Setor de serviços tem queda de 6,9% em março, pior resultado desde 2011

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

O setor de serviços teve uma queda de 6,9% em março ante fevereiro, segundo indica a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), publicada nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Este foi o pior resultado para um mês desde 2011, quando a pesquisa começou a ser feita.

De acordo com os pesquisadores responsáveis, os impactos foram sentidos especialmente no último terço do mês de março. O período coincide com o início das medidas de isolamento social adotadas para conter a proliferação do coronavírus, como recomendado pelas autoridades de saúde mundiais e do Brasil.

Esta também é a segunda queda consecutiva. Em fevereiro, o índice havia recuado 1%.

Todas as cinco atividades pesquisadas tiveram quedas, com destaque para serviços prestados às famílias (-31,2%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-9%).

“Essa queda é motivada, em grande parte, pelas paralisações que aconteceram sobretudo nos restaurantes e hotéis, que fazem parte dos serviços prestados às famílias. Outras empresas também sentiram bastante depois do fechamento parcial ou total, como os segmentos de transporte aéreo e algumas empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

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Análise regional

Das 27 unidades da federação, 24 tiveram resultados negativos em março. Destaque para São Paulo (-6,2%) e Rio de Janeiro (-9,2%), pressionados pelos segmentos de alojamento e alimentação. Os únicos impactos positivos vieram do Amazonas (1,9%), de Rondônia (3,1%) e do Maranhão (1,1%).

Comparação anual

Na comparação com março de 2019, o volume do setor de serviços recuou 2,7% em março de 2020.

XP previa queda ainda maior

Lisandra Barbero, economista da XP, afirma que o resultado da pesquisa ficou levemente acima das expectativas da corretora, que previa uma queda de 7,2% na análise mensal e de 3% na anual.

“A abertura dos dados mostrou que 85,7% dos setores analisados apresentou contração em março. Os serviços prestados às famílias e os serviços de transporte foram os principais destaques negativos. Os serviços de tecnologia da informação e técnico-profissionais foram os únicos que não apresentaram contração no mês”, avalia.

Para ela, a queda significativa em todas as categorias reforça o entendimento de que o setor de serviços deverá ser um dos mais prejudicados pela crise e pelo isolamento social.

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