Serviços: avanço na vacinação é fundamental para crescimento do setor

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O setor de serviços registrou um avanço melhor do que o esperado, mesmo com os impactos da pandemia de Covid-19. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou um avanço de 0,7% em abril. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11).

Duas das cinco atividades registraram crescimento positivo. O grupo Informação e Comunicação cresceu 2,5%. Já Serviços Prestados às Famílias registrou variação positiva de 9,3%.

De acordo com relatório do BTG Pactual (BPAC11), o avanço do segmento de serviços prestados às famílias é explicado em parte pela comparação com 2020, quando o país vivia o início da pandemia.

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Serviços: crescimento anual tem relação com início da pandemia

Na comparação com abril de 2020, o volume de serviços cresceu 19,8%. Este resultado ficou acima do esperado também. O projetado pelo mercado era de que crescesse 18,8%. O relatório do BPAC11 ressalta que esse resultado tem relação com os primeiros impactos da pandemia. Isto ocorreu justamente entre março e abril de 2020.

O documento aponta ainda que há boas perspectivas para os próximos meses. “Esperamos resultados positivos para o setor de serviços pela reabertura parcial da economia e pela aceleração do cronograma de vacinação”, informa trecho do relatório.

De acordo com o documento, o avanço da vacinação pode permitir a retomada de grande parte das atividades presenciais já no segundo semestre do ano.

Sinais são favoráveis, mas ainda há um longo caminho

Rodolpho Tobler, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), disse que o ano guarda boas perspectivas. Para ele, os dados demonstram que abril mostra sinais mais favoráveis ao setor.

Porém, visto por outra ótica, percebe-se que os dados traduzem uma compensação apenas em parte do que foi perdido no mês anterior. “Os dados permanecem ainda um pouco abaixo. Há um caminho longo ainda a ser percorrido, mais do que nos outros setores”, avalia.

Ele disse que Serviços Prestados à Família, embora tenha crescido 2,5%, continua 40% abaixo dos níveis pré-pandemia. O mesmo ocorre com os serviços de transportes aéreos.

Para o economista, segmentos que dependem de interação humana ou que pedem aglomeração, sofrem mais. No entanto, o resultado de abril já sugere uma retomada. O que pode ser aprofundado, com o avanço da vacinação.

O maior risco, de acordo com ele, é o surgimento de uma nova onda da pandemia, que pode atrapalhar os planos.

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Reprodução/IBGE

Resultados por setor

O resultado do setor em abril foi puxado por apenas duas das cinco atividades investigadas: informação e comunicação (2,5%), impulsionada pelos segmentos de tecnologia da informação e telecomunicações; e serviços prestados às famílias (9,3%), liderados, principalmente, pelos restaurantes.

“Esse resultado dos serviços prestados às famílias deve ser relativizado, já que em março eles caíram 28%, no momento em que houve decretos estaduais e municipais que restringiram o funcionamento de algumas atividades para controle da disseminação do vírus. Isso fez o consumo reduzir significativamente naquele mês, então em abril houve um crescimento maior por conta da base de comparação muito baixa”, analisa o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Entre as outras atividades, os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,6%, segunda taxa negativa seguida no período março-abril (-2,0%).

Outros serviços também caíram 0,9%, eliminando pequena parte do ganho acumulado de 6,2% entre fevereiro e março. Já o setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio ficou estável (0,0%), após ter recuado 3,1% em março.

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Reprodução/IBGE

13 das 27 unidades têm aumento no volume de serviços

Regionalmente, 13 das 27 unidades da federação cresceram no volume de serviços em abril, frente ao mês anterior.

Entre os locais com taxas positivas, o impacto mais importante veio de São Paulo (0,5%), seguido por Distrito Federal (4,8%) e Paraná (1,5%).

Por outro lado, Minas Gerais (-1,0%) e Mato Grosso (-2,4%) registraram as principais retrações no período.