Certificação AAI: o que é preciso para ser um agente autônomo?

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Sendo uma das certificações mais conhecidas e procuradas no mercado financeiro, o exame para agente autônomo de investimentos costuma exigir muito de seus proponentes. Por meio de 80 questões, diversos temas são cobrados em profundidade a fim de tornar o mercado mais qualificado quanto possível.

Este artigo fala melhor dessa importante certificação. Ao ler o texto, você saberá do que se trata esse exame. Saberá o que deve ser feito para se tornar um AAI, bem como qual é o seu modo de funcionamento. Por fim, entenderá a diferença entre um gestor de investimentos e um agente autônomo de investimentos.

Aproveite e faça uma boa leitura!

O que é a certificação de Agente Autônomo de Investimentos?

Também conhecido pela sigla AAI, o agente autônomo de investimentos é o profissional que intermedia e faz a distribuição de produtos do mercado financeiro aos clientes de sua carteira. É como se ele fosse o “meio de campo” entre os valores mobiliários existentes no mercado e os investidores.

A certificação é concedida pela Associação Nacional das Corretoras de Valores ― ANCOR. Até mesmo por isso, é bastante comum que o AAI seja chamado também de corretor, pois ele está apto a transmitir as ordens dos clientes para a bolsa de valores.

Outra grande função do AAI é esclarecer dúvidas sobre produtos financeiros, apresentando-os aos clientes. É importante ficar claro que não é necessário contar com um assessor para fazer os investimentos. No entanto, as carteiras acompanhadas por eles podem ter melhores resultados. Até mesmo por isso, um AAI é considerado um assessor de investimentos e geralmente faz esse serviço voltado para grandes clientes.

Vale frisar que um AAI pode ser tanto uma pessoa física quanto uma pessoa jurídica. Vê-se esse tipo de estruturação em escritórios de investimentos que são sócios de grandes corretoras. Essa organização de funcionamento é exigida pela própria CVM, que é a órgão responsável pelo registro dos profissionais junto ao Sistema Financeiro Nacional.

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Como ser um AAI?

Para atuar como agente autônomo de investimentos, o primeiro passo é obter a certificação da ANCOR. Para isso, é preciso primeiramente realizar a inscrição no exame e pagar a taxa correspondente de R$ 460,00. Após, o candidato deve marcar o local e horário de seu exame. A instituição organizadora da prova é a Fundação Getúlio Vargas ― FGV.

Em conseguindo aprovação, é preciso fazer o credenciamento na CVM para só então poder atuar como profissional certificado. A autarquia cobra uma trimestralidade a título de fiscalização que nesse momento custa R$ 634,63 para pessoa física, perfazendo uma anuidade de R$ 2.538,52. Após inscrito, só é possível pedir a suspensão do registro passados 3 anos.

Para iniciar a atuação de fato, faz-se necessário uma parceria com algum escritório de investimentos já constituído. O AAI precisa ser sócio do estabelecimento e constar no contrato social, pois não é permitido que a atividade seja exercida em modelo de vínculo empregatício. A partir daí ele já pode trabalhar na distribuição de produtos financeiros e na intermediação de operações financeiras em bolsa.

Como funciona a certificação?

Acompanhe os três pontos fundamentais de funcionamento da certificação.

Pré-requisitos

Para poder prestar o exame de certificação, a ANCOR elenca algumas exigências. A primeira delas é (lógico) o pagamento da taxa de inscrição. Sem isso, não há conversa. Além do mais, é preciso ter concluído pelo menos o ensino médio e não ter antecedentes criminais, a famosa “capivara”.

Outro fator a ser atendido é não acumular nenhum processo que impeça a atuação no mercado financeiro, podendo exercer plenamente seus direitos civis. Por fim, vale frisar que não existe a possibilidade de isenção na taxa de inscrição.

Exame

A prova de certificação é composta por 80 questões de múltipla escolha e para conseguir aprovação é necessário atingir um percentual mínimo de acertos de 70%. O tempo total que o candidato dispõe para fazer o exame é de 2 horas e meia. Após realizar o pagamento da taxa de inscrição, a data de realização do exame precisa ser marcada em no máximo 60 dias. Depois disso a inscrição se torna sem efeito e o dinheiro não é devolvido.

Conteúdo

O programa de estudos que o candidato precisa seguir é bastante amplo, visando cobrir os aspectos principais de temas do mercado financeiro. Assim, caem na prova os tópicos de economia e matemática financeira, fundos e clubes de investimentos, administração de risco e securitização de recebíveis.

Também são cobrados assuntos relacionados ao Sistema Financeiro Nacional, bem como em relação às instituições e intermediadores financeiros. Algumas questões legais também são abordadas, como a Lei 9.613/98, a Circular BACEN 3.461/09 e 3.654/13, além da Instrução CVM 301/99.

Para toda a prova, é necessário acerto mínimo de 70% das questões. Adicionalmente é preciso acertar pelo menos 50% das questões em outros 5 tópicos: atividade do AAI (dada pela Instrução CVM 497/11), Lei da lavagem de dinheiro, mercados de capitais e de derivativo e assuntos relacionados à ética do profissional e aspectos comportamentais.

Qual é a diferença entre um profissional AAI e um CGA?

Eventualmente pode haver confusão entre a atuação de um AAI e de um gestor de investimentos que possui a certificação CGA. Dessa forma, vale esclarecer bem a diferença entre a atuação de cada um deles.

Enquanto o gestor tem autonomia para fazer a alocação de patrimônio, o AAI apenas apresenta produtos financeiros de acordo com o perfil do cliente. A alocação nesse caso é de responsabilidade do dono do patrimônio e o AAI apenas transmite as ordens.

Isso pode parecer desvantajoso em um primeiro momento, mas não é bem assim. Na verdade, a CVM montou uma estrutura que beneficia a todos. Veja: o gestor de investimentos atua em casas de gestão, as famosas Assets independentes.

No entanto, ele não pode distribuir os seus produtos. A distribuição dos fundos de uma casa de gestão deve ocorrer por intermédio de um AAI. Dessa forma, o mercado precisa de ambos e nenhum deles pode interferir na área de competência do outro.

A certificação de agente autônomo de investimentos é muito importante para o bom desenvolvimento do mercado financeiro. Por meio de sua obtenção, um profissional pode se registrar na CVM e atuar na distribuição de produtos financeiros. Assim, o AAI é peça fundamental na educação financeira de clientes, pois cabe a ele explicar o funcionamento dos instrumentos de aplicação e recomendar os investimentos de acordo com o perfil de cada cliente.