Setor aéreo sofrerá efeitos do coronavírus até 2023

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Théo Franchi

A pandemia de coronavírus seguirá afetando o setor aéreo pelo menos até 2023. É o que diz um estudo da Bain & Company consultoria, divulgado pelo Estadão Conteúdo.

O estudo abrangeu os efeitos negativos da crise causada pela pandemia nas fabricantes de aeronaves e nas empresas do setor aéreo.

Segundo a Bain & Company, a queda na produção de novos aviões deve durar pelo menos mais cinco anos.

A crise será mais forte para as fabricantes de aeronaves de grande porte (com duas fileiras). A previsão é que a situação volte ao nível pré-crise somente em dezembro de 2023.

Em relação às montadoras de aviões com um único corredor, a recuperação pode acontecer de forma mais rápida, a partir de novembro do ano que vem.

O relatório revelou que a Airbus, por exemplo, reduziu em um terço sua produção de aeronaves e não sabe precisar quando o nível pré-Covid será retomado.

Companhias aéreas torcem por fim da pandemia

Em relação às companhias aéreas, a previsão é que o movimento volte aos índices pré-pandemia somente em meados de 2022, dependendo de como a crise do coronavírus for combatida a partir de agora.

Segundo a consultoria, a queda na demanda global por voos, que hoje está em um patamar alarmante, deve seguir baixa, atingindo 70% em junho e ficando entre 40% e 55% neste ano.

O número está alinhado com as previsões da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), que prevê recuo de 55% na receita com passageiros.

A Bain espera que a demanda por voos domésticos retorne ao nível que apresentava antes do início da pandemia de coronavírus no início do segundo semestre de 2022.

Para voos internacionais, segundo a projeção da consultoria, isso não ocorrerá antes de junho de 2024.

“O segmento corporativo deve ficar mais restritivo para viagens após experimentar um uso maior das videoconferências”, comentou André Castellini, um dos sócios da Bain.

Ciente do cenário pessimista, a Gol anunciou, na última semana, que reduziu a demanda de novos jatos 737 MAX junto à Boeing e, agora, pretende comprar 95, e não 129, como previamente acordado.

Venda da Embraer ameaçada

A continuidade da crise no setor aéreo pode prejudicar, inclusive, a venda da Embraer para a Boeing.

“A prioridade da Boeing deixou de ser o acordo e passou a ser a própria sobrevivência”, comentou uma fonte, citando que os valores do contrato também passaram a ser problemáticos.

Um dia antes do negócio ser anunciado, a empresa valia R$ 19,8 bilhões no mercado. Hoje, esse número é de R$ 7,3 bilhões, um recuo de 63%.

Procuradas pela reportagem do Estadão Conteúdo, as empresas envolvidas no negócio preferiram despistar sobre a não realização da transação.

“Estamos trabalhando no processo de aprovações regulatórias e em condições ainda pendentes para a conclusão do negócio”, despistou a Boeing.

A Embraer, por sua vez, informou que continua “tomando todas as medidas necessárias para a conclusão do acordo”.

Coronavírus no mundo: contágio já atinge 2,3 milhões de pessoas

Atletas juntam milhões para ajudar no combate ao coronavírus