Setor florestal deve ter investimento de R$ 35,5 bi até 2023, diz relatório do Ibá

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Setor florestal representa 1,2% do PIB, aponta relatório do IBA -Foto: Wikimedia Commons

O relatório anual 2020 da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostrou que o setor florestal está confiante.

A previsão é de que o investimento no setor até 2023 seja de cerca de R$ 35,5 bilhões.

Esse valor representa o dobro do registrado nos quatro anos anteriores, que tiveram investimento de R$ 18 milhões.

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O dinheiro será destinado à expansão, criação de novas fábricas e florestas, além do desenvolvimento de tecnologia.

O principal foco do setor é tornar sua produção cada vez mais sustentável. A economia verde é uma tendência de mercado e o setor se vê otimista em relação a isso.

“De grande importância econômica, representando 1,2% do PIB Nacional e receita bruta total de R$ 97,4 bilhões, esta é uma indústria de olho no futuro, que investe em pesquisa para desenvolver produtos que estejam alinhados à bioeconomia”, afirmou o Ibá.

Apesar da alta taxa de desemprego no país em 2019 (11,9%), o setor florestal empregou 3,75 milhões de brasileiros. A expectativa é manter o plano de investir R$ 20 bilhões em expansão.

Duas fábricas de celulose solúvel já estão em construção. Uma delas é um projeto de expansão de uma fábrica já existente e a outra uma unidade a ser levantada desde a terraplanagem.

Outras iniciativas também foram anunciadas, como para tissue, papéis térmicos, painéis e principalmente no segmento de papéis para embalagem. Todas alinhadas com o viés sustentável.

Panorama de mercado

O setor florestal compreende uma área total de árvores cultivadas de 9 milhões de hectares. Além disso, conta com outros 5,9 milhões de hectares destinados a Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal (RL) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN).

Ao todo, são de mais de 1000 municípios na sua área de atuação.

A atividade do setor — segundo pesquisa feita em parceria da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) — representa 1,2% do PIB, a frente de extração de petróleo e gás (0,7%), refino de petróleo (1%) e extrativa mineral que não leva em conta petróleo e gás (0,9%).

Peso relativo de cada uma das atividades do PIB da cadeia Ibá 2019:

PESO RELATIVO DE CADA UMA DAS ATIVIDADES NO PIB DA CADEIA IBÁ 2019

Fonte: Dados do IBGE e elaboração da FGV.

Os produtos fabricados a partir das árvores cultivadas são diversificados. Vão desde o tradicional papel até cápsulas de medicamentos, tecidos e espessantes usados na indústria de alimentos e em produtos de higiene pessoal, como pastas de dentes.

Um mercado que vem crescendo muito nos últimos anos é o têxtil. A viscose, por exemplo, tecido produzido a partir da celulose solúvel, representa quase 7% do segmento mundial.

O relatório afirma ainda que há muito espaço para conquistar no setor têxtil,. Cerca de 64% dos tecidos que usamos atualmente são sintéticos, ou seja, obtidos a partir de origem fóssil.

Dentro do direcionamento sustentável, deve haver investimento em nova tecnologia para mudar essa porcentagem.

O Brasil é o segundo maior produtor de celulose, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2019, se manteve no posto, com 19,7 milhões de toneladas fabricadas.

Receita do setor florestal

Apesar de um ano desafiador, pontuou o Ibá, a contribuição do setor na balança comercial permaneceu significativa. O saldo foi de US$ 10,3 bilhões em 2019, o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos.

O valor de 2019 apresentou queda de 9% em relação a 2018, que fechou em 11,4%, com alta de 24% ante 2017.

Balança comercial em comparação anual:

BALANÇA COMERCIAL setor florestal

Elaboração: FGV. Fonte: SECEX.

Balança comercial por produto em 2019:

Elaboração: FGV. Fonte: SECEX.

Já na receita bruta total, de R$ 97,4 bilhões, 2019 superou 2018 com um crescimento de 12,6%.

Confira a receita bruta do setor florestal a preços concorrentes de 2017 a 2019:

RECEITA BRUTA DO SETOR A PREÇOS CORRENTES (2017-2019)

Fonte: FGV e Ibá

Na arrecadação total de tributos federais em 2019, 0,9% é representado pelo setor florestal.

