Sequoia (SEQL3): empresa de logística capta R$ 1 bi com IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A Sequoia Logística e Transportes levantou R$ 1 bilhão na Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), finalizada nesta segunda-feira (5). A empresa de logística especializada no mercado de e-commerce faz sua estreia no Novo Mercado da B3 nesta quarta-feira (07), sob o código SEQL3.

As ações saíram a R$ 12,40. Ou seja, ficaram abaixo da faixa inicialmente sugerida, que estava entre R$ 14,25 a R$ 17,75. A empresa levantou R$ 348 milhões com uma oferta primária. Os outros R$ 652,6 milhões foram para o bolso dos acionistas, entre eles o fundo de private equity Warburg Pincus, em uma oferta secundária.

A oferta teve como coordenadores o banco BTG Pactual, Santander, Morgan Stanley e Banco ABC Brasil.

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Com o IPO, a Sequoia quer aproveitar o bom momento do e-commerce no país para expandir suas operações, adquirir novas sociedades e otimizar a estrutura e a tecnologia do negócio.

Controlada pela empresa Warburg Pincus, a Sequoia é uma das maiores operadoras logísticas de varejo e tecnologia do país. Tem sede em Embu das Artes, São Paulo, mas faz entregas para todo o país – inclusive para cidades do interior.

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A história da empresa

Fundada em 2010 por Armando Marchesan Neto, atual CEO da empresa, a Sequoia é uma empresa de logística que tem como foco o uso da tecnologia em seus serviços. Entre os trabalhos prestados estão a realização de entregas expressas e soluções de logística reversa para e-commerce.

Armando criou a empresa a partir de suas experiências em entregas para o consumidor final. Ele trabalhou em grandes empresas como o Submarino e Natura.

Em 2012, a empresa recebeu seu primeiro aporte, do fundo brasileiro BR Partners. Com esse investimento, a Sequoia adquiriu 100% da Linx Fast Fashion, do Grupo Linx Sistemas. Assim, a empresa estreou no mercado de logística para moda, que era o foco da empresa adquirida, atendendo marcas nacionais e internacionais no varejo em operações business to business (B2B).

Em 2014, a Sequoia recebeu um segundo aporte. O fundo americano Warburg Pincus, um dos maiores e mais conceituados do mundo, levou à empresa uma grande expertise na utilização de tecnologia aplicada à logística. Al, além de uma capitalização que permitiu a realização de aquisições relevantes nos anos seguintes.

Hoje, a empresa está presente em 3.359 cidades do Brasil, que representam 92% do PIB nacional.

O modelo de negócios

Em 2019, a Sequoia fechou o ano com 30 milhões de entregas “porta-a-porta”. Segundo a companhia, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) foi de 35% entre 2017 e 2019.

No ano passado, a participação de mercado da Sequoia era de 16%, com base no número de entregas em relação ao número total de pedidos de e-commerce. Os dados são da Nielsen.

Entre os diferentes serviços da Sequoia estão:

  • serviços com entrega last mile a consumidores finais (B2C);.
  • serviços de carga fracionada (LTL), que consistem em serviços de transporte que utilizam capacidade parcial do veículo.
  • serviços de carga completa (FTL), que consistem em serviços de transporte que utilizam a capacidade total do veículo.
  • field services (entregas com instalação, troca e desinstalação de equipamentos portáteis).
  • logística interna (armazenamento, manuseio, separação, embalagem e expedição).

A empresa desenvolveu uma plataforma tecnológica própria e escalável, que tem como objetivo dar suporte ao crescimento dos mercados brasileiros de e-commerce e logística.

A Sequoia tem 98% da frota de veículos e estrutura terceirizados ou alugados. Segundo eles, isso reduz o volume de despesas de capital.

Assim, os investimentos da empresa concentram-se em serviços de alto valor agregado e tecnologias desenvolvidas para assegurar a eficiência das operações.

Perspectivas da Sequoia

O amplo mercado de e-commerce no Brasil, que apresenta um rápido crescimento, ainda é pouco explorado em comparação com o de outras grandes economias.

Em 2019, o mercado de e-commerce brasileiro atingiu um valor bruto de mercadorias no varejo de R$ 107 bilhões. “Com base nas estimativas da eBit, Forrester and BTG Pactual, deve manter uma expansão exponencial no futuro. Assim, aumentará ainda mais a demanda por serviços ágeis, confiáveis e com aplicação de tecnologia”, diz a Sequoia.

Nos últimos 18 meses, a Sequoia adquiriu a Lótus, a Nowlog e a Transportadora Americana. Com isso, o objetivo é integrar novas soluções ao portfólio de produtos e aumentar o alcance da rede de distribuição.

“A aquisição dessas companhias fortaleceu a nossa posição em entregas B2C nas regiões nordeste e sudeste”, diz a empresa.

Em 22 de agosto de 2020, a companhia também celebrou contratos visando a aquisição da totalidade do capital social da Direcional Transporte e Logística S.A – empresa que tem 20 anos de experiência e atua em 16 Estados do país. A aquisição ainda deverá ser aprovada pelo conselho de administração da empresa.

De acordo com a companhia, os recursos captados com o IPO vão ser usados na expansão inorgânica, por meio de aquisições de empresas que atuam nos segmentos de logística, transporte e/ou tecnologia. Parte dos recursos será usado ainda para otimização da estrutura de capital, além de investimentos em automação logística e tecnologia.

Números e dados importantes

  • Teve um retorno sobre capital investido (ROIC) de 34% em 2019. E de 37,6% no período de doze meses encerrado em 30 de junho de 2020.
  • Possui 5.600 motoristas terceirizados cadastrados. Mais de 3.700 veículos leves e utilitários operando por meio de 11 centros de distribuição e 394 bases operacionais. Mas a empresa também possui 188 caminhões próprios;
  • Em todo o ano de 2019 foram feitas 30 milhões de entregas pela empresa;
  • Os serviços de transporte B2C representaram 46% da receita bruta no primeiro semestre de 2020;
  • Os serviços de transporte B2B representaram 39% da receita bruta no primeiro semestre de 2020;
  • Em 2019, a receita bruta e Ebitda ajustado alcançaram R$ 610 milhões e R$ 48 milhões, respectivamente. Nos primeiros seis meses de 2020 a receita bruta foi de R$ 443 milhões e o Ebitda ajustado de R$ 22 milhões;
  • A Sequoia reportou um prejuízo líquido de R$ 7,1 milhões no ano passado e R$ 636 mil em 2018;
  • A dívida líquida somou R$ 176 milhões em 2019, R$ 104,7 milhões em 2018 e R$ 113,1 milhões em 2017.
  • Os principais acionistas são os fundos de investimento WP XI, Fram Capital Sherman, Fram Capital Sherman II e Armando Marchesan Neto.