IPOs: semana tem nove estreias na bolsa, com destaque para Caixa Seguridade

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução / YouTube / B3

A semana promete ser agitada na bolsa de valores, B3. Nove ofertas iniciais de ações, IPOs, estão programados para acontecer entre 26 e 30 de abril, com destaque para a Caixa Seguridade (CXSE3).

IPO (Initial Public Offering, em inglês) é uma sigla que significa Oferta Pública Inicial. É quando uma empresa vende ações para o público pela primeira vez. Esse procedimento é conhecido como abertura de capital.

Confira as estreias programadas da B3:

GPS Participações e Empreendimentos (GGPS3)

A estreia na bolsa acontece na segunda-feira (26). O IPO deve levantar R$ 2,6 bilhões. E o preço sugerido da ação é de R$ 13 a R$ 15.

Conforme o prospecto, os recursos levantados na oferta primária serão destinados para realizar aquisições, fortalecer sua capacidade financeira, e pagamento de dividendos aos acionistas.

A GPS Participações foi fundada em 1962 em Salvador e tem cerca de 82 mil empregados e 2.400 clientes.

A companhia acredita ser o maior player do setor de prestação de serviços integrados, que incluem soluções de facilities, segurança, logística indoor, serviços de engenharia e manutenção industrial.

Hospital Care Caledonia (HCAR3)

Antes previsto para dia 23, o IPO do Hospital Care Caledonia também foi adiado, mas para o dia 28, quarta-feira. O valor do IPO é de R$ 790,5 milhões. O preço sugerido da ação é de R$ 22,50 a R$ 28,50.

O Caledonia usa um conceito que agrega hospitais, clínicas e plano de saúde, sistema explorado por empresas como Hapvida e Notre Dame Intermédica; que permite ganho de eficiência e redução de custos em relação ao processo fragmentado do modelo tradicional, segundo a companhia.

O Caledonia tem hoje cinco desses hubs em Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, além de Florianópolis (SC) e Curitiba (PR).

A rede conta com 11 hospitais, 1.206 leitos e 24 clínicas e centros médicos, além de duas operadoras de saúde com cerca de 102 mil vidas. Outro hub deve ser aberto em Sorocaba (SP).

Rio Alto Energias Renováveis (RIOS3)

A empresa estreia na bolsa na quarta-feira (28). O IPO estava programado, inicialmente, para dia 23, mas foi adiado.

Fundado em 2009, o Grupo Rio Alto é especialista em desenvolvimento de projetos de energia renovável, comercialização de energia, construção civil e gestão de ativos e produtos estruturados.

Considerando os ativos, a companhia espera atingir 1,8 GW instalados até 2023, dos quais 93 MWp já estão em geração, 156 MWp estão em construção, 1.168 MWp estão previstos para ser implantados até 2022 e 402 MWp estão previstos para ser implantados até 2023.

A estratégia da Rio Alto passa pela venda da produção futura dos empreendimentos no chamado mercado livre de energia, onde grandes consumidores como industrias negociam preços e suprimento diretamente com fornecedores.

Em 31 de dezembro de 2020, a companhia possuía R$2,6 bilhões em contratos de compra e venda de energia de longo prazo, representativos de um volume de geração de energia de 14.209 GWh.

O IPO deve levantar R$ 805 milhões, com preço sugerido da ação entre R$ 15,87 e R$ 20,63.

Caixa Seguridade (CXSE3)

Na quinta-feira (29) a estreia é da Caixa Seguridade. O IPO deve levantar R$ 5 bilhões. O preço sugerido da ação é entre R$ 9,33 e R$ 12,67.

A novata na bolsa chega para competir no mercado de seguros com empresas como BB Seguridade (BBSE3), Porto Seguro (PSSA3) e Sul América (SULA11).

Braço de seguros da Caixa Econômica Federal, a Caixa Seguridade iniciou suas atividades em 2015 com foco em diversos tipos de seguros.

A Caixa Seguridade Participações é uma empresa controlada pela Caixa Econômica Federal.

A companhia oferece seguros nos ramos Habitacional, Prestamista, Vida e Residência, dentre outros, tendo suas atividades desenvolvidas principalmente por parcerias.

A Caixa é o maior banco brasileiro em número de clientes, com 115,4 milhões de correntistas, conforme data base do Bacen referente a março de 2020, e líder no mercado de crédito imobiliário brasileiro e crédito pessoa física.

Como braço de seguridade da Caixa, a Caixa Seguridade é o terceiro maior grupo segurador do país e líder absoluto no ramo de seguros habitacionais com participação de mercado de 61,7%, de acordo com dados publicados pela SUSEP.

A empresa concentra desde 2015 todas as atividades da Caixa em seguridade, o que permitiu um avanço de participação de mercado de 5,4%, em 2015, para 10,7% em 2019. Nos últimos dois anos, a Caixa Seguridade foi a empresa que mais cresceu em participação de mercado, saindo da 5ª para 3ª posição em valor de prêmios emitidos (conforme dados da SUSEP de junho/20).

