Papel e celulose: o que você precisa saber antes de investir no setor

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com a demanda crescente no exterior, especialmente da China, o segmento de papel e celulose vem despontando na bolsa e alcançando bons resultados, mesmo durante a crise do coronavírus.

Se você tem interesse no setor de papel e celulose, reunimos aqui uma série de informações sobre as empresas, as principais características do segmento, o que faz a ação subir ou descer e as perspectivas.

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Segmento de papel e celulose no Brasil

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de produtores de celulose. Só perde para os Estados Unidos. Dois fatores ajudam o país no setor: condições climáticas favoráveis e baixo custo da produção.

O Brasil possui 7,84 milhões de hectares plantados de eucalipto, pinus e outras espécies. A celulose de fibra curta vem das florestas de eucalipto. Já a celulose de fibra longa vem das de pinus. No Brasil, 85% da produção de celulose é de fibra curta.

Empresas do setor de papel e celulose

No país, existem dois grandes players no mercado: Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3). Ambas são listadas no Ibovespa.

Mas há outras duas companhias menores que têm ações negociadas na bolsa: Melhoramentos (MSPA3) e Irani (RANI3).

Anteriormente, havia também a Fibria, mas ela foi comprada pela Suzano. Da produção brasileira de celulose, mais de 70% se destina à exportação, sendo que a China é o principal destino.

Papel e celulose: performance durante a pandemia

Tanto Suzano quanto Klabin foram positivamente favorecidas pela pandemia. E isso aconteceu por dois principais fatores: alta do dólar, já que são empresas prioritariamente exportadoras, e demanda maior por papelão ondulado para embalagem e também por papel higiênico.

O consumo desses itens citados se explica pelas medidas de distanciamento social adotadas para a contenção do Covid-19. As pessoas ficaram mais em casa, realizando mais pedidos por e-commerce, que, por sua vez, demandam embalagens para o transporte. O consumo do papel higiênico também aumentou pela maior permanência em casa.

“Se você olhar a performance de Suzano e Klabin, com mais de 20% de valorização dos papéis no ano, você entende que é um setor que teve muito destaque no período”, diz Henrique Esteter, analistas da Guide Investimentos.

Ele explica que, no início do ano, antes da pandemia, havia uma perspectiva de aumento no preço da celulose. Mas esse movimento foi interrompido.

No entanto, as empresas foram positivamente favorecidas pela depreciação do câmbio, o que gerou mais caixa. Paralelamente, interna e externamente, aumentou a demanda por embalagens.

“Nossa visão segue positiva para as duas companhias, Suzano e Klabin. Acreditamos que ambas devem ser empresas com performances sólidas ao longo dos próximos anos”, diz Esteter.

O que faz a ação subir ou descer?

O que mais impacta o setor, explica afirma Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável daEQI Investimentos, é a oferta e a demanda. E a produção brasileira, como dito, depende fortemente da demanda chinesa.

Outro ponto não fundamental, mas que ajuda – e ajudou na crise do coronavírus – é o câmbio. “O câmbio acaba sendo um fator muito importante na receita da empresa. Mas nós já tivemos momentos de câmbio alto e ações das companhias performando mal. Então, não é correto associar diretamente câmbio alto a mais exportação. No caso da celulose, ela depende de demanda e baixo estoque chinês”, esclarece.

Balanços do terceiro trimestre

A Suzano (SUZB3) reportou prejuízo líquido de R$ 2,75 bilhões no balanço do primeiro trimestre (1TRI21). Um ano antes a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 13,41 bilhões.

“Em relação ao 1TRI20, a variação positiva de R$ 10.664 milhões no resultado líquido reflete principalmente a variação positiva no resultado financeiro (menor impacto da variação cambial negativa sobre a dívida e derivativos) e melhor resultado operacional”, destacou a companhia. em seu relatório.

Já a receita foi de R$ 8,88 bilhões, com alta de 27% sobre o mesmo período do ano passado.

“A elevação de 27% da receita líquida consolidada no 1T21 em relação ao 1T20 é explicada pela valorização de 23% do dólar frente o real e o aumento de 13% no preço médio líquido da celulose em dólar, parcialmente compensados pela redução de 6% no volume vendido de celulose e papel”, disse a companhia.

Segundo a Suzano, 85% da receita líquida foi gerada no mercado externo (vs. 81% no 4T20 e 83% no 1T20). Em relação ao 4TRI20, foi registrado um aumento de 11% na receita líquida.

Suzano investe em nova fábrica

Recentemente, a Suzano anunciou que vai investir R$ 14,7 bilhões para erguer o que chama de maior fábrica de celulose de linha única de eucalipto do mundo, prevista para entrar em operação em Ribas do Rio Pardo (MS) no início de 2024.

A nova unidade terá capacidade para 2,3 milhões de toneladas anuais de celulose.

Klabin

A Klabin (KLBN11) registrou um lucro líquido de R$ 421 milhões no balanço do primeiro trimestre de 2021 (1TRI21), revertendo prejuízo líquido de R$ 3,143 bilhões do mesmo período do ano passado.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 201 milhões no primeiro trimestre de 2021, redução 96% sobre as perdas financeiras do primeiro trimestre de 2020.

O volume de vendas atingiu 909 mil toneladas no trimestre, crescimento de 7% na base anual.

A receita líquida atingiu R$ 3,467 bilhões no período, uma elevação de 34% na comparação anual.

Conforme a Klabin, o desempenho é resultado dos reajustes de preços realizados em todas as unidades de negócios, em  decorrência da forte demanda, tanto no mercado local quanto no mercado externo, além da desvalorização do real em relação ao dólar.

Em análise do BTG Pactual (BPAC11), a Klabin entregou resultados dentro do esperado, mas aquém do seu potencial. “O trimestre claramente não está refletindo todo o potencial operacional da empresa, que deve melhorar em todas as linhas de produtos nos próximos meses”, pontuaram os analistas.

Irani

A Irani Papel e Embalagem (RANI3), por sua vez, obteve receita líquida de R$ 356,161 mil. O lucro líquido foi de R$ 56,701 milhões, com alta de 215,2% em relação ao mesmo período de 2020.

Em seu relatório, a empresa ressalta o bom trimestre, decorrente do maior uso de embalagens de papel para o setor alimentício, e-commerce, delivery e para exportações, o que criou um ambiente para papelão ondulado e embalagens de papel completamente diferente daquele vivenciado pela economia de forma geral.

A receita líquida da Irani no 1T21 teve crescimento de 50,7% no comparativo com 1T20, reflexo, principalmente, do crescimento dos preços dos produtos nos segmentos embalagem de papelão ondulado e também de papel para embalagens, apesar do crescimento dos custos dos insumos, em especial das aparas utilizadas na produção.

O mercado doméstico representou 84% das vendas da companhia e o mercado externo chegou a 16%.

 

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