Serviços avançam 2,6% em julho, mas não recuperam perdas com a crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, apontou crescimento de 2,6% do setor em julho, ante 5% de junho. A expectativa era por avanço maior, de 3,1%.

O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a segunda taxa positiva desde o início da crise.

Antes disso, houve uma sequência de quatro taxas negativas entre fevereiro e maio (-1%, -6,9%, -11,7% e -0,9%, respectivamente). Ou seja, ainda falta bastante para o setor de serviços recuperar as perdas com a pandemia.

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Reprodução/IBGE

“O avanço não foi suficiente para eliminar as perdas observadas entre fevereiro e maio. Vale destacar que o efeito da pandemia propriamente dito ocorreu entre março e maio. O resultado negativo de fevereiro ainda não era decorrente das medidas de isolamento social e sim uma acomodação do setor de serviços frente ao avanço do final de 2019”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Na comparação com julho de 2019, o volume de serviços recuou 11,9%, quinta taxa negativa seguida.

No acumulado dos primeiros sete meses do ano, houve recuo de 8,9%. Em doze meses, o volume de serviços caiu 4,5%.

Recuperação de serviços é mais lenta

Diferentemente da indústria e do comércio, que vêm apresentando uma recuperação mais rápida, o setor está tendo uma recuperação mais lenta. Isto se deve à queda nos serviços de atendimento presencial, interrompidos pela pandemia. Também, à heterogeneidade do setor. E ao peso que ele tem na economia – cerca de 70%.

Os dados de hoje complementam o panorama do IBGE do mês de julho.
Ontem, a Pesquisa Mensal do Comércio apontou forte alta de 5,2%, quando a projeção era de 1,2%.

Pesquisa Industrial Mensal, divulgada no início do mês, apontou avanço 8% da indústria.

Setor de informação e comunicação cresce com pandemia

A expansão do setor verificou-se em quatro das cinco atividades analisadas, com destaque para informação e comunicação (2,2%) e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%).

O primeiro acumula um ganho de 6,3% nos últimos dois meses, mas ainda sem eliminar as perdas de 9,2% observadas nos cinco primeiros meses do ano.

Já transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio cresceu 14,4% entre maio e julho depois de recuar 25,2% no período março-abril.

Os demais avanços vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares (2,0%), e de outros serviços (3,0%).

O único resultado negativo foi em serviços prestados às famílias (-3,9%).

Indicador avança em 20 estados

Vinte das 27 unidades federativas apresentaram expansão no volume de serviços. São Paulo (1,6%) e Rio de Janeiro (3,3%) registraram os principais avanços.

Outras contribuições positivas relevantes vieram do Rio Grande do Sul (3,5%) e do Distrito Federal (5,2%).

Ceará (-2,5%) e Bahia (-0,9%) registraram os principais impactos negativos em termos regionais.