Sua posição de destaque no mercado brasileiro de seguros é baseada na exclusividade de acesso à Rede de Distribuição da CAIXA, garantido pelo Contrato de Outorga e Acordo Operacional, descrito no item 7.9 do Formulário de Referência incorporado por referência a este Prospecto.

Há também as Unidades Lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui com grande possibilidade de aumento de vendas de produtos de seguridade, canais ainda não explorados em todo seu potencial.

Segundo a empresa, ainda que com a significativa vantagem competitiva e o crescimento alcançado em seguridade nos últimos anos, é “evidente o potencial de crescimento da Caixa Seguridade neste mercado, uma vez que possui 11,5 milhões de clientes, representando 9,9% da base de clientes”.

Infracommerce (IFCM3)

Também na quinta-feira (29) estreia na bolsa a Infracommerce. O IPO deve levantar R$ 2 bilhões. A ação tem o preço sugerido de R$ 22 a R$ 28.

A empresa é responsáveis pela operação de e-commerce de empresas como Ambev, Nike, Motorola, Ray Ban, Unilever, entre outros.

O ecossistema de soluções digitais integradas da Infracommerce proporciona para marcas e indústrias liderarem suas jornadas de digitalização do go-to-market por meio de uma experiência ao consumidor excepcional.

“Acreditamos conseguir isso por meio de uma cultura focada em tecnologia, inteligência de dados, alta produtividade, eficiência e rentabilidade”, explica a empresa no prospecto preliminar.

Fundada no Brasil, a empresa tem hoje operações no México, Colômbia, Chile e Argentina.

A empresa ressalta que o mercado brasileiro de e-commerce representa uma oportunidade considerável pois a penetração do ecommerce ainda é baixa indicando potencial para sustentar fortes taxas de crescimento.

Boa Safra Sementes (GBSA3)

Também na quinta (29) tem IPO da Boa Safra Sementes, que pode levantar R$ 454,5 milhões. O preço sugerido da ação é entre R$ 9,90 e R$ 12,60.

A Boa Safra Sementes tem mais de 40 anos de mercado com atuação em estados representando 80% do território nacional, atuando nas regiões do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.

Com sede em Goiás, a companhia atua há quatro décadas como multiplicadora de sementes de soja, milho e feijão. Hoje é considerada uma das maiores produtoras de sementes de soja do mercado.

Banco Modal (MODL11)

Na sexta, dia 30, quem chega à bolsa é o Banco Modal, que espera levantar R$ 1,5 bilhão, com ação sendo vendida em um intervalor entre R$ 24 e R$ 32,82.

Criado em 1995 por ex-sócios do Banco Garantia como uma DTVM, o grupo Modal passou por transformações que o tornaram primeiro no banco múltiplo Modal e, em 2018, no Modalmais, unindo as operações de plataforma de investimentos e banco digital.

O banco afirmou ter fechado 2020 com uma base de 1,1 milhão de clientes. O lucro líquido das operações continuadas atribuído aos controladores foi de R$ 43,248 milhões em 2020, alta de 16,8% em relação ao resultado em 2019.

Em junho passado, o banco firmou acordo por meio do qual concedeu ao Credit Suisse a opção de comprar até 35% do negócio, acordo que avaliou o Modalmais em cerca de 5 bilhões de reais.

Vittia Fertilizantes e Biológicos (VITT3)

Também na sexta (30) tem IPO da Vittia, que pretende levantar R$ 572,5 milhões. O preço sugerido da ação é entre R$ 7,80 e R$ 9,80.

A empresa, com sede em São Joaquim da Barra (SP), e fundada em 1971, quer negociar suas ações no Novo Mercado, mais alto grau de governança da B3.

A oferta será primária – com recursos destinados ao caixa da empresa – e secundária – com recursos destinados aos vendedores.

A empresa iniciou suas atividades como um dos primeiros produtores nacionais inoculantes (fertilizantes biológicos) focados, inicialmente, no mercado de soja.

Ao longo dos anos, o escopo de atuação foi expandido e a Vittia Fertilizantes começou a produzir e comercializar, além de fertilizantes, também fertilizantes foliares, fertilizantes de solo a base de micronutrientes (ou micro de solo), condicionadores de solo e organominerais e defensivos biológicos.

Além disso, a fim de tornar a cadeia de produção mais eficiente, a empresa também realiza vendas industriais de matérias primas, produtos intermediários e produtos finais para a indústria de fertilizantes e também para outras indústrias como a de nutrição animal.

Kora Saúde (KRSA3)

Ainda na sexta (30), estreia a Kora Saúde, com pretensão de levantar R$ 1,7 bilhão. O preço sugerido da ação fica entre R$ 11,20 e R$ 15,50.

A companhia informou que tem a intenção de usar os recursos captados na aquisição de ativos e ampliação dos existentes. Além disso, pretende inaugurar novos hospitais e expansão de outros segmentos.