Exportações

As exportações do setor apresentaram um valor total de US$ 11,3 bilhões em 2019. O montante representa queda de 8,7% puxada principalmente pela retração de 4,8% nos preços dos produtos, informou a pesquisa.

Com o desempenho fraco do Brasil no ano, a participação do setor florestal no total das exportações nacionais praticamente permaneceu estável. Cedeu de 4,5% para 4,3%, e se manteve em cerca de 10% das exportações do agronegócio.

Assim como em 2018, os principais países destinos das exportações brasileiras em 2019 foram China e Estados Unidos. Juntos, os dois países somam US$ 5,5 bilhões em exportações, representando quase 50% do setor.

As regiões de destaque foram Ásia, Europa e América do Norte, com participação superior a 80% no fluxo de exportações do Brasil na cadeia florestal.

Segundo a Ibá, o setor pensa grande em escala internacional, mas também opera localmente, apoiando programas de fomento e projetos socioambientais que envolvem mais de 6,9 milhões de pessoas.

Alta dos preços dos combustíveis e desvalorização do real afetaram a rentabilidade no setor florestal

Houve pressão nos custos de produção, por conta, principalmente, da alta nos preços dos combustíveis e desvalorização do real. O índice de custos de produção de madeira acumulado foi 6,77% em dezembro de 2019.

O índice construído a partir de informações do IPA da FGV foi inferior ao observado em 2018, fechando em 14,42%. No entanto, ficou superior à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que foi de 4,31% em 2019.

O aumento dos custos de produção gerou uma alta de preços no setor e ligeira queda no volume de produção e valor adicionado do PIB, gerando uma queda real nos produtos relacionados.

Setor florestal focado em sustentabilidade e tecnologia

A principal vertente a ser desenvolvida nos próximos anos é a socioambiental, principalmente com bioprodutos e biomateriais. Vale lembrar que há anos o setor já trabalha com produção sustentável, provendo inúmeros produtos de origem renovável e sendo reconhecido internacionalmente por isso.

“Não é por acaso que o presente desta indústria é reconhecido pela melhoria constante no relacionamento com comunidades vizinhas; maior produtividade florestal do planeta; manejo adequado; produtos 100% originados em árvores cultivadas para fins industriais; e exportações que trazem divisas relevantes ao Brasil”, completou.

Em 2019, o valor aplicado em inovação cresceu para cerca de 2% de todos os investimentos. Ao todo, as associadas da Ibá investiram R$ 828 milhões em ações socioambientais nas áreas de educação, saúde, treinamento e capacitação profissional em 2019.

Também houve incentivo sobre as boas práticas de manejo florestal, na certificação dos plantios florestais e de seus produtos. Seus projetos buscam atuar em áreas anteriormente degradadas pela ação humana.

Mais de 6,9 milhões de pessoas foram beneficiadas pelos diversos programas. Destas, 41% estão relacionadas aos projetos de fomento e de desenvolvimento econômico, permitindo melhoria da qualidade de vida e prosperidade para as comunidades.

Quase a totalidade das companhias investe em novos itens, muitos deles que serão alternativas sustentáveis para as mais diversas finalidades. Assim, são produtos e matérias-primas como óleos, bio-óleos, lignina, nanofibra, nanocelulose e nanocristais que podem ser empregados nas cadeias alimentícia, automobilística, de cosméticos e medicamentos.

“Assim, a indústria vem se tornando cada vez mais disruptiva, tecnológica e com profissionais capacitados para
cuidar do futuro do planeta. Em 2019, mais da metade das empresas (54%) ofereceu treinamentos voltados para inovação, diretamente relacionados a produtos e processos fabris”, diz o relatório.

A pesquisa

O levantamento foi feito pela primeira vez em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em prestação de serviço para as associadas da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e para todos os interessados no setor de árvores cultivadas, no Brasil e no exterior.

A pesquisa foi respondida em parceria com as empresas associadas à Ibá. Ademais, houve complementação do corpo técnico da entidade e do instituto de pesquisa.

“Alguns indicadores passaram por rupturas, como o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do setor e da área plantada. Isto se deve ao avanço na metodologia, hoje em linha com os meios utilizados e chancelados por economistas”, pontua o relatório.

“No entanto, contando com um parceiro experiente, como a equipe do IBRE, as diferenças foram minimizadas e ajustado o cálculo histórico dos indicadores para termos base de comparação de acordo com os novos critérios.”