Será? The Economist alerta para nova crise no Brasil

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

O Brasil foi tema novamente de uma publicação na revista britânica The Economist. Depois de duas notícias envolvendo Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, desta vez o alvo foi a atual situação da economia brasileira. De acordo com a revista, o Brasil caminha para uma crise financeira única.

A revista também explica que existem dois tipos diferentes de crise cambial. A primeira é aquela que envolve um processo lento, iniciado com uma taxa de câmbio muito valorizada, fato que origina um déficit comercial uma situação de queda nas reservas de câmbio estrangeiro do país. Quando essas reservas acabam, então a crise explode: o valor da moeda reduz e o governo se vê em uma situação problemática em que, normalmente, o Ministro da Fazenda acaba perdendo o seu cargo. Apesar disso, o país consegue manter-se como antes.

Já o segundo tipo, citado pela revista, é aquela em que o país angaria diversos empréstimos, mas acaba alocando esses recursos em políticas consideradas ruins. Isso o torna capaz de conseguir bilhões em dólares nos mercados de capitais de todo o mundo, porém para o uso indevido. Com os bancos domésticos envolvidos, a economia do país cresce, mas quando há uma repentina reversão no fluxo de capital, então a moeda do país entra em um verdadeiro colapso. Nesse tipo de crise, a falência ocorre de uma maneira generalizada e há um grande dano no mercado.

Entretanto, para os editores da The Economist, parece que o Brasil se enquadra em uma outra categoria de crise. Para eles, as eleições presidenciais que ocorrem neste mês decidirão, além do novo Presidente do Brasil, o perfil de seu Congresso, e isso moldará uma resposta para a crise financeira de uma maneira lenta. Essa situação provavelmente afetará o mercado cambial e o problema pode ser grande no futuro. Assim, o Brasil não demonstras sintomas de uma crise em sua balança de pagamentos, nem mesmo está a favor do capital global. Para The Economist, “a crise que acontece no Brasil é, em essência, uma batalha consigo mesmo”.

O problema das finanças

 

Em sua publicação, The Economist ainda ressalta que o problema enfrentado pelo Brasil são as finanças do governo, pois transitam em um rumo considerado perigoso. Somente nos últimos quatro anos, a dívida pública subiu de 60% para 84% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para a revista, essa situação foi agravada após o colapso ocorrido nas receitas no ano de 2013.

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Assim, cortes nos gastos precisarão ser feitos para equilibrar novamente as finanças públicas. Ao passo que o salário dos funcionários públicos cresceu de uma maneira rápida, a Previdência, bastante generosa, tornou-se um problema bem maior e que será ampliado na medida em que a população brasileira se torna mais idosa. A publicação ainda destaca que tudo poderia ser pior, não fosse a Emenda Constitucional elaborada com o objetivo de limitar os gastos públicos (EC n. 95/2016). A revista também destaca que houve uma tentativa de implantar uma reforma da Previdência, porém esses planos foram abortados quando Michel Temer foi acusado de estar envolvido em escândalos de corrupção.

Em um cenário diferente, a política brasileira buscaria conciliar as exigências de seus credores como aposentados, funcionários públicos e também o restante da população. As pessoas sofreram com uma queda brusca na qualidade dos serviços públicos e também em seu padrão de vida. Ao mesmo tempo, os principais candidatos na corrida presidencial são considerados figuras polarizadas e que podem ter muita dificuldade em emplacar uma possível reforma na Previdência.

Economistas apontam que, caso até a apresentação do orçamento para 2020, não exista uma reforma previdenciária em vigor, então haverá a necessidade de se reduzir os gastos públicos. Esse é o “ponto crítico” na opinião desses especialistas.

E meio a esse cenário, credores poderiam se assustar e pode haver fuga de capitais. Ao mesmo tempo, a moeda também cairia e os títulos sofreriam um aumento em seu rendimento.

Por fim, a revista The Economist aponta que “nada é inteiramente novo”, pois o Brasil já sofreu, em crises passadas, sintomas que são a alta inflação e déficits externos. Contudo, nas crises anteriores, o problema que estava no plano de fundo também era uma política fiscal omissa, conforme aponta Armínio Fraga, ex-presidente do BC. Dessa forma, a revista britânica ressalta que há a possibilidade de se evitar o pior por meio de uma reparação “no meio do caminho”. Ou seja, existe a possibilidade de o Brasil conseguir administrar isso, porém, caso não consiga, os eventos da crise podem ganhar força de uma maneira dramática.

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