Setor de serviços cresce 1% em 2019, primeiro resultado positivo em 5 anos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/iStock Photos

O setor de serviços aumentou 1% em 2019, primeiro resultado positivo em cinco anos. Em dezembro, no entanto, o volume do setor de serviços recuou 0,4% ante o mês anterior, marcando o segundo decréscimo seguido, com perda de 0,5% entre novembro e dezembro.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 12, na Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Em 2018 nós tivemos uma estabilidade e agora temos uma volta ao campo positivo, lembrando que entre 2015 e 2017 tivemos uma perda acumulada de 11%, então essa alta é importante, mas ainda está longe de alcançar o melhor resultado no setor de serviços”, avaliou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, à Agência IBGE.

Em 2015, o resultado foi de -3,6%. Em 2016, -5%. Em 2017, -2,8%. E, em 2018, 0%.

Destaques: comunicação e locação de automóveis

O crescimento foi puxado principalmente pelo setor de informação e comunicação, que acumulou alta de 3,3% no ano. Outro destaque positivo foram serviços de locação de automóveis.

Tá, e aí?

Apesar da contração registrada em novembro e dezembro, quatro de cinco segmentos de serviços apresentaram crescimento, segundo análise publicada pelo Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG).

“O bom ritmo de crescimento dos serviços prestados às famílias está alinhado com a melhoria gradual das condições do mercado de trabalho, enquanto a contração registrada pelo transporte está ligada ao desempenho da produção industrial que sofre com incerteza sobre a tendência das demandas domésticas e globais”, destacou.

Para o MUFG, esse padrão divergente deve se estender um pouco para este ano. Segundo o documento, os serviços prestados às famílias podem apresentar desempenho relativamente melhor em um cenário de demanda doméstica mais sólida.

Isso, ressalta a nota, deve ocorrer em meio a um aumento mais acentuado de empregos registrados, baixa inflação e manutenção da taxa Selic em nível de 4,25% por mais tempo, favorecendo o mercado de crédito e, portanto, o consumo.

“Por outro lado, o setor de transportes deve continuar apresentando um desempenho relativamente inferior, embora esperemos um crescimento moderado influenciado pelo aumento da produção industrial e melhorias no setor de construção”, acrescentou.