Seth Klarman, o “Oráculo de Boston”, e seus ensinamentos

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Facebook

Administrador do fundo de investimentos hedge Baupost Group, que tem sob gestão US$ 32 bilhões, o norte-americano Seth Klarman é um dos maiores nomes do mercado de capitais.

Não à toa, recebeu o apelido de “Oráculo de Boston”, similar ao do maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett, também conhecido como “Oráculo de Omaha”. E o que mais Klarman e Buffett têm em comum? O interesse pelo mundo dos investimentos, a metodologia aplicada e, claro, o patrimônio bilionário.

Início curioso e “rápido como tirar um band-aid”

Seth Klarman sempre foi vidrado em negócios, a ponto de ter a decoração de seu quarto, quando criança, com enfeites que remetiam ao visual de lojas de varejo. E foi também na infância que o investidor deu o pontapé inicial no mercado de ações.

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Aos 10 anos de idade, comprou seu primeiro título, uma ação da Johnson & Johnson.  A escolha veio de um raciocínio simples: Klarman pensou que, ao investir em uma ação do grupo que os produzia, estaria fazendo um bom negócio. E acertou.

A formação de Seth Klarman

O “Oráculo de Boston” se formou em economia, na Cornell University, com pós-graduação em administração de empresas em Harvard. O primeiro estágio, antes mesmo de formado, foi na Mutual Shares, empresa para a qual voltou após concluir sua graduação.

Três anos após concluir os estudos, Seth Klarman fundou, ao lado dos colegas William Poorvu, Howard Stevenson, Jordan Baruch e Isaac Auerbach, o hoje aclamado fundo Baupost. O capital inicial do negócio foi de US$ 27 milhões, e o primeiro salário do “oráculo” foi de US$ 35 mil.

Análise fundamentalista, a chave do sucesso

Para alcançar o topo com o Baupost, Seth Klarman, que durante a crise global de 2008 chegou a investir mais de US$ 100 milhões por dia, é um seguidor de Benjamin Grahan e da análise fundamenalista.

Klarman costuma dizer que calma e frieza são dois pontos fundamentais para quem deseja alcançar o sucesso no mercado financeiro. “O investimento em valor é algo que está dentro de cada um. Há pessoas que não têm paciência para fazê-lo e há outras que o fazem. Então, isso me faz pensar que é genético”, comentou, durante uma palestra em Harvard.

Ele gosta de investir em ações de empresas não tão conhecidas, mas que podem dar um excelente retorno.

Klarman e seus ensinamentos-chave

O “Oráculo de Boston” costuma seguir – e compartilhar – alguns ensinamentos-chave. O primeiro, como já citado, é ter paciência, disciplina e bom julgamento para tomar as decisões.

Klarman diz também que, para fazer um bom investimento, o comprador deve saber unir economia e psicologia. Quanto mais você estudar e entender do assunto, melhor responderá às questões principais: Quanto comprar? A que preço comprar? Devo esperar baixar mais?

Ignorar as flutuações do mercado e fugir do efeito manada são outras dicas de Klarman.

Críticas ao Fed

 Em uma entrevista recente para a Bloomberg, quando os mercados davam sinais de que começariam a se reerguer, Seth Klarman fez duras críticas ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos).

Em uma carta de 16 páginas, o investidor acusou o órgão de “estar tratando os investidores como crianças”, e comparou as atitudes do Fed às tomadas por pais que têm filhos na casa dos 30 anos ainda vivendo sob suas asas, no porão.

“Os investidores estão sendo infantilizados pela atividade implacável do Federal Reserve. É como se o Fed os considerasse crianças tolas, incapazes de definir racionalmente os preços dos títulos, por isso deve intervir. Quando o mercado tem um acesso de raiva, o benevolente Fed tem uma resposta calmante, mas habilitadora”, comentou.

“Tal como acontece com os jovens de 30 anos que ainda vivem no porão dos pais, só podemos nos perguntar se os mercados vão conseguir sobreviver por conta própria”, finalizou, revelando que a pandemia de Covid-19 causou “alguns efeitos adversos” na carteira do Baupost, mas que eles “provavelmente serão temporários”.