Setor de serviços cresce 2,9% em agosto, aponta IBGE

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

A Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou que o setor cresceu 2,9% em agosto, na comparação com julho.

Esta é a terceira alta seguida, acumulando crescimento de 11,2% no período.

Ainda assim, o resultado não foi suficiente para recuperar as perdas de 19,8% entre fevereiro e maio, piores meses da pandemia no Brasil.

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Na comparação com agosto do ano passado, o setor de serviços recuou 10%, sexta taxa negativa seguida nessa base de comparação.

No acumulado em 2020, a queda é de 9%. Em 12 meses, o recuo é de 5,3%, mantendo o indicador em trajetória descendente iniciada em janeiro e chegando ao resultado negativo mais intenso da série deste indicador, iniciada em dezembro de 2012.

“Apesar de três altas seguidas, o setor de serviços ainda está 9,8% abaixo do patamar de fevereiro (-1,1%)”, diz o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, lembrando que a queda registrada em fevereiro não tem relação com a pandemia. “Esse recuo foi conjuntural e refletia, à época, uma acomodação do setor. Portanto, os serviços acumularam na pandemia, entre março e maio, perda de 18,9%”, explica.

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Reprodução/IBGE

Restaurantes e hotéis puxam a alta

O avanço na passagem de julho para agosto foi puxado por quatro das cinco atividades pesquisadas, com destaque para serviços prestados às famílias, que cresceu 33,3%, impulsionados pelos restaurantes e hotéis.

A alta dessa atividade foi a maior da série histórica, mas ainda está distante do patamar de fevereiro (-41,9%), mês que antecedeu o início do distanciamento social para controle da disseminação do coronavírus.

“Passados os meses mais críticos da pandemia, em março e abril, a atividade de serviços prestados às famílias registrou as três maiores taxas de toda série histórica: 33,3% em agosto, 14,4% em junho, e 13,8% em maio. Mas mesmo com esses recordes, ainda está muito distante de recuperar as perdas de março e abril, tamanha a queda. Para que os serviços prestados às famílias voltem ao patamar de fevereiro, ainda precisam crescer 72,2%”, diz Lobo.

Serviços: transportes também é destaque

Outro destaque do avanço no setor de serviços veio de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios (3,9%).

Essa atividade acumula ganho de 18,8% nos últimos quatro meses, mas também não recuperou as perdas de março e abril (-25,2%).

“A melhora no armazenamento e no transporte rodoviário de cargas deve-se, em parte, ao comércio, já que a compra de determinados bens passa por centros de armazenamento e distribuição e depende do transporte rodoviário para chegar ao consumidor final. Já o transporte de passageiros tem a ver com retorno gradual das famílias às viagens”, analisa.

Os demais avanços do setor vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares (1%) e outros serviços (0,8%).

Informação e comunicação segue com resultado negativo

O único resultado negativo ficou com os serviços de informação e comunicação (-1,4%). Para Lobo, contudo, essa é uma queda de acomodação, já que o segmento é bastante dinâmico e acumula saldo positivo, crescendo 6,3% entre junho e julho.

Turismo avança pelo quarto mês seguido

O índice de atividades turísticas também apontou expansão de 19,3% em agosto, em relação a julho, quarta taxa positiva seguida, período em que acumulou ganho de 63,4%. O indicador, porém, ainda não recuperou as perdas de 68%, registradas entre os meses de março e abril, quando diversas empresas, principalmente de transporte aéreo de passageiros, restaurantes e hotéis interromperam as atividades devido à pandemia. Frente a agosto de 2019, o volume de atividades turísticas caiu 44,5%, sexta taxa negativa seguida.