Senador republicano não vê votos suficientes para barrar testemunhas em impeachment de Trump

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Aaron P. Bernstein / Reuters

O líder da maioria no Senado Federal, Mitch McConnell, disse nessa terça-feira (28) que não vê votos necessários para bloquear a convocação de novas testemunhas, por parte dos acusadores democratas, para falarem no impeachment de Donald Trump.

Apesar do Partido Republicano ter maioria na Casa, com 51 senadores, contra 47 democratas, McConnell disse ao Wall Street Journal que sua conta de “sim”, “não” e “talvez” não fecha a favor do presidente. O senador, porém, não revelou quantos votos faltariam.

Os republicanos querem realizar um julgamento rápido o suficiente para não ter que expor ainda mais o presidente em ano eleitoral. Trump tenta a reeleição ao fim de 2020.

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Possível vitória

Apesar dessa problema durante do processo, o senador McConnell acredita que “até sexta-feira” terá os votos suficiente, segundo informa a CNN. O partido acredita que chamar novas testemunhas pode prolongar o julgamento indefinidamente.

Os analistas políticos dão como certa a vitória de Donald Trump no Senado, justamente pela maioria matemática dos republicanos sobre os democratas.

Entretanto, os republicanos andam sob forte pressão da opinião pública, após o jornal The New York Times publicar, no último domingo (26), que o ex-conselheiro de segurança John Bolton escreveu em seu livro que ainda vai ser publicado que o presidente lhe disse, ano passado, que iria segurar a ajuda militar à Ucrânia até o país investigar políticos rivais de Trump nos Estados Unidos.

Essa é justamente uma das acusações que o presidente norte-americano enfrenta no processo de impeachment. A outra é de dificultar a ação investigativa do Congresso sobre o caso.

Os democratas, por conta dessa revelação, querem que Bolton seja intimado a depor no julgamento. Para eles, e para parte da opinião pública, Trump de fato queria que a Ucrânia investigasse Joe Biden, sei provável rival nas eleições de 2020.

A situação piorou quando o ex-chefe de gabinete de Trump, John Kelly, disse que acreditava nas alegações de Bolton. Kelly esteve entre os conselheiros mais próximos de Trump por 18 meses, depois de ter sido secretário de segurança.

De qualquer forma, não se sabe como os democratas vão conseguir os quatro votos que faltam para obter maioria e chamar novas testemunhas. Há dois senadores declarados “independentes” que poderia ser convencidos. Mas, mesmo assim, seriam precisos mais dois. Dois republicanos.