Ele lembra ainda que a questão do câmbio não deve ser alterada tão cedo, por uma questão de política econômica. Isso porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, faz questão de reiterar que dólar alto não é ruim para o Brasil.

O que faz a ação subir ou descer?

O que mais impacta o setor, explica afirma Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável daEQI Investimentos, é a oferta e a demanda. E a produção brasileira, como dito, depende fortemente da demanda chinesa.

Outro ponto não fundamental, mas que ajuda – e ajudou na crise do coronavírus – é o câmbio. “O câmbio acaba sendo um fator muito importante na receita da empresa. Mas nós já tivemos momentos de câmbio alto e ações das companhias performando mal. Então, não é correto associar diretamente câmbio alto a mais exportação. No caso da celulose, ela depende de demanda e baixo estoque chinês”, esclarece.

Balanços do terceiro trimestre

A Suzano (SUZB3) registrou prejuízo líquido de R$ 1,157 bilhão no terceiro trimestre de 2020, o que representa queda de 66,54% na comparação com igual período do ano passado.

O desempenho é explicado pelo menor resultado financeiro negativo, decorrente da variação cambial sobre a dívida e pelo resultado de operações com derivativos; bem como pelo aumento no resultado operacional.

Em relatório, o BTG Pactual escreveu que a Suzano continua a entregar mais, mostrando ao mercado sua impressionante capacidade de execução em condições de mercado difíceis. O relatório foi assinado pelos analistas Caio Greiner e Leonardo Correa.

Para eles, é apenas uma questão de tempo para a gestão entregar forte desalavancagem.

JPMorgan eleva recomendação da Suzano

O JPMorgan elevou a recomendação da Suzano de neutra para compra nesta sexta-feira (13), reajustando o preço-alvo para R$ 60.

Segundo o banco, a empresa vem registrando custos menores que o previsto e a posição de liquidez parece sólida.

Dia 12, quinta, a ação da Suzano encerrou o dia em alta de 0,46%, cotada a R$ 48,57. Na sexta (13), após a divulgação do relatório do banco, teve alta de 5,60%, cotada a R$ 51,29.

“Essa é a primeira vez que melhoramos a estimativa para os preços da celulose desde o primeiro trimestre de 2019. Isto à medida que enxergamos uma janela de seis a nove meses, entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2021, para anúncios de reajuste e melhora de rentabilidade”. Foi o que escreveram no relatório os analistas Marcio Farid, Rodolfo Angele e Lucas F. Yang.

No ano, a valorização das ações da Suzano é de 25%.

Klabin

A Klabin (KLBN11) reportou um prejuízo de R$ 191,2 milhões no terceiro trimestre, revertendo o lucro líquido de R$ 207 milhões no mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o Safra mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 23,30. E destaca como positivos o aumento de preços aguardado para as exportações para a China e a demanda crescente com a retomada da economia.

As ações tiveram alta de 30% entre 2 de janeiro e 13 de novembro. O preço atual é de R$ 24,39.

BTG Pactual recomenda Irani

Com menor market share, mas merecendo destaque do BTG Pactual, a Irani (RANI3; RANI4) divulgou lucro líquido de R$ 25,55 milhões no terceiro trimestre de 2020. Isso significa uma alta de 67,1% sobre o trimestre anterior e 66,9% na comparação anual.

No acumulado de 2020, a Irani registra lucro de R$ 58,84 milhões, avanço de 378,3% sobre um ano antes.

O BTG se referiu ao balanço como  “um conjunto decente de resultados”. E recomenda a compra do ativo ao preço-alvo de R$ 4,47. Na sexta (13), a cotação era de R$ 4,57, impulsionada pelo segmento que subiu em bloco.

A Irani está “pronta para embarcar em uma fase de crescimento agressivo”, afirma o banco.

A empresa agora ostenta um balanço patrimonial “muito saudável” e pode se concentrar em fornecer crescimento cumulativo pela primeira vez em anos.